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MÁRIO MONTAUT
ISTO É SÓ PARA VOCÊ
INDEX

Isto é só para você
Onda vermelha
Antes do divã
Acerca da solidão
Festa
Lúcido
Sancho
12 de Outubro
Mulher qualquer
Fresta de iguarias
Abrir-te, Vênus
Com muita fé no som

Festa

Nem de vinho a cospetélio;

Se flagro-me um último;

Doce, corpete, escarola

E um corpo de abril

Cheirando a ranho e sangue;

Vestígios da última briga;

A lua raiava em taças,

Copas e

1 corpo de vento,

Árvores do banquete

Em batons de tubo n´alguns bancos

Ajoelho-me e beijo

O chão dos meses;

O tempo em caracóis das músicas

Trompas ao ar livre

Sujo de jazz vermelho

As bolhas de orquestra que explode em meu nariz

Ásperas teclas na festa e

Dedos da mão suada

Um leque de afago e palmas

Ramalhetes do contentamento(aplausos)

É o que vedete arma um joelho

Beiços lambendo um pensamento tão distante

O tema central

O coração bate tranquilo, forte

Súbito, eis a música

E o dom de Eros nas conversas

Mulheres que jamais se despem

Musculaturas delgadas de tez branca bailarinam no terraço onde faz chope

E o frio nos ossos mais ocultos

Elementos disfarçados;

Toda festa é insociável;

As lareiras e capítulos à parte

Brindam chamas, desmembramentos, reenfatizações do acaso absoluto

Cosméticos da alma

Vassoura passada em migalhas

Enquadram assuntos fabulosos;

Dignos de serem cantados

Aos delfins(ou golfinhos) do mar morto

Açúcar no gelo

Disfarçando o ácido das salinas

Prósperas

Em frente ao quintal atrás do muro ante a praia

Ausente, como essa toalha

Dedilhei meus clarões

E alarmei mil melodias

Joviais ainda;

O enredo as comportava em samb´em´valsa

Turcas, venezianas, marroquinas,

E trinados búfalos dum peso esvoaçante

Não paquiderme esses assuntos

Abra a janela,

Quebre o vidro e glória:

A noturna onda encrispa a espuma que brilha

Serenata,

Solitária,

Encantada de tanta gente.

(Mário Montaut)

MÁRIO MONTAUT é brasileiro, paulistano, de ascendência italiana, espanhola, indígena, moura, francesa e outras. Desenvolve uma sequência de composições que vêm à luz, já em dois trabalhos: "Bela Humana Raça", Dabliú, 1999, e "Mário Montaut: Samba De Alvrakélia", a sair nos próximos dias pelo selo MBBmusic. São muitos anos de vivências artísticas, num panorama que inclui Dorival Caymmi, René Magritte, Manoel De Barros, João Cabral De Melo Neto, Borges, Chico, Caetano, Gil, Dalí, Fellini, Buñuel, Webern, Cartola, Breton, Blavatsky e muitos amores mais, indispensáveis à sua criação, que abarca, além das canções, poemas, textos, roteiros e outras coisas interessantes. Mário Montaut é basicamente um parceiro de todos os seus contemporâneos e ascendentes, humanos ou não, saibam eles ou não. Índios, Negros, Europeus, Sem-terra, Brisas, Baleias, Maremotos, Chuvas, Livros, Discos, Beijos e Trovões Em Todas As Roseiras. Atualmente grava um disco de parcerias suas com o poeta Floriano Martins, onde a talentosíssima intérprete Ana Lee canta grande parte do repertório. Mário Montaut é um pouco de tudo isso. E muito mais, com certeza, pode ser descoberto em seus discos lançados, em suas tantas canções já gravadas, poemas, textos, e múltiplos achados.    
 
   
   

 

 

 


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