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LIVRE PENSAR
Do ponto mais Oriental das Américas
- João Pessoa - Paraíba - Brasil
Número 619 - 5 de fevereiro de 2005

 

NINHO VAZIO

Nos primeiros versículos do livro bíblico do Eclesiastes, lê-se que há tempo para tudo. Tempo de semeadura. Tempo de floração. Tempo de seca. Tempo de chuvas abundantes.

  No ciclo do matrimônio igualmente existe o período inicial da adaptação, das descobertas do outro, da vinda dos filhos.

  Tempo de noites mal-dormidas. De fraldas e mamadeiras. Tempo de garotos na escola, de lições, da universidade. Dias inquietantes dos namoricos, dos vôos mais distantes dos filhos ainda jovens.

  Finalmente, chega o tempo em que o casal se descobre com o ninho vazio.

  Não mais as vozes dos jovens a dizer: "Olá, cheguei! Oi, velho! Oi, mãe!"

  Não mais os sons dos aparelhos eletrônicos, as risadas, os pés sobre o sofá da sala, a linha telefônica sempre ocupada.

  De repente, como aves migratórias, os filhos se vão. Vão para a formação dos seus próprios lares e consolidação das suas carreiras profissionais.

  Quando se descobrem a sós, muitas vezes, os cônjuges passam a se desarmonizar. Agora, com tempo dilatado, podem olhar mais detidamente um ao outro, descobrindo imperfeições e defeitos.

  As separações ocorrem com freqüência nesse ciclo. A vitalidade do casamento fica enfraquecida, surgem os desentendimentos, e o casal entra em crise.

  É uma fase que exige sabedoria.

  O salmista David, traduzindo as necessidades especiais assim se expressa: "não me rejeites no tempo da velhice. Não me desampares, quando se for acabando a minha força. Agora também, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares."

  É justamente quando se necessita mais do outro que a criatividade há que ser acionada, para tornar o espaço do ninho vazio uma ventura. É o momento de aprofundar o relacionamento conjugal. Retomar os verdes dias do namoro, redescobrindo o prazer do calor de um aconchego mais demorado.

  Deter-se a olhar um ao outro, recordando quando, exatamente, os cabelos começaram a ficar prateados.

  Relembrar as lutas intensas, cujos traços estão impressos nas faces de ambos. Utilizar o tempo na leitura nobre, trocando impressões, discutindo panoramas e vivências. Idealizar juntos, novas metas.

  Tornar a usufruir o sabor das manhãs claras, no passeio de mãos dadas, no bosque próximo.

  Saborear juntos pequenos detalhes: a ida à pizzaria, os diálogos sem pressa, o concerto, o cinema, o teatro. Enfim, é imprescindível que os cônjuges estabeleçam prioridades.

  E o matrimônio é prioritário. Tudo que venha deteriorar o equilíbrio conjugal, deve ser eliminado. Desenvolver amizade e companheirismo entre si.

O tempo e os interesses compartilhados conferem segurança e alegria e espantam a rotina. 

  Quando te surpreendas demasiadamente crítico, para com a criatura que contigo compartilhou dores e alegrias de uma vida; que contigo ombreou nas dificuldades mais amargas; a criatura à qual entregaste o corpo e a alma, pára um pouco!

  Pensa em tudo que juntos idealizaram e construíram. Recorda os primeiros dias. Pensa em quantas vezes foi aquele o ombro amigo em que te apoiaste e choraste.

  Pensa em quantas vezes os abraços, os apertos de mão, uma doce carícia te fizeram adquirir forças para os embates do mundo.

  Deixa-te penetrar pela ternura das lembranças e então, olha o teu par e ama-o um tanto mais, enquanto prossigas no caminho com ele.

Fonte:  www.momento.com.br 
   

 

Essa coluna é editada por Ivaldo Gomes e colaboradores. ivg@terra.com.br

"Felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho
que percorremos para encontrá-la."

  Autor Desconhecido

 

 




 



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