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MARIA DO SAMEIRO BARROSO
POEMAS DO SILÊNCIO

INDEX

De que fala o silêncio?
Poema com desenhos de António Ramos Rosa
Os violinos e os nomes
Os pomos de Dioniso
As hipérboles da luz
Ciclos eternos
Os anéis da claridade
O corpo e os seus lugares
Os nenúfares de música

Os violinos e os nomes

«melody of probable violins dance»
e. e. cummings

 

As raízes do invisível descobriam-se, a criação

disseminava clareiras,

o fogo era uma escadaria dourada.

Pelos caminhos laterais, havia cinza, estrelas de água,

e a música era uma roseira que deflagrava.

 

Havia lâmpadas de água submersa, repassando o linho,

as orquídeas de sombra,

e as espirais abriam-se, colorindo os barcos, as sílabas,

os vestígios redondos.

 

A lua iniciava a sua conivência dúctil, a sua mecânica

voluptuosa e uma andorinha verde desenhava

um vergel no sono, uma azálea de seda,

no tumulto que desbravava

a noite líquida de turquesas ardentes.

Nas minhas mãos, havia rosas flutuantes e a luz

era a imensidão inventada,

aberta ao plasma desmembrado dos favos,

dos espelhos.

 

Os insectos da desordem evocavam leques de chamas

que refaziam a pedra, a luz, a eternidade;

os violinos e os nomes, com suas lâmpadas,

diluídas na música e no silêncio,

acolhiam a visão benigna dos pássaros

que descansavam sobre as águas,

indiferentes aos cones vulcânicos da noite,

dispersa no olhar (nas suas asas).

 

A vida era uma inerência abrupta, que sulcava

a língua, o fruto espesso, o tempo frágil,

entre astros, velas, torrentes, escarpas puras,

flores selvagens,

junto às fontes que refaziam as nebulosas

que dançavam,

.....................................na penumbra leve de secretas ramagens.

Interlúdios Poéticos/Poetic Interludes, Edição bilingue, Organização de
Maria Teresa Maia Carrilho, Universitária Editora, Lisboa, 2003

 




 



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