ANTÓNIO BOTTO
LUSÍADA

Caíram agora uns poucos.
Catorze? Mais? - Não sei bem...
É quase noite. De pé,
Fiquei eu só, mais ninguém.

Imponderável,
Surgiu a Lua no azul
Como caveira sinistra;
E nesta comparação -
Vai, afinal,
O vulgaríssimo defeito
De dar às coisas etéreas
Humana e triste feição.

A ambulância vem ao encontro dos feridos
- Dos que se arrastam mordidos
Pelo fogo da barragem.

E além, naquele olhar marejado
- Um formosíssimo corpo
De vinte e um anos, talvez,
Morre a doirada miragem de um amor...

É um soldado português.

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