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MARIA DO SAMEIRO BARROSO

FONTE DE SILVES

Nas torres verdes do olhar te vi, na noite clara do teu odor

te encontrei, na noite do teu silêncio ardi,

as algas doces dos teus olhos bebi.

Nas tuas canções, quem na melancolia sorri

de amor verdadeiro padece.

Quem nos rubis da noite se prende,

em seu manto de azul amanhece.

Nas janelas que deixas ver, há rouxinóis,

perfume e mágoa.

Nas tuas pedras, gahzal que de orvalho se cobre,

busca no mel sua água.

 

Para te cantar, há pouco, entre alaúdes claros,

de esmeraldas raras me vesti,

em tuas cascatas de luz me prendi,

Silves, princesa,

em tuas fontes, vivem as estrelas, as águas, os dias.

 

Há pouco, em teus castelos de ardor, o sol fulgia,

teus fulvos anéis me prendiam,

teus laranjais de volúpia me enlaçavam,

e as fontes mouras jorravam,

o vinho de Al Mu’tamid brotava.

 

No canto, havia garças, alaúdes, corcéis de lume,

onde a palavra era o secreto queixume

que, em diáfanas imagens,

 

teu cálido rumor transfigurava.

 
 

 




 



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