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MISS PIMB
Terrorismo e Antropologia
 

A sotôra Malvácea anda a gozar com os alunos, agora quer um comentário a esse artigo aí em baixo (1), de que mostro as duas primeiras páginas, para se saber o que a Antropologia apresentou na Exposição do Mundo Português, em 1940, e eu sei lá o que foi apresentado? O artigo não diz ponta de corno do que foi apresentado! Fiz pesquisa no Google mas só me apareceu à frente um artigo que fala da Exposição de 1940, em linha no TriploV (2), e que por acaso tem uma falha, porque a autora pensava que o catálogo da Sala do Museu Bocage não estava assinado, e não está, e ela atribui a autoria ao director do Museu, Arthur Ricardo Jorge, ora no índice geral dos Arquivos do Museu Bocage, nº 27, de 1956, que é o volume de homenagem a Arthur Ricardo Jorge, vem lá especificado até que o autor não é só um, é uma dupla deles, e os dois assinam no índice geral os dois artigos não assinados: Arthur Ricardo Jorge e M.B. Barbosa Sueiro. A única coisa que eu sei dos pretos mostrados na Exposição do Mundo Português é o que conta às vezes a minha avó, que a foi ver, e diz que era muito grande e muito linda, e então havia lá umas choças com pretos de toda a parte, e um que era mesmo um pão, as senhoras faziam bicha para entrar na barraca em que o tinham metido, e a minha avó nessa altura ainda não era uma senhora, tinha a idade que eu tenho agora, e a ela não a queriam deixar entrar na barraca, ficou à porta, mas bem viu as senhoras rirem-se lá dentro, a palparem o preto todo, e que era o príncipe dos bijagós, mas eu sei lá se não seria um bubi ou um daqueles pretos pequeninos de Angola, como é que eles se chamam?, esqueci-me, tem a ver com bosque, Robin dos Bosques não pode ser, mas nunca se sabe, oh, bosquímano!, é isso. Eu sei lá que pretos eram aqueles, podiam até ser brancos pintados de preto, para saber era preciso que no artigo em que a sotôra Malvácea quer que eu diga que pretos eram aqueles viesse indicado que pretos eram aqueles, eu sempre ouvi dizer que os formulários servem para se escrever em cima deles, por exemplo, no boletim do bilhete de identidade está escrito "Nome", "Nascido em", "Filho de", etc., e à frente cada pessoa escreve o que lhe compete e entrega uma fotografia tipo passe, e então para eu poder comentar era preciso que esses boletins estivessem preenchidos, porque o que devia ter sido publicado era aquilo a que no texto corresponde a frase "a cada indígena, diz respeito um processo, constituído por 4 Boletins", onde é que já se viu uma revista científica publicar os modelos de formulário e não prestar contas das observações nem mostrar a imagem de cada espécime? Assim, não posso dizer coisíssima nenhuma, e além de não poder comentar até acredito que este artigo é tão terrorista como aquele em que Ricardo Jorge e Barbosa Sueiro discriminaram todas as espécies de bichos vulgaris de Lineu que o Museu Bocage apresentou na Exposição do Mundo Português (2), e olha só, um atentado desses não podia ser feito sem a cumplicidade dos cientistas todos, a começar pelo naturalista Henrique Galvão, que era o Director da Secção Colonial da Exposição, como bem se lê aí em baixo, eu sempre ouvi dizer que esse capitão assaltou um navio cheio de turistas, o S. João ou coisa assim, e se não era S. João era Santa Maria, tanto faz, importa é que o naturalista Henrique Galvão era um terrorista e Arthur Ricardo Jorge e Barbosa Sueiro não lhe ficavam atrás.

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Notas

(1) RICARDO JORGE, A. & BARBOSA SUEIRO, M.B. (1942) - Registo somatológico e somatométrico adoptado pelo Museu Bocage no estudo dos indígenas do Ultramar (Exposição do Mundo Português - Lisboa, 1940). Arquivos do Museu Bocage, XIII.

(2) RICARDO JORGE, A. & BARBOSA SUEIRO, M.B. (1942) - A Sala do Museu Bocage na Exposição do Mundo Português - Lisboa, 1940. Arquivos do Museu Bocage, XIII. Artigo de Maria Estela Guedes em linha no TriploV sobre a Sala do Museu Bocage na Exposição do Mundo Português.

 

 

 

 


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