:::::::::::::::::::::LUÍS COSTA::::::::::::
O LIVRO EXUMADO
(XLIV POEMAS) - Index
Dilúvio

O céu entrou em meus aposentos
era uma árvore, uma enorme árvore
flamejante ( talvez um carvalho )
que me abraçava
como quem abraça um vidente

Não sei se me encontrava acordado
ou se sonhava, mas rezei,
ferverosamente rezei  para
que os rios corressem de novo, rezei
pelos meus irmãos e pelas minhas irmãs

E os rios correram de novo e os
Meus irmãos banharam-se no
repuxo da pura luminosidade
e os convivas apareceram e brindaram
em nome de todos os povos

E as minhas irmãs dançaram;
ao ritmo do mar e do vento dos oásis
dançaram, e o mel correu, e o leite
correu, até que o dilúvio parou
e alguém falou da Terra Promessa

Foi então que uma pomba branca
apareceu
e unificou, de novo,
o Universo em seu bico
e o silêncio de Deus repovoou os altares

 
 

 

 

 




 



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