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MARIA DO SAMEIRO BARROSO
A harpa estrangulada do silêncio (1)

FRIEDRICH SCHILLER :
A DIGNIDADE DAS MULHERES

Honrai as mulheres! Elas entrançam e tecem

Rosas sublimes na vida terrena,

Entrançam do amor o venturoso laço

E, através do véu casto das Graças (2),

Alimentam, vigilantes, o fogo eterno

De sentimentos mais belos, com mão sagrada.

 

Nos limites eternos da Verdade, o homem

Vagueia sem cessar, na sua rebeldia,

Impelido por pensamentos inquietos,

Precipita-se no oceano da sua fantasia.

Com avidez agarra o longe,

Seu coração jamais conhece a calma,

Incessante, em estrelas distantes,

Busca a imagem do seu sonho.

 

Mas, com olhares de encanto e fascínio,

As mulheres chamam a si o fugitivo,

Trazendo-o a mais avisados caminhos.

Na mais modesta cabana materna

Foram deixadas, com modos mais brandos,

As filhas fiéis da Natureza piedosa.

 

Adverso é o esforço do homem,

Com força desmesurada,

Sem paragem nem descanso,

Atravessa o rebelde a sua vida.

Logo destrói tudo o que alcança;

Jamais termina o seu desejo de luta.

Jamais, como cabeça da Hidra,(3)

Eternamente cai e se renova.

 

Mas, felizes, entre mais calmos rumores,

Irrompem as mulheres, num instante de flores,

Propiciando zelo e cuidadoso amor,

Mais livres, no seu concertado agir,

Mais propensas que o homem à sabedoria

E ao círculo infindável da poesia.

 

Severo, orgulhoso, autárcico,

O peito frio do homem não conhece

Efusivo coração que a outro se ajuste,

Nem o amor, deleite dos deuses,

Das almas desconhece a permuta,

Às lágrimas não se entrega nunca,

A própria luta pela vida tempera

Com mais rudeza ainda a sua força.

 

Mas, como que tocada ao de leve pelo Zéfiro,

Célere, a harpa eólica estremece,

Tal é a alma sensível da mulher.

Com angustiada ternura, perante o sofrimento,

O seu seio amoroso vibra, nos seus olhos

Brilham pérolas de orvalho sublime.

 

Nos reinos do poder masculino,

Vence, por direito, a força,

Pela espada se impõe o cita

E escravo se torna o persa,

Esgrimem-se entre si, em fúria,

Ambições selvagens, rudes,

E a voz rouca de Éris (4) domina,

Quando a Cárite (5) se põe em fuga.

 

Porém, com modos brandos e persuasivos,

As mulheres conduzem o ceptro dos costumes,

Acalmam a discórdia que, raivosa, se inflama,

Às forças hostis que se odeiam

Ensinam a maneira de ser harmoniosa,

E reúnem o que no eterno se derrama.(6)

Tradução de Maria do Sameiro Barroso
A HARPA ESTRANGULADA DO SILÊNCIO

«E digo: elas cantam a minha vida.
essas mulheres estranguladas por uma beleza
incomparável.
Cantam a alegria de tudo, minha
alegria
por dentro da grande dor masculina.»
Herberto Helder (8)

 

Alguns vêem neste poema, um dos mais belos de Schiller, remetendo-o para as linhas mais líricas da sua poesia, sendo de notar que esta, não se reporta à vivência lírica, mas a uma linha filosófica em que o pathos sentimental se torna pouco exequível . O poema foi escrito, entre 27 e 28 de Agosto de 1795. A poesia mais notável de Schiller desta época era centrada em linhas abstractas, tendo sido amadurecida a sua linha filosófica (9).

