MÁRIO MONTAUT

REFERENDO DEUS DEVOTO

O sangue de Cristo foi vertido em luxúria...Dividir com as palavras o santo egoísmo desta sensação...Meus olhos verdes em carga de insuportável brilho...Depois eu penso nas palavras...Deixe-me partilhar a cruz e seus privilégios, sortilégios...a dor de estar no mundo é muito plena para não ser gozo...Sinto, neste banco de metrô...as mãos e pés perfurados...Desculpem, mas a chaga é doce...músculos, tendões vibrando todos...eu de flores, orvalhando nervos que se adoçam...meus tentáculos de amor o roçam...aliviam o trabalho dos teus olhos, mãos e óculos de oficina...e apalpam, giram, luzem, tocam nos lábios dela, e da outra...calafrios de orvalhos que suei...doce incompreensão de saber-me Deus...num simples vagão que se expande até a Estrada da Gávea, parado entre duas estações...numa das múltiplas escuridões de Eliot...minh'alma se expande elixir de carne...dói demais viver...o martírio e suas luzes...passageiras, neste vão do Trianon, umas de saia, botas de couro, piercings nos mais ocultos lagos que lhe fervem ninfa, ao culto do meu olho de fogo...orelhas, e brinco no mais profundo olho...sou Cristo e agora ando no Conjunto Nacional...Já sinto os medos de saber um mundo tão elétrico...morrendo entre bombas, suspiros...e um referendo Deus devoto.

MÁRIO MONTAUT é brasileiro, paulistano, de ascendência italiana, espanhola, indígena, moura, francesa e outras. Desenvolve uma sequência de composições que vêm à luz, já em dois trabalhos: "Bela Humana Raça", Dabliú, 1999, e "Mário Montaut: Samba De Alvrakélia", a sair nos próximos dias pelo selo MBBmusic. São muitos anos de vivências artísticas, num panorama que inclui Dorival Caymmi, René Magritte, Manoel De Barros, João Cabral De Melo Neto, Borges, Chico, Caetano, Gil, Dalí, Fellini, Buñuel, Webern, Cartola, Breton, Blavatsky e muitos amores mais, indispensáveis à sua criação, que abarca, além das canções, poemas, textos, roteiros e outras coisas interessantes. Mário Montaut é basicamente um parceiro de todos os seus contemporâneos e ascendentes, humanos ou não, saibam eles ou não. Índios, Negros, Europeus, Sem-terra, Brisas, Baleias, Maremotos, Chuvas, Livros, Discos, Beijos e Trovões Em Todas As Roseiras. Atualmente grava um disco de parcerias suas com o poeta Floriano Martins, onde a talentosíssima intérprete Ana Lee canta grande parte do repertório. Mário Montaut é um pouco de tudo isso. E muito mais, com certeza, pode ser descoberto em seus discos lançados, em suas tantas canções já gravadas, poemas, textos, e múltiplos achados.    
 
   

 

 

 


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