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Edvard Munch A Dança da Vida 1899-1900 |
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nem soubessem o que lhes havia acontecido: Quando a Estrela cintilou, foi dentro, embora sendo também no Céu, no Quero dizer: ver, Vendo
ah aqueles dois, Aqui. Fossem um homem e uma mulher, uma mulher e um homem, ou Aves, Ela com suas penas de Cor, ele com suas penas Sem cor fossem eles talvez peixes, ou insetos De todos os modos, de ser. Daquela maneira sendo o Masculino o Feminino, Vocês sabem como somos, sendo. tantas vezes tarde demais. tarde demais embora parecendo. - Tarde demais, ela dizendo.
Foi como foi dito, e acima está escrito. E mais acima Acima
Passaram os dias.
Ah, aqueles dois. Aqui. Mas as suas lágrimas misturadas ao sangue mancharam o Centro muito Alvo do seu Peito. E Ele, se perguntando, olhasse o seu peito manchado na claridade do Lago - Qual é o Lugar do Perdão? E só a voz do vento, suavemente passando sobre a água não lhe dizendo nada, ou já isso a Resposta
aqueles dois, ah
Não fosse Ele ficar todo escuro, se Ela fizesse novamente aquilo. aqueles dois. Com mãos.
Na Noite as mãos deles se conheciam em Sonhos. e o Vento, nas águas do lago. Suavemente Silêncio. Silêncio. Amanhecia. Quantos dias houvessem passado desde a primeira vez. Pois a segunda vez veio. Para ela não fosse o Rosto, aquilo. Só um rosto que se tem na face e para nada? Não recontar o já contado. Porque nem sempre basta ser a Testemunha. Agora, Despertou como um animal, uivasse. E o seu Grito foi se misturar à voz do Vento passando sobre o Lago, em silêncio Então, silêncio e Som. E diz-se disso: Rugido de Dor. E Espanto.
Quando amanheceu, saiu da casa para iluminar seu peito mais escuro sob o sol. Tentasse daquela Luz recuperar a Alvura, mas quando a nova Noite, o peito escureceu mais ainda, sem luz. O Centro Escuro, escurecendo.
E no novo amanhecer, novamente tentasse: a Brancura perdida, sob o Sol. não entendendo que a Luz só usasse o Sol para se manifestar, visível, e não sabendo ver a Luz em si, e pensando que era o Fogo do Sol que acendia aquela Luz, como pudesse então restaurar a Brancura? foi dormir, mas não adormecia mais aquele peito, que pulsava, no Escuro,
Aqueles dois. Ele, Ela Jamais teria havido um Nós não separando aqueles 2?
E a Luz também escurecendo no fundo dos Seus Olhos
Pois, antes, sim teria havido um Nós o 1 o nÓ
tendo pousado neles e os atado. Um ao outro, atados. Não para sempre?
Deixem eu lhes contar como se deu. que havia vindo. E Onde o Perdão? Qual seu Lugar agora no Escuro que crescia entre aqueles dois, ah aqueles dois, ele ela eles
Estavam As Lentidões que nos preparam para as Dádivas. - Sabem?
e na lentidão do Lago, as águas passando lá, mas não, como depois passariam nos olhos dele, e dela, como verão porque ainda não havia vindo o tempo das Lágrimas
Então, do Céu desceu uma Luz, subitamente que mergulhou seus Olhos na vastidão profunda do Céu E neles se instalou,
Como em todos nós, havendo olhos sem luz, no mais atrás dos olhos mesmo que por fora se olhe e se veja e se diga: como em todos nós, neles, também, uns olhos, por trás dos olhos, numa penumbra, e sem Luz.
Mas aquela Luz, do Céu, e aquela Luz, descendo, Céu abaixo seus olhos - Cintilaram. Ah. o aMor: a Miragem de Cinzas Se viram como não se vendo. Vocês sabem como é Sabem?
E o Nós veio para aqueles dois e 1+1=1. oh, a Graça recebida Com esses Olhos se viram longamente, profundamente. Como saberiam como é, se vocês fossem O Todo Encanto
Se esqueceram seus nomes, pois havendo se tornado o aMor o noMe aMor, mas já Sem Nome.