Entre a escrita e a publicação da primeira versão, Schiller enviou aos seus amigos Körner e Wilhelm von Humboldt, pedindo-lhes uma crítica. Este último respondeu-lhe a 11 de Setembro, elogiando a capacidade poética de Schiller para transformar as coisas banais da vida do quotidiano em poesia, apontando a mestria rítmica conseguida: «O ritmo dos versos é escolhido da forma mais feliz possível e haverá poucos poemas como este, que assegurarão a sua acção com tanta eficácia.» (10).

Körner também reagiu com agrado ao poema, no qual a dureza fria e estéril do mundo masculino encontra a suavidade serena e o complemento emocional que o universo feminino lhe proporciona (11).

O poema reflecte as características da personalidade de Schiller. Goethe, quando ambos começaram a conviver em Weimar, em 1794, considerava Schiller demasiado idealista, apaixonado e extremo (12).

O poema reflecte também a preocupação com a família e a distribuição de papéis entre homens e mulheres, sentida na época. Após desintegração da sociedade aristocrática e feudal, ao longo do séc. XVIII, a burguesia emergente começou a organizar-se em novas formas de vida, nas quais a pequena família era a forma de organização central, que propiciava um espaço de protecção contra o despotismo feudal, ao mesmo tempo que tornava refúgio da sentimentalidade e virtude da sociedade burguesa (13).

Neste contexto, a distribuição dos papéis feminino e masculino era assunto de debate e controvérsia. Desde os finais do Barroco, tinham surgido vários artigos sobre este assunto. Em 1764, o filósofo Immanuel Kant escrevera um ensaio sobre o género: «Beobactungen über das Gefühl des Schönen und Erhabenen» («Observações sobre o sentimento do belo e do sublime»), no qual faz uma análise extensa e explícita do género, sobretudo na terceira parte do ensaio, intitulado «Da Distinção entre o belo e o sublime na inter-relação entre os dois sexos» («Von dem Unterschiede des Erhabenen und Schönen in dem Gegenverhältniss beider Geschlechter»)(14).

Neste mesmo ano em 1795, em que Schiller escreveu o poema «A dignidade das Mulheres» («Würde der Frauen»), Humboldt publicou um artigo, na Revista «As Horas» («Die Horen»), dirigida por Schiller, intitulado «Diferença Sexual e Sua Influência na Natureza orgânica» («Über den Gechlechtsunterschied und dessen Einfluß auf die organische Natur»), no qual defendia o ideal andrógino da complementaridade, definindo, porém, diferenças essenciais. O masculino seria todo o esforço desarmonioso, constituído por forma e energia produtiva; o feminino formaria o complemento harmonioso, constituída por matéria e receptividade envolvente. Assim, o masculino monopolizaria a produtividade. Humboldt continuava a tradição, iniciada por Rousseau, de enfatizar a igualdade abstracta, entre os dois sexos, preconizando papéis naturais diferentes para ambos (15).

Foi neste quadro de referências que Schiller escreveu este poema. Deste existem duas versões: i) a primeira, constituída por dezassete estrofes (16), foi escrita, entre 27 e 28 de Agosto de 1795 e publicada no Musen-Almanach für das Jahr 1796 (Almanaque das Musas do ano 1796). Em 1780, quando organizou a sua poesia completa, Schiller retirou-lhe oito estrofes, reduzindo-o a nove. Destas, cinco, compostas por seis versos (em versos de quatro pés, três dactílicos e um trocaico e rima aabccb), são dirigidas às mulheres; as outras seis, compostas por oito versos (de quatro pés, ritmo trocaico, e rima cruzada abacdc), são dirigidas aos homens (17).

Na primeira estrofe, o Poeta exorta os homens a prestarem homenagem às mulheres, pois é através delas que toda a vida flui, e só através delas é possível a harmonia dos costumes, a comunhão com o divino e a felicidade do amor. As actividades de fiar e tecer aludidas, bem como, cuidar da casa, preparar os alimentos, são funções femininas primordiais.

