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Carlos Garcia de Castro


PARA A MADEIRA

Rasgada a árvore, a fímbria é de veludo,
desde a raiz ao galho, o mais discreto.

Todo o machado, toda a serra cortam,
suor de seiva às ordens para as lareiras,
olhos dos montes, cadelinhas fixas,
fazem-se mochos para assentar as cruzes.

Os ossos se aliviam no buinho.

A mão do homem sofre, é dolorosa,
mas é precisa já a tábua erecta
para a cama e para as cadeiras, para a mesa
do pão que dá sossego – amor e sorte.
À boca dos caixões se traz farinha,
que é basto o lavrador na salgadeira,
tem os barrotes com fumeiro alado.
Pele inocente que a garlopa alisa
às linhas e às fissuras do graminho.
Formão e escopro, goivas, uma enxó,
as mãos se fazem de martírios ágeis
para os instintos de morrer na cama,
à beira das portadas, das janelas.
E ao lusco-fusco do fazer dos filhos,
a paridura os dá com seu destino
no berço que é redondo, pau de azinho.

– Eis o mistério das madeiras limpas.

 
 

 



 



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