Pe Carlos Duparquet,
iniciador da missão espiritana em Angola
Em 1852, o Bispo de Angola e Congo dispunha ao todo de cinco sacerdotes, quatro em Luanda e um em Benguela, para o serviço espiritual de tão vasta diocese. Assim o contava o próprio Bispo Moreira Reis a um missionário do Espírito Santo que, passando por Luanda, o fora cumprimentar.
O Pe. Schwindenhammer, Superior da Congregação do Espírito Santo submetia, em 1865, ao Cardeal Prefeito da Propaganda, um projecto de re-evangelização do Congo, acompanhado de um esplêndido relatório elaborado pelo Pe. Duparquet, missionário no Gabão. Em Setembro do ano seguinte, partia Duparquet para Lisboa, a caminho do Congo.
Em Lisboa encontrou-se com o Bispo de Angola e Congo D. José Lino de Oliveira que o encorajou, propondo-lhe um lugar no distrito de Moçâmedes, denominado Capangombe. A 17 de Dezembro de 1866 o missionário punha pé na terra dos seus sonhos, entrando em Capangombe, acolhido por simpatias de todos. Os primeiros meses da vida missionária em Moçâmedes aproveitou-os Duparquet para reconhecer a região. Dirigiu-se para o planalto da Chela e explorou-o com entusiasmo.
Quando tudo parecia favorecer o começo da organização é que principiava a tribulação e as dificuldades: o desacordo entre o Governo Português e a Santa Sé, quanto à presença de missionários estrangeiros em territórios dependentes do Real Padroado. Foi por isso que Duparquet resolveu ir a Lisboa ver se conseguia a legalidade da sua missão. Foi a caminho do reino que o missionário ruminou a ideia da organização da futura obra definitiva do Espírito Santo em domínios portugueses: era preciso que o desenvolvimento e a estabilização da obra missionária fosse feita por missionários portugueses.
Por sugestão do célebre lexicógrafo Roquete foi procurar em Santarém um edifício que servisse de internato a alguns jovens que quisessem ser missionários em Angola. No princípio do ano seguinte, a 25 de Outubro de 1869, chegava a Santarém, em vez do Pe. Duparquet, que tinha ido a França, o Dr. José Eigenenmann a tomar conta da província nascente. Duparquet conseguira que o deixassem livre e à disposição das Missões portuguesas em embrião.
Mas as questões relativas à missão do Congo e Angola ficavam empatadas oficialmente, apesar dos esforços supremos em Lisboa do P. Duparquet. Desalentado, este partia para Zanzibar, em fins de 1869. Regressaria ainda à Europa, para finalmente, em 9 de Setembro de 1873, aportar em Lândana-Cabinda, para fundar a primeira missão espiritana em Angola. Acompanhavam-no o P. Carrie e o Irmão Fortunato.
O P. Duparquet foi entretanto nomeado para o Cabo, na actual África do Sul. Fixa-se no Damaraland e funda a missão de Omaruru e depois parte para o Ovampo e chega ao Cuanhama. Do Cabo escreve ao ministro da Marinha de Lisboa um relatório circunstanciado do que era possível realizar no sul de Angola. Só em 1878 o Governo português autorizou o P. Duparquet e os missionários do Espírito Santo a trabalharem em Angola, com a condição de o superior ser cidadão português.
A 5 de Outubro de 1881 partia de Lisboa, a caminho da Huila, o primeiro grupo de missionários chefiado pelo P. José Maria Antunes e do qual fazia parte o P. Duparquet, nomeado Vice-Prefeito da Cimbebásia.
Depois de fundar as Missões de Humbe, S. Miguel do Cuanhama, Kakele e Mafeking, Duparquet é substituído pelo P. Schaller em 1887, e precisando de repouso, pedira para ir terminar os seus dias em Portugal. Mas regressou ainda a Àfrica, ao Congo Francês, onde morreu a 24 de Agosto de 1888, aos 58 anos de idade.
(Cf. P. Joaquim Alves Correia, in "Civilizando Angola e Congo") |