E ela se tornou o Seu Nome dele, e ele o Seu Nome Dela. E assim, agora os Inomináveis, Toda palavra abolida, vã. E os dias passassem, por eles, sem passar E a Água no Lago, passando. Mas o Lago não se movia do Lugar. Enquanto, neles, algo Oh algo se Movia. o Vão. Vindo
Fosse o que aquele movimento, que no início não se percebia, e aos poucos já se pressentia, e aos poucos velozmente já saía por seus olhos - a Luz dos Céus, doada, a Doada, a eles, fugindo? e É em nós. O Certo é que um dia, nela, e nele o sangue. A coagulação se dando, a Cicatriz o Peito Escurecendo. E onde,
Fosse o Animal despertando, neles vindo à tona, novamente, A Doada, ah Há esses dois, agora
Lá as Testemunhas da Tristeza.
A Casa fica perto do lago. Mas agora tão longe
Entre a Casa e o Lago se instalou uma presença escura, Diz-se: a Vida, quando se torna Pedra sem Luz. Como se o Sol houvesse morrido até para o Fogo, que é seu Dom de iluminar incêndios
A Pedra Escura a Presença Negra, agora.
Nem vissem aquela Pedra, noturna, assim instalada entre seus olhos e a impossível visão dos seus Rostos no Espelho, diz-se: de Água, Já nem vissem.
Depois vieram os dias em que, tendo rasgado mais uma vez mais vez a carne do seu Rosto, vieram os dias das Quedas das unhas e se ela rasgava a carne e o peito dele, a Mancha no Centro se ampliando, mais se enegrecia - as unhas dela caíam. Ficavam ali, por ali, espalhadas pela terra, aos pés dele, se afogando em lágrimas, em sangue. E ele se curvava como quem está sofrendo, apanhava as unhas, Colhia. Uma a uma,
Recolocava as unhas, uma a uma. Os dias passavam, agora Passando, e para sempre, para eles, esses dias que nunca mais retornassem Dia e Noite toda a vida escura para ela e ele, agora
E outro dia vindo,
Caíam, as unhas, após a carne, ferida, rasgada, o Sangue, a Coagulação, a Cicatriz se formando, embranquecendo outra vez, no Peito a Mancha cada vez mais negra: a Negra
E onde, Onde?
Houvesse nele um Sentimento de Estrelas,
pois depressa deu para colher as unhas com gestos não de semeador mas de colhedor de Sementes, Em vez, colhidas as Sementes Unhas, o Gentil ah Suavemente Pretendesse assim transformar aquelas Unhas de Dores em Lã de Ternura? Convertê-las? pretendesse pretendesse pretendesse
lá, está lá o Lago, que não se move, Testemunhando isso: o Pretendesse, dele, renovando o Pretendente dela
pois queria, e como ele queria achar, com suas mãos em Sonhos, o Lugar, o Espelho perdido, no seu Peito Enegrecido, do Perdão
Fim de Aqueles dois, Ali: Ele
e agora leiam este Tecido de Palavras não como Antes foi tecido, Desteçam: e releiam, imaginem, invertendo as Mãos que Afagam & Apedrejam Leiam, agora, Assim: tarde demais embora parecendo.
Mas as lágrimas logo vieram, seguindo o mesmo caminho do sangue. E, gota a gota, lágrimaSSangue, umas serpentes, deslizando, jorrando para a terra, sobre a Terra, aos seus pés. - Tarde demais, ele dizendo.
Foi como foi dito, e acima está escrito. E mais acima Acima pois quem poderia se manter encoberto Face ao que, a cada vez, nunca declina?
- a Luz dos Céus, doada, a Doada, a eles, fugindo? e É em nós.
Há esses dois,
Lá, Aqui as Testemunhas % e se Tu lesses, em Ti, agora Uno, nem masculino nem feminino, este Tecido de Palavras antes dele ter sido tecido com Unhas pela primeira vez? Relesses, Agora assim: # tarde demais Fim de Aqueles dois, Ali A viagem a Andara não tem fim |
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Vicente Franz Cecim é o autor de Viagem a Andara O livro invisível, título geral de sua obra que contém os livros visíveis: A asa e a serpente, Cejup, 2ª. edição, Belém, 2004/Terra da sombra e do não, Cejup, 2ª. edição, Belém, 2004/Silencioso como o Paraíso, Iluminuras, São Paulo, 1995/K O escuro da semente, Ver o Verso, Lisboa, 2005./Ó Serdespanto, Bertrand Brasil, Rio, 2006/oÓ: Desnutrir a pedra, Tessitura, Belo Horizonte, 2008. |
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