NICOLAU SAIÃO

Poesia e Sociedade – dois aspectos complementares*

O homem é perecível; pode ser. Mas pereçamos resistindo
e se, ao fim, o que nos está reservado é o vazio e o nada,
façamos com que isso seja uma injustiça.”
Étienne de Senancour

INDEX

I - Introdução
II. O artista e a fascinação do mundo
III. A recriação da natureza

POEMAS LIDOS NA OCASIÃO
- Encontro em Paris
- Variações para um amigo que me endereçou um repto
- Fala do pastor no dia seguinte 
-
Genealogia
- Primeiro poema de Samyaza

Primeiro poema de Samyaza

a José Carlos Breia

Na parede já velha leves riscos, duas

ou três manchas vagas, um vestígio

de memórias de insectos de retratos.

 

Um pretexto, afinal, para que vivam

recordações saídas de outros mundos

como a vontade súbita de erguer

a mão que nos fascina, uma palavra

desprendida, temível, solitária.

 

Como um olhar seguindo

o nível do horizonte, quando à tarde

os pássaros se despedem para sempre.

Qualquer coisa esquecida

plena de movimento ou de amargura.

 

Como o fogo ou a água

num poema de outrora

alheio ou por escrever

 

Nos outros reinos ausentes

num pensamento vago

 

ou num papel perdido.

 

*(Intervenção de NS na sessão levada a efeito no “Ateneo Cultural” de Badajoz)

 
 

 

 

 

 

 

 


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