Joaquim Carvalho

Para onde vamos servilmente?

Hoje,

 

travestido de fingido aço,

vai Portugal estiolando,

à mingua do ambicionado espaço

onde o Quinto Império seria voz —

 

cativos de falsas verdades

respiramos ar pesado que nos afunda

entre paredes sólidas de solidão;

 

opulentos no servir servidão densa de medo,

esvaídos das vontades naturais dos sentidos

somos parcos em oposição ao degredo:

— se sentimentos positivos em nós se arrimam

prestes se diluem em alinhado desalento;

 

incumpridos na conjuntiva arte de sermos flama

ficam por acender mil impérios de luz:

— pensamentos opacos cerram-nos os olhos,

 vagueamos vazios de policromas visões solares;

 

escravos sem mestria para o não sermos,

esquecidos das essências que potenciaram vitórias em terras adversas

ou sob tenebrosas vagas de desconhecidos mares,

ancoramos onde todos os invernos do nosso universo colectivo se cruzam:

— conduzidos por poderes obscuros exteriores a nós,

cegamente flagelados em nome de profetizadas benesses,

nada vislumbramos que não seja incerto.

 

Como pôr fim aos dias fechados na noite?  Como?

Como reacender, em cada um de nós, luz dissipadora de todas as espécies de nevoeiro?

Como cumprir-nos em todos os espaços,

tecidos de alma e tempo como dever primeiro?

Pelo muito menos que o vazio dói, vale mentir assim…

Que lindo está o jardim!… Sem vida de repente!... 

Que lindo está o jardim!... Sem flores!… Sem gente!... 

Que lindo está o jardim!... Sem relva para pisar!...

 

Que lindo está o jardim!...

Sem novas plantas a crescer!...

Sem crianças a brincar!...

 

Que lindo está o jardim!… completamente descurado!... 

Que lindo está o jardim!... Sem árvores para cuidar!...

 

Que lindo está o jardim!...                

Deserto!...         

Despovoado!...

 

II  

Num país desgovernado, espoliado da verdade e do que é certo,

pelo vazio que cresce em mim

dói menos expressar o oposto do que creio e gosto…

 

 Por isso, sangrando a tristeza, insisto...

─ Que lindo está o jardim, completamente abandonado!

 

Pelo muito menos que o vazio dói, vale mentir assim!...

JOAQUIM CARVALHO | CURRICULUM .  

Licenciado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, Lisboa, e licenciado em Química, Ramo de Formação Educacional, pela Faculdade de Ciências de Lisboa. Frequentou as Oficinas de Pintura e Desenho do Ar.Co, Lisboa, em 1987/1988. Curso de Serigrafia organizado pela Câmara Municipal de Oeiras, em 1989. 

LIVROS DE POESIA E PINTURA

Onde os Rios Nascem (poesia e pintura), 2007

Recuperar a Claridade (poesia e pintura), 2008

Um Olhar sobre Mensagem de Fernando Pessoa (pintura), 2009

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

1989  Palácio Anjos, Algés;

1990  Junta de Turismo da Costa do Sol, Estoril | Galeria Sabugal, Lisboa

          Galeria Alfamixta, Lisboa;

1991  Galeria da Biblioteca Nacional e do Livro, Lisboa;

1992  Union Hill Arts Gallery, Kansas City – Missouri, E.U.A. ;

1994  Galeria da Biblioteca Nacional e do Livro, Lisboa;

1995  Museu Municipal, Figueira da Foz;

1997  Museu de Aveiro, Aveiro;

1998  Casa do Marquês, Algés;

1999  Sala Damião de Góis, Bruxelas;

2001  Museu da electricidade – Central Tejo, Lisboa;

2004  Banco de Portugal, Lisboa;

2005  Museu da Água – Casa do Registo, Lisboa | Fava Rica, Baiona, Espanha

          Banco de Portugal, Lisboa | Instituto Camões, Vigo, Espanha;

2006  Saint Michael and All Angels Episcopal Church, Kansas, E.U.A I Unity Temple on the  Plaza Kansas City – Missouri, E.U.A I Grace Episcopal Cathedral,Topeka, U.S.A. I Museu Provincial de Cáceres, Cáceres, Espanha;

2007  Museu Municipal de Sátão, Sátão; Fundação D. Luís I - Centro Cultural de Cascais, Cascais;

2008  Galeria Espaço Ponto e Vírgula, Torres Vedras I Galeria Brilho e Centelha, Paço de Arcos I Exposição na Comunidade Cultural Virtual na Second life;

2009  Biblioteca Municipal de Cascais - São Domingos de Rana I Galeria Verney       

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

1989  Salão da Primavera da Galeria de Arte do Casino do Estoril I Estoril I Salão de Verão, Arte 89 – S.N.B.A., LisboaI I Galeria Miron arte contemporânea Portuguesa, Lisboa I Salão de  pequeno Formato da Galeria de Arte do Casino do Estoril, Estoril;

1990  Exposição Evocativa do Centenário de Mário de Sá Carneiro na Galeria da Biblioteca Nacional e do Livro, Lisboa e Centro Gulbenkian, Paris;

1991  Trovas à Morte de Inês, Galeria Soctip, Lisboa; I Bienal de Arte, Sabugal;

1992  FIAP’92, Galeria 245, Porto;

1993  II Bienal de Arte, Sabugal;

1994  Como é Diferente o Amor em Portugal, Galeria da Biblioteca Nacional e do Livro, Lisboa;

1995  III Bienal de Arte, Sabugal;

1997  Exposição da ANAP, Museu de Aveiro, Aveiro; I Fórum da Cooperação e Solidariedade AMI, Lisboa;

1998  ANJE - Exposição ANAP;

1999  Percepções perante a Doença de Alzheimer I ANJE -Exposição ANAP;

2000  Eu dei 60 minutos para os próximos 1000 anos Museu da Àgua – Patriacal, Lisboa;

2001  Porto Capital Europeia da Cultura - Instalações da Real Companhia Velha , Vila Nova de Gaia;

2002  Exposição Interdistrital de Pintura Rotary Internacional, Braga I Exposição de Pintura, 93º Convenção R.I. Barcelona;

2003  Exposição e Leilão de Obras de Arte, Galeria de Arte da Câmara Municipal, Ílhavo I  Hotel D. Inês, Coimbra | 9º Bienal Internacional de Artes Plásticas, Vendas Novas | Os Poderes da Arte, Supremo Tribunal de Justiça,Lisboa | Galeria Perve, Lisboa;

2004  10º Exposição Internacional de Artes Plásticas, Vendas Novas;

2005  11º Exposição Internacional de Artes Plásticas, Vendas Novas

2006  Acervo Galeria Perve, Lisboa

2007  Galeria Ipanema Park, Porto I Instituto Politécnico de Viseu, Viseu, etc...

2009  Visão-120 anos depois, na galeria Malaposta, Lisboa.

 
 

 

 

 




 



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