:::::::::::::::::::::LUÍS COSTA::::::::::::
O LIVRO EXUMADO
(XLIV POEMAS) - Index
Nietzsche I

3 de Janeiro 1889, em Turim. A tarde azul. Uma Droschke pára diante de um hotel.
Um chicote espuma raiva. Relinchos abismais. Nietzsche atira-se ao
pescoço de um cavalo. O seu choro faz estremecer a Piazza de Carlo Alberto
  até aos alicerces.
Sobre a cabeleira desgrenhada vêem-se  relâmpagos e violinos quebrados.
O bigode farfalhudo é um medonho oceano, cuspindo baratas e morcegos.
  Lou Salomé deixara-o abandonado na catedral da solidão. Áquela hora já passeava,
certamente, com Rainer Maria Rilke pelas margens do Neva.
Assim que a Primavera chegue , regressarão ao campo, a uma aldeola de Dykanka.
E aí passarão os dias, até ao Inverno seguinte, caçando borboletas
  e dando-lhes nomes wagnerianos.

 
 

 

 

 




 



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