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MÁRIO MONTAUT
HERBERTO HELDER
OU O POEMA CONTÍNUO

"Os braços apertam os pulmões das estrelas", em nítida verdade, e os sustos, anti-metafóricos por excelência, apenas a nossa Inconsciência de Ser. (O gênero humano não pode mesmo suportar tanta realidade, Eliot?) Há um bom tempo pressentimos o avanço dessas verdades poéticas, mas a nossa falta de método, de estilo, a nossa débil percepção do Progresso Real, leva-nos ao fim do mundo, dos desastres ecológicos à extinção da Terra.

Hermes, Vulcano, Gárgula, Rosa, Lorca, Dioniso, Pessoa, Rimbaud, Netuno, Estrela, Sangue, Leão: e já este Herberto Helder é uma forja, onde a mais rica forma de critério é o arrepio. Desmembramento corporal e sideral em múltiplos enxertos possíveis: Música- Imanência e Transcendência; Clair de Lune e Clair de Terre.

Nas Cantigas de Roda-Bruxa, o Super-Homem de Nietzsche é quase meigo,
olhando o rosto de Cristo Lisérgico num Templo de Dioniso. " Acima das jubas molhadas pelo sangue", o Leão de Judá não deixa Eliot mentir, e o Espírito Fino Das Pedras dói mais que todo apedrejamento ("Tem dias que basta olhar as gárgulas para vê-las golfando sangue": A PROVA DAS GÁRGULAS).

O jorro vital dessa poética inviabiliza certas apreensões cartesianas da obra; haveria, a razão, de elevar-se a uma Razão De Estrelas, que em seu rigor inabalável, permitisse o fluxo do pensamento em velocidades apenas concebíveis num sonho cabalístico. Tal Razão, que ordena, reordena esses versos e sempre se disfarça, já está louquinha para nos inspirar pequeninas abordagens, mas como há que se esperar muito ainda, o bom humor é fundamental: REIVINDICAÇÕES DA CABALA.

(Mário Montaut)

MÁRIO MONTAUT é brasileiro, paulistano, de ascendência italiana, espanhola, indígena, moura, francesa e outras. Desenvolve uma sequência de composições que vêm à luz, já em dois trabalhos: "Bela Humana Raça", Dabliú, 1999, e "Mário Montaut: Samba De Alvrakélia", a sair nos próximos dias pelo selo MBBmusic. São muitos anos de vivências artísticas, num panorama que inclui Dorival Caymmi, René Magritte, Manoel De Barros, João Cabral De Melo Neto, Borges, Chico, Caetano, Gil, Dalí, Fellini, Buñuel, Webern, Cartola, Breton, Blavatsky e muitos amores mais, indispensáveis à sua criação, que abarca, além das canções, poemas, textos, roteiros e outras coisas interessantes. Mário Montaut é basicamente um parceiro de todos os seus contemporâneos e ascendentes, humanos ou não, saibam eles ou não. Índios, Negros, Europeus, Sem-terra, Brisas, Baleias, Maremotos, Chuvas, Livros, Discos, Beijos e Trovões Em Todas As Roseiras. Atualmente grava um disco de parcerias suas com o poeta Floriano Martins, onde a talentosíssima intérprete Ana Lee canta grande parte do repertório. Mário Montaut é um pouco de tudo isso. E muito mais, com certeza, pode ser descoberto em seus discos lançados, em suas tantas canções já gravadas, poemas, textos, e múltiplos achados.    
 
   

 

 

 


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