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MISS PIMB
A TARTARUGA CARBONÁRIA

A sotôra Malvácea perdeu a cabeça, agora pediu-me que buscasse informações sobre as viagens secretas de umas tartarugas terrestres da América do Sul, que viu citadas para África: Geochelone carbonaria (Spix, 1824). Eu sempre ouvi dizer que espécies terrestres, de água doce e tal, não conseguem fazer esse tipo de migrações, transpondo oceanos, por isso, se são americanas e aparecem em África, ou vice-versa, é porque alguém as levou, e se alguém as levou, já se sabe: adeus, selecção natural, adeus, evolução! Essas espécies são fruto de selecção humana, não têm nada que ser estudadas à luz dos preconceitos darwinistas, sim à luz do conhecimento dos veterinários - que têm de curar os veados, os hipopótamos, os sardões, os cangurus, os chimpanzés, as sardaniscas, os salmões, as osgas, as cobras, as aranhas, etc., que as pessoas levam para as suas quintas nas Austrálias e ilhas de todas as Índias. Veterinária, pecuária ou qualquer outra ciência prática, de cultura, selecção e apuramento de raças de animais e plantas! Mas sabia lá eu onde e como fazer espionagem à tartaruga carbonária?! Mal refilei, a sotôra Malvácea erisipelou-se toda: Menina, pergunte aos seus Bons Primos! Não se dá tão bem com eles? Fiquei tão furiosa com a conversa que resolvi mesmo perguntar aos Bons Primos, mas não é que me baralhei toda com o nervoso? Em vez de mandar email, escrevi a direcção na barra de endereços, mas tornei a azuratar-me, e em vez de escrever http://www.carbonaria.org, escrevi http://www.carbonaria.com... Hehehe!!!..., e a onde fui eu parar, de certezinha guiada pelos duendes, gnomos e fadas da floresta? Juro por S. Teobaldo que isto é verdade, fui dar a uma quinta brasileira onde se criam, seleccionam e apuram raças dessas tartarugas, para vender! Vender para toda a parte do mundo, Ásia e Europa incluídas! Por S. João Baptista, se não acredita, dê lá um salto, é a Chelonian Farm of Santa Cruz, em Queimadas (Bahia). Se for a correr, até pode ser que ainda apanhe uma Geochelone carbonaria albina que lá está em saldo, ao preço da uva mijona - quarenta mil dólares!

 
Depois de conhecer a Quinta das Tartarugas de Santa Cruz, francamente, que dúvidas restam sobre as viagens da tartaruga carbonária entre África e América? O caso é igual ao dos cágados das risquinhas verdes e amarelas no pescoço, Chrysemys picta, primos e sobrinhas, que bem podem ser americanos, e mesmo da Flórida (1), mas que já estão aclimados em Portugal e Espanha, lá isso, estão! Fartam-se de viajar de avião entre os continentes todos, e depois ainda há quem queira enfiar-me o barrete da selecção natural!
 
Mas que selecção natural, por Idéefix?! O mundo inteiro é um jardim zoológico! E por que carga de água terá Spix dado o nome de carbonárias a estas tartarugas? Em 1824, data da descrição (2), já o Brasil era independente, mas a viagem de que resultaram os seus estudos verificou-se entre 1817 e 1820 (3). Ah, que terá ele andado realmente a fazer pelo Brasil, em época tão carvoeira, por S. João Baptista?, que por acaso é o nome de Spix? Dirá ele que chamou carbonaria às bichinhas por serem negras de carvão, e nota-se, não é verdade? Nota-se tanto que o nome vulgar delas, além de jabuti, é tartarugas de patas vermelhas! Ora adeus, essas tartarugas podem ser tudo, menos virgens e nativas como as índias que nunca viram à frente nem tiveram relações íntimas com os Bons Primos.'.!!!
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(1) PRITCHARD, P. C.H. (1967) - Living Turtles of the World. The Publications INC. Neptune City, NY. Foto de Chrysemys picta bellii.

(2) SPIX, J. B. de (1824) - Species novae Testudinum et Ranarum, quas in itinere per Brasiliam annis 1817-1820 jussu et auspiciis Maximiliani Josephi I. Bavariae Regis suscepto collegit et descripsit Dr. J. B. De Spix. Monachii. Fol. min. 53 S. u. 22 Taf.

(3) SPIX, Dr. Joh. Bapt. de & MARTIUS, Friedr. Phil. von (1828/-) - Reise in Brasilien (...) in den Jahren 1817 bis 1820. München, 1828, 3 vols.

   
   
   
   

 

 

 


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