<<<<<<<<<JUDITE TEIXEIRA>>>>>
POEMAS - INDEX
Rosas Vermelhas

Que estranha fantasia!

Comprei rosas encarnadas

às molhadas

dum vermelho estridente,

tão rubras como a febre que eu trazia...

- E vim deitá-las contente

na minha cama vazia!

Toda a noite me piquei

nos seus agudos espinhos!

E toda a noite as beijei

em desalinhos...

……………………………………..

A janela toda aberta

meu quarto encheu de luar...

- Na roupa branca de linho,

as rosas,

são corações a sangrar...

……………………………………..

Morrem as rosas desfolhadas...

Matei-as!

Apertadas

às mãos-cheias!

……………………………………..

Alvorada!

Alvorada!

Veio despertar-me!

Vem acordar-me!

…………………………………….

Eu vou morrer...

E não consigo desprender

dos meus desejos,

as rosas encarnadas,

que morrem esfarrapadas,

na fúria dos meus beijos!

Junho - Madrugada - Céu em Fogo 1922

Judite Teixeira representa um caso singular na história literária em Portugal não só pelo escândalo suscitado aquando a condenação e apreensão da sua coletânea poética de 1923, "Decadência", mas também pelo injusto esquecimento da sua contribuição literária, especialmente no discurso modernista das letras portuguesas. No entanto, como observou um dos poucos críticos que soube avaliar objetivamente a sua escrita - o poeta António Manuel Couto Viana - Judite Teixeira poderia ser considerada, dentre as escritoras portuguesas, a "única poetisa modernista". Para além de revisitar este momento crítico da escrita feminina - de particular relevância histórica nos estudos sobre a mulher em Portugal este ensaio tentará reavaliar a sua contribuição literária, não só no contexto da sociedade portuguesa, mas também no contexto mais amplo do despertar do mundo moderno.
René P. Garay

Fontes:

http://www.arlindo-correia.com/220705.html

http://elestablodepegaso.blogspot.com/2008/10/normal-0-21-false-false-false.html

http://www2.fcsh.unl.pt/facesdeeva/eva_arquivo/revista_5/eva_arquivo_numero5_c.html

 

 

 

 




 



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