MÁRIO MONTAUT

CANÇÕES OCEÂNICAS

Ondíssima visão

Ouvi do mar

Sidérea

SIDÉREA

O violão parado

o relógio quebrou

um plano de muita saúde

a máquina do amor enamorada

atraiu a alma do raio

e a meiga Terra

nem sabe a que vem o mundo

almado já

destroços de todo movimento

e um fio hiperligado

cruza oceanos e nuvens

arrepios de nervosa satisfação

sacodem tanta gente em guerra

e até Indeus no fio plugado

despromete bíblias e harpas

alianças da fé renovada

auréolam o espaço livre de qualquer cabeça

mil elos de luz

para incrédulos olhos

desacreditam o técnico dedo do amoroso anel

céu

abismo

vândalo

mártir

nenhum sinal de cruz ou de moeda

nas trocas capitais de Sidérea

a estrela de tudo em movimento

um beijo

causou a aparição de Sidéreas

galáxia farta de camas e redes

mais de uma microlinha costurando os futuros núcleos de repouso

irmã pétala esquecendo a flor e o buquê

juntinha à folha voando ao ar que expiro

a poderosa inspiração nos desconforma

e cheios de secretos pudores reinauguramos engenhos híbridos de luz e música

os rabiscos da incerteza destecem matemáticos dramas

e a desfigurada cor no espelho ainda nos reza

Retemplos

Arbustos

Vidros

Sidérea

um pouco dei a ser de nossa brisa oceânica

o perpétuo movimento de uma vida sem descanso

saberemos o valor desta vigília

Rehumanos Diques contêm ansiedade de mais ver?

é noite

e cai a pálpebra na estrela que não dorme.

(Mário Montaut)
MÁRIO MONTAUT é brasileiro, paulistano, de ascendência italiana, espanhola, indígena, moura, francesa e outras. Desenvolve uma sequência de composições que vêm à luz, já em dois trabalhos: "Bela Humana Raça", Dabliú, 1999, e "Mário Montaut: Samba De Alvrakélia", a sair nos próximos dias pelo selo MBBmusic. São muitos anos de vivências artísticas, num panorama que inclui Dorival Caymmi, René Magritte, Manoel De Barros, João Cabral De Melo Neto, Borges, Chico, Caetano, Gil, Dalí, Fellini, Buñuel, Webern, Cartola, Breton, Blavatsky e muitos amores mais, indispensáveis à sua criação, que abarca, além das canções, poemas, textos, roteiros e outras coisas interessantes. Mário Montaut é basicamente um parceiro de todos os seus contemporâneos e ascendentes, humanos ou não, saibam eles ou não. Índios, Negros, Europeus, Sem-terra, Brisas, Baleias, Maremotos, Chuvas, Livros, Discos, Beijos e Trovões Em Todas As Roseiras. Atualmente grava um disco de parcerias suas com o poeta Floriano Martins, onde a talentosíssima intérprete Ana Lee canta grande parte do repertório. Mário Montaut é um pouco de tudo isso. E muito mais, com certeza, pode ser descoberto em seus discos lançados, em suas tantas canções já gravadas, poemas, textos, e múltiplos achados.    
 
   

 

 

 


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