ANTÓNIO BOTTO
AO ROMPER D'ALVA

A voz dos clarins límpida num timbre
Tinge a sombra e os ares
No vivo delíquo de um lume cantante.

Lenta e pegajosa, miudinha e fria,
A chuva - teimosa,
Cai soturnamente... - Pressente-se o dia!

E vão encharcados os pobres soldados!

Um sorriso? Um adeus?
- Ninguém se debruça
Para os ver passar
Na estrada silente...

Ninguém! Só os passos:
- Marchar sempre em frente!...

Calam-se os clarins.

Tudo no mundo tem a medida do homem.

O silêncio alastra
Na manhã que vem a romper.

Apenas -
O relinchar suavíssimo das botas
Na terra molhada.

Mais silêncio ainda.

- Rebentam as flores na luz da alvorada!

Canções

 

 

 




 



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