:::::::::::::::::::::LUÍS COSTA::::::::::::

ARQUEOLOGIA INVIOLÁVEL
PELOS BOSQUES DE ZUESCHEN

PARAFRASEANDO NOVALIS

Sou noctívago,

Trineto de um morcego.

Amo a noite, amo noite.

Oh! terá que voltar de novo a ser manhã?!

Amo a sombra das árvores,

sua pele brilhando ao luar,

a tempestade dos arcanjos,

as moscas do verão,

asas explodindo

contra redes de silêncio.

 

Penso. Imagino.

O mundo é um abecedário secreto  

em livros raros,

como o “ Livro dos Mortos “

 

Ardem-me os olhos,

tochas iluminando o fundo da terra,

Ardem-me os olhos,

suas metálicas raízes,

como uma secreta melodia,

como uma luva

remexendo na minha cabeça,

abrindo-a como quem abre uma romã,

a chama de mim-mesmo,

o seu  puro arcaísmo.

E há palavras que emergem...

Como charruas ou foguetões

emergem

são fogo na boca,

são armas de arremesso

aguilhões rompendo a lua,

tocando a Via Láctea...

 

Escrevo,

atordoado escrevo;

o tempo já não existe

o tempo já não existe.

Serei eu quem escreve?

ou será a noite,

o leite dos anjos correndo pela minha mão,

a sua límpida e fresca maré ?

 

O meu coração abre-se

é um estame de luz no centro da noite,

uma bússola sem ponteiros...

 

Oh Santa noite!

Terá que voltar de novo a ser manhã?

Luís Costa nasce a 17 de Abril de 1964 em Carregal do Sal, distrito de Viseu. É aí que passa a maior parte da sua juventude. Com a idade de 7 anos tem o seu primeiro contacto com a poesia, por meio de  Antero de quental, poeta/ filósofo, pelo qual nutre um amor de irmão espiritual. A partir dai não mais parou de escrever.

Depois de passar três anos  num internato católico, em Viseu, desencantado com a vida e com o sistema de ensino, resolve abandonar o liceu. No entanto nunca abandona o estudo.  Aprende autodidacticamente o Alemão, aprofunda os seus conhecimentos de Francês, bem como alguns princípios da língua latina. Lê, lê sem descanso: os surrealistas, a Geração de 27, Mário de Sá-Carneiro, Beckett, E. M. Cioran, Krolow, Homero, Goethe, Hölderlin, Schiller, Cesariny, Kafke e por aí adiante. Dedica-se também, ferverosamente, ao estudo da filosofia, mas uma filosofia viva. Lê os clássicos, mas ama, sobretudo, o poeta/ filósofo Nietzsche, o qual lera pela primeira vez com a idade de 16 anos : "A Origem da Tragédia" e o existencialista Karl Jaspers.

Mais tarde abandona Portugal rumo à Alemanha, pais onde se encontra hoje radicado.

 

 

 

 




 



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