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LIVRE PENSAR
Do ponto mais Oriental das Américas
- João Pessoa - Paraíba - Brasil
Número 623 - 22 de fevereiro de 2005
Continuamos homenageando o Poeta paraibano Lúcio Lins. Ivg

Fala do quarto náufrago:



perdoai

Senhor

por minhas

vergonhas despidas


deixei as minhas

vestes

junto com a alma

estendidas

no varal imaginário

que dividiu o mundo

em duas vontades

e vos trago

terras e pedras

de uma terceira metade


vos trago mais

Senhor

mais que terras

mais que pedras


vos trago

as perdas preciosas



Fala do quinto náufrago:



sou eu

Senhor

mais um

dentre tantos

que descobriu mundos

e outras falas

para as páginas úmidas

de vossa história


mais um

dentre tantos

que descobrindo terras

se descobriu náufrago

em seus dois terços de mar


Senhor

a superfície

é a vaidade da terra

são pedras

são falas

(aglomeração de gente e pó)

e vos convido

ao mar


ao mar

Senhor

ao mar

(o cais é mais

que aguardar regressos

e temos que ir

além daquela laje azul

beber das águas incriadas)



Fala do sexto náufrago:



o mar

Senhor

é de águas muitas

e infindo

mas toda superfície

é longe

e longe

do mar de dentro


aos olhos

dos faróis

toda distância azul

é finita

e finda o mar

sem que bebamos

das distantes águas

que no coração

fazem dilúvio e sede


Senhor

longe somos nós

quando velejamos sonhos

(o vôo da gaivota

nos é pouso

e o mar

se faz bebedouro

de nossos pássaros)




 

Essa coluna é editada por Ivaldo Gomes e colaboradores. ivg@terra.com.br

 "navegarei
entre teus braços
e segredos
eu
serei teu búzio
tu
serás o meu degredo".


Lúcio Lins
(última estrofe do poema Duas Margens)

 

 




 



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