DICIONÁRIO
TRIPLOV
DE AUTORES

MIGUEL DE CERVANTES

Cervantes (Saavedra) (Miguel de) (1544-1616) - O mais célebre dos escritores espanhóis; autor do imortal D. Quixote de la Mancha. Nasceu em Alcalá de Henares (perto de Madrid) e foi soldado antes de ser grande escritor. Tendo tomado parte na gloriosa batalha de Lepanto (1571), onde perdeu o uso da mão esquerda, caiu, quando em 1575 regressava a Espanha, em poder dos piratas, que o retiveram por espaço de cinco anos. Conseguindo, afinal, resgatar-se, voltou à pátria, mas a carência absoluta de recursos obrigou-o a retomar a carreira das armas, que só mais tarde abandonou para se dedicar definitivamente à sua antiga paixão pela literatura. Em 1584 escreveu a pastoral em verso intitulada Galatéa, alcançando, depois, pôr em cêna umas vinte peças teatrais, entre as quais sobressairam A vida de Argel, recordação do seu cativeiro, e Numancia, tragédia antiga. O seu nome, porém, estava ainda muito longe da celebridade quando em 1605 publicou a primeira parte do D. Quixote, do qual em pouco tempo se venderam trinta mil exemplares. Só dez anos mais tarde vinha, contudo, Cervantes a concluir essa obra-prima da literatura espanhola que, traduzida em tôdas as linguas europeias, lhe criou ràpidamente universal reputação. O D. Quixote é a mais genial sátira até hoje concebida contra os romances de cavalaria e a mais fiel pintura da vida da Espanha de então. E sendo o maior livro da sua literatura é, ao mesmo tempo, aquele que mais zomba de todos os autores de livros espanhóis. Mas tudo nessa obra está escrito sem a mais leve acrimónia e em um estilo que é do melhor da literatura do seu país. Cervantes deixou ainda, entre outros trabalhos, as Novelas exemplares (1612), colecção de contos de grande finura de observação, que só por si já lhe daria direito a ocupar lugar de destaque nas letras nacionais; Viagem ao Parnaso (1614), revista dos poetas do tempo; Persiles e Segismunda (1617), romance cheio de excentricidades, e comédias várias, entre as quais se destacam: O labirinto de amor, O valente espanhol, A comédia divertida e O juiz dos divórcios.

CERVANTES
No TriploV

Dicionário Universal de Literatura,
de Henrique Perdigão.
1ª ed., 1934, Porto

 
 
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