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MÁRIO MONTAUT..

All you need is love

“All you need is love”:
Em pleno desbunde do anjo terrível.

Com suas dimensões política, atemporal, estética, all you need is love revisita as fontes, as bacias romanas, as esculturas, e colhe “num belo olhar antigo a chama inconquistada”; não é meu caro Ezra? Labareda d´olho que rompe alguma nuvem e nos aquece em coral.
All you need is Love.
Os chafarizes corroboram toda a estatuária longeva de curioso repertório gestual, bem como as ruas e o castelo de Rilke cercado pela marcha estudantil de maio.
Love is all you need.
O veredito mais ditoso é o sol de sopros vitais numa propaganda.
Segredos de uma banda.
E o refrão de tamanha alegria é também puro deboche à contracultura já nas garras de metal.
Em pleno desbunde do anjo terrível.

Experiências Significantes

“Comunicar-se com Marte, conversar com espíritos,
Historiar a conduta do monstro marinho,
Traçar o horóscopo, aruspicar ou bisbilhotar o astral,
Observar anomalias grafológicas, evocar
Biografias pelas linhas da mão
Ou tragédias pelos dedos, lançar presságios
Através de sortilégios, ou folhas de chá, adivinhar o inevitável
Com cartas de baralho, embaralhar pentagramas
Ou ácidos barbitúricos, ou dissecar
A trôpega imagem dos terrores pré-conscientes
- Sondar o fundo, a tumba, ou os sonhos: tais coisas são apenas
Passatempos e drogas usuais, ou manchetes de imprensa:
E sempre os serão, sobretudo alguns deles,
Quando há nações em perigo e perplexidade
Seja nas costas da Ásia, seja na Edgware Road.”

Mas me parece, Eliot, que a palavra é mais que infinito sentido na Misteriosa Ordem da Beleza.
Em “A Voz do Silêncio” Blavatsty também nos adverte com escritos védicos: “Se queres atravessar seguro a primeira Sala, não tomes os fogos da luxúria que ali ardem pela luz do Sol da vida...Se queres atravessar seguro a segunda Sala, não te detenhas a aspirar o aroma de suas narcóticas flores...Os sábios não se detêm nas regiões deleitosas dos sentidos...Os sábios não dão ouvidos às melífluas vozes da ilusão.”
E exatamente nesses versos as palavras se nos abrem a experiências que transcendem toda a sabedoria das advertências.

“Bela idéia”: a Consolação da Filosofia

Antes da idéia a Bela, que avança, insinua, equaciona, que nos olha de gelo, que nos olha de serpentina, equânime, radical, que suporta o olho de Deus e as mãos brutais dos homens. Em meio a isso tudo Ela, que atiça, acalma, convulsiona, que nos olha de musa, que nos olha de louca, douta, voluptuosa, que extrai o riso nas mais circunspectas vertigens e nos mais graves recolhimentos. No tudo ou nada a Bela, que estaciona, assedia, fanfarrona, que nos olha de Vênus, que nos olha de Ísis, desnuda, comportada, em suas nuvens alegóricas pela via de outras naves, e que nos fala romântica, solene ou na ácida língua de seu desencanto: como não nos consolaria a que jamais nos livra de sua infalível beleza?

Jardim do idílio fértil

Entre a cabeça e a coroa: um rei de cera pilota com Ícaro Exultante a mais audaciosa das naves; a ser criada pelo esquecimento do sol no pão de lábios que confabulam.
O ímpeto no olho d´água sob a pedra esculturada inspira a nuvem de cinzel na musa de ontem e a jovem que enche o cântaro no blog da fonte.
Da semente ao êxtase das aves: junto à pétala d´árvore podada e o fio da espada inocente na mão da armadura temerária, o canto que margeia a procissão malvada e um rio de gente feliz.
No exílio de Pedro o sino em noite do galo e credo, amor, eu não desdenho nada: a rosa e a antena, a cruz e o arco-da-velha, o beijo e o trovão pela união de céu e terra ao jardim do idílio fértil.

Influência Beatle

Não basta dizer o quanto Apolo e Dionísio subitamente reencarnados em Lennon e McCartney chacoalharam os jovens coretos de idéias extemporâneas.
Que Help, The Fool on the Hill, Across the Universe, The Long and Winding Road, Let it Be, Penny Lane, Eleanor Rigby, Strawberry Fields Forever, Yesterday, Because, Here Comes The Sun dão sangue arcano puro céu.
Que a bossa de Beto, Milton e Lô reencontra Bach e Debussy numa insuspeita praia de Jobim.
Que o lampejo “Canalha” de Walter Franco arrebata platéias de festival num decalque de Lennon porque este é intransponível de outro modo; e que os fascínios musicais de Paul, da ordem do sol sobre cantos de domínio público, prosseguem no influxo tão propício como impalpável.
É pouco saber da mais lúcida vestal, da locomotiva arrancando faíscas do trilho eufórico, da falência da sisudez, do realejo a cumprir esquinas do riso e esquecimento, da delicadeza do embalsamado maestro, do cabaré em sua voltagem de fada, do renascimento das cornetas de feira, do relógio de bolso concordando com a rede de balanço e com os arrazoamentos marinheiros, dos quatro cavaleiros de pureza vária a romperem selos, espelhos e diques num fractal de oceano inédito.

MÁRIO MONTAUT é brasileiro, paulistano, de ascendência italiana, espanhola, indígena, moura, francesa e outras. Desenvolve uma sequência de composições que vêm à luz, já em dois trabalhos: "Bela Humana Raça", Dabliú, 1999, e "Mário Montaut: Samba De Alvrakélia", a sair nos próximos dias pelo selo MBBmusic. São muitos anos de vivências artísticas, num panorama que inclui Dorival Caymmi, René Magritte, Manoel De Barros, João Cabral De Melo Neto, Borges, Chico, Caetano, Gil, Dalí, Fellini, Buñuel, Webern, Cartola, Breton, Blavatsky e muitos amores mais, indispensáveis à sua criação, que abarca, além das canções, poemas, textos, roteiros e outras coisas interessantes. Mário Montaut é basicamente um parceiro de todos os seus contemporâneos e ascendentes, humanos ou não, saibam eles ou não. Índios, Negros, Europeus, Sem-terra, Brisas, Baleias, Maremotos, Chuvas, Livros, Discos, Beijos e Trovões Em Todas As Roseiras. Atualmente grava um disco de parcerias suas com o poeta Floriano Martins, onde a talentosíssima intérprete Ana Lee canta grande parte do repertório. Mário Montaut é um pouco de tudo isso. E muito mais, com certeza, pode ser descoberto em seus discos lançados, em suas tantas canções já gravadas, poemas, textos, e múltiplos achados.    

 
   
   

 

 

 


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