:::::::::::::::::::::LUÍS COSTA::::::::::::

INICIAÇÃO

Escrito durante a leitura do livro do poeta Adonis:
                                          Die Gesänge Mihyârs des Damazeners

Com a idade de cem anos, o rei Mihyâr mandou vir
o seu filho a seus aposentos, e disse-lhe – senta-te,
meu filho, meu filho tão amado, e ouve o que te digo,
ouve com olhos de falcão e orelhas de leopardo.

E o seu filho sentou-se, e ouviu atentamente tudo quanto
seu pai lhe dizia – Filho, a nossa  raça é filha das fronteiras
e dos desertos e por isso ouvimos para lá do horizonte
e por isso sabemos ler os sinais das aves e dos astros.

A palavra foi-nos dada como uma devastação, como
um mistério sagrado;  em nome dela reinamos sobre o
império dos ventos, em nome dela trazemos nos ossos
o fogo da liberdade, no coração a presença do Senhor.

Filho, quando escreveres, curva-te perante o altar das
palavras, depois, como um fiel, volve à secura do seu flato.

 

Luís Costa, Züschen  IV  de novembro 2007

Luís Costa nasce a 17 de Abril de 1964 em Carregal do Sal, distrito de Viseu. É aí que passa a maior parte da sua juventude. Com a idade de 7 anos tem o seu primeiro contacto com a poesia, por meio de  Antero de quental, poeta/ filósofo, pelo qual nutre um amor de irmão espiritual. A partir dai não mais parou de escrever.

Depois de passar três anos  num internato católico, em Viseu, desencantado com a vida e com o sistema de ensino, resolve abandonar o liceu. No entanto nunca abandona o estudo.  Aprende autodidacticamente o Alemão, aprofunda os seus conhecimentos de Francês, bem como alguns princípios da língua latina. Lê, lê sem descanso: os surrealistas, a Geração de 27, Mário de Sá-Carneiro, Beckett, E. M. Cioran, Krolow, Homero, Goethe, Hölderlin, Schiller, Cesariny, Kafke e por aí adiante. Dedica-se também, ferverosamente, ao estudo da filosofia, mas uma filosofia viva. Lê os clássicos, mas ama, sobretudo, o poeta/ filósofo Nietzsche, o qual lera pela primeira vez com a idade de 16 anos : "A Origem da Tragédia" e o existencialista Karl Jaspers.

Mais tarde abandona Portugal rumo à Alemanha, pais onde se encontra hoje radicado.

 
 

 

 

 




 



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