Traduções de
NICOLAU SAIÃO

Rapsódia LATINA em tom maior

8. Ovalle Lopez ( Salcajá, 1928 – Ciudad de Guatemala, 1970 ) :
Madrigal de Símbolos

I

As minhas mãos são de milho. E nelas mora

um hálito terrestre

e os segredos da argila aí palpitam

co’a humidade dos peixes vegetais.

 

E a minha fronte é de milho. E sonho a paz

do sulco verdejante e iluminado

coroado pelas canas verticais

linear templo de açúcar e de febre.

 

E é de milho o meu cérebro. Eu penso com as veias

acústicas e fortes

como um ressuscitado intemporal

que nos cravos escondera a sua voz.

 

E eis de milho os meus lábios. Cantando sem

a fria corola da morte

anunciando os voos da farinha

com uma suave e rústica serenidade.

 

E os sonhos são de milho, os que em mim vivem:

homem de antanho, de agora, homem de sempre

no único atavismo que floresce

- milho de amor, sustento das nascentes.

II

Ninguém irá negar que o rouxinol

na garganta possui do milho a luz

 

E que a estrela nocturna e silenciosa

tem asas no olhar que milho são

 

E que no rio, no mar e no oceano

sal e milho nas águas se casaram

 

Que com milho semeou Rubén Dário

a ardente papoila em Nicarágua

 

Que como ferido caule se quebrou

o milho da Espanha – Garcia Lorca

 

E que em homens de milho se constrói

a pátria espiritual da Guatemala.

 

Oh salve! milho amável, pão da América

refúgio e catedral da esperança!

 

 

 

 


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