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MARIA DO SAMEIRO BARROSO
POEMAS DO SILÊNCIO

INDEX

De que fala o silêncio?
Poema com desenhos de António Ramos Rosa
Os violinos e os nomes
Os pomos de Dioniso
As hipérboles da luz
Ciclos eternos
Os anéis da claridade
O corpo e os seus lugares
Os nenúfares de música

O corpo e os seus lugares

Fermenta a mudança, a escrita, o feltro, os filtros e as atmosferas.

Fermenta a noite, errante, com os cabelos errantes errando,

os olhos narrativos,

o corpo desencadeando a forma e a matéria, os olhos fermentando

as linhas distorcidas, as fábricas e as atmosferas;

 

o corpo e os seus lugares registrando as formas de envolver

o sangue, os fluidos errando, enlaçados,

os ritmos loucos desatando o crânio, o peito e a duração dos meses.

 

Numa noite suave, os violoncelos na penumbra,

os joelhos nascendo, entre a luz e as teclas, os aulos e os clavicórdios.

Caldeiras. Morcegos bruxuleando.

Os joelhos errantes errando numa Hexenlied de Mendelssohn.

 

As arcas cindidas juntando as trovas e os cabelos, os joelhos

e o corpo, os versos e a minha biografia fundindo-se,

numa simbiose luminosa.

 

Por vezes, o corpo tem linhas, instantes,

lugares e neblinas no silêncio que anuncia o fogo,

numa atmosfera verde, sublimada, nos momentos parados,

e os poetas têm olhos fundos, onde o peito se evapora,

pelo líquen cego arrancado à convulsão dos dias,

pelas harpas que dizem o corpo e a sombra, um hálito de estrelas,

a luz errante

.............................e as umbelas límpidas,

................................................junto às umbreiras matinais.

Mealibra. Revista de Cultura, Centro Cultural do Alto Minho,
Viana do Castelo, Junho, 2001

 




 



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