:::::::::::::::::::::LUÍS COSTA::::::::::::

ELEGIA

SULAMITE - INDEX

Jorrando de mares inacessíveis
contínuo na sua descontinuidade
o movimento alastra-se,
povoa o espaco,
leite correndo em todas as direccões
leite de uma mãe de pedra�
Em seu regaco,
seca,
mirrada,
vazia
uma criança chora,
a pele crespada
os olhos cegos de infinto

Que sinais serão aqueles na sua testa
onde o âmbar e o marfim moram
lado a lado
e se misturam e separam?
Talvez a raízes de um milagre
que se quer afirmar,
Talvez a solidão do granito,
ou a alma refrescando-se nos
bastiptérios de um Buda ou de um Jesus.
Mas o choro é tão negro!
A dor tão vermelha!

No centro das encruzilhadas
não há um templo para todos os desejos,
Aí todas as igrejas são incendiadas
pela mão do próprio Deus
aí só resta um caminho
uma certa incerteza
aí nem todos o holofotes
são capazes de iluminar a noite sem estrelas
nem os pirilampos se mexem
só a escuridão de tão branca reina,
a loucura da sabedoria amputada
empanturrada com adesivos de idealismos
politiquices e moralidades
O porquê sem porquê
O não- porquê de sermos
transformacão,
dilaceracão
feridas abertas,
vestígios
rastilhos�

Existirá algures uma terra capaz
de nos acolher?
Uma terra prometida?
Como a água que se evaporiza,
corre ou solidifica,
como a ave que cai através do
caos de uma cacadeira,
ou o veado nas mandíbulas do tigre?

A dor explode na boca,
ruge e ecoa
nas arcadas do peito
E através da terra barrenta,
seca de verões sem chuva,
o movimento cilindra-nos
abandona-nos,
desfalecidos�

Nos buracos das nossas próprias armadilhas
na dicotomia de nós mesmos
a morte é a única certerza�

Luís Costa nasce a 17 de Abril de 1964 em Carregal do Sal, distrito de Viseu. É aí que passa a maior parte da sua juventude. Com a idade de 7 anos tem o seu primeiro contacto com a poesia, por meio de  Antero de quental, poeta/ filósofo, pelo qual nutre um amor de irmão espiritual. A partir dai não mais parou de escrever.

Depois de passar três anos  num internato católico, em Viseu, desencantado com a vida e com o sistema de ensino, resolve abandonar o liceu. No entanto nunca abandona o estudo.  Aprende autodidacticamente o Alemão, aprofunda os seus conhecimentos de Francês, bem como alguns princípios da língua latina. Lê, lê sem descanso: os surrealistas, a Geração de 27, Mário de Sá-Carneiro, Beckett, E. M. Cioran, Krolow, Homero, Goethe, Hölderlin, Schiller, Cesariny, Kafke e por aí adiante. Dedica-se também, ferverosamente, ao estudo da filosofia, mas uma filosofia viva. Lê os clássicos, mas ama, sobretudo, o poeta/ filósofo Nietzsche, o qual lera pela primeira vez com a idade de 16 anos : "A Origem da Tragédia" e o existencialista Karl Jaspers.

Mais tarde abandona Portugal rumo à Alemanha, pais onde se encontra hoje radicado.

 

 

 

 




 



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