Para a caracterização das mulheres, Schiller recorre a arquétipos antigos e a figuras da mitologia greco-romana. As mulheres são comparadas às Cárites. Estas habitantes do Olimpo vivem na companhia das Musas, com as quais, por vezes, formam coros; fazem parte do séquito de Apolo, o deus músico (18), e simbolizam a mulher, na sua realização artística e espiritual. As mulheres são ainda mediadoras divinas. Zelam pelo fogo eterno e sagrado, tal como as sacerdotisas antigas. Geradoras de vida, são elas que acompanham os seres desde o nascimento à morte, tecendo mortalhas, entoando cânticos fúnebres ― nénias —, ao som dos sistros. São as mulheres que cuidam dos fracos, dos enfermos e sepultam os mortos (mesmo contra as leis vigentes, tal como Antígona).

Na segunda estrofe, é delineada com vigor a imagem do homem, conduzido pelas suas ambições intelectuais, medindo-se com as suas próprias forças, acreditando alcançar a felicidade, no longínquo, isto é, pela investigação, pelo esforço, pelo estudo, através do qual alcança o conhecimento. Subjacentes a esta procura estão os avanços do Racionalismo Iluminista. Schiller estava absolutamente a par das conquistas científicas do seu tempo. A sua formação médica, na Karl- Schule (1775-1780), e a figura de Albrecht von Haller(1708-1777) (19), que Schiller tomou como modelo, proporcionara-lhe a base para os seus conhecimentos médico-filosóficos, patentes nas suas dissertações de medicina (20). Na sua concepção, o verdadeiro Poeta deveria incorporar em si todos os avanços e conquistas do seu tempo (21).

Na terceira estrofe, as mulheres são apresentadas como mais sábias e mais equilibradas, porque se identificam com a harmonia primordial da Natureza, segundo o paradigma de Rousseau (22). São elas que atraem o homem para o mundo estável e feliz dos pequenos momentos da vida doméstica e quotidiana.

Na quarta estrofe, a caracterização do homem, no seu esforço desmesurado, sobe de tom, atingindo o paroxismo de destruir tudo quanto constrói, sublinhado pela comparação à Hidra de Lernos.

Na quinta estrofe, as mulheres, irrompendo de súbito, nos instantes de beleza, surgem, como contraponto emocional, a completar a esterilidade e a frieza do mundo masculino.

Na sexta estrofe, o homem, por si só, é apresentado sem capacidade nem aptidão para o amor nem para a vivência plena das emoções, aspecto fundamental para a ligação com o divino.

Na sétima estrofe, novamente em contraponto, a mulher surge, pronta a ser receptáculo de toda a emoção e sofrimento, que acolhe com ternura, alegrando-se com a felicidade, minorando o sofrimento. Nesta estrofe, o poema atinge o seu ponto de maior beleza. Na metáfora da harpa, a alma da mulher estremece, a um toque leve do Zéfiro, o mais suave dos ventos, e as lágrimas femininas, comparadas a pérolas de orvalho, devolvem à mulher a sua origem, vinda de um universo ancestral, portadora de uma natureza sublime.

Na oitava estrofe, o espírito bélico do homem, a lei da espada e da força, dão ênfase a outro lado negativo do caracter masculino. É o mundo da hegemonia masculina, que se consolida a partir da Idade do Bronze; daí a referência às guerras que os gregos travaram, quer com os Citas, quer com os Persas. É de notar que o Poeta não exalta o lado vitorioso dos vencedores, mas a discórdia, personalizada por Éris que domina, no campo de destruição e morte, nos cenários em que a guerra se instala.

Em oposição a este mundo cruel, na nona estrofe, as mulheres, empunhando o ceptro dos costumes, moderam o homem, no seu potencial agressivo e destruidor, promovendo a harmonia social, uma maior brandura dos costumes e são o elemento de mediação com o eterno.

Embora a distribuição de papéis entre masculino e feminino surja de forma idealizada, o poema articula em si uma arqueologia poderosa de arquétipos, que remetem para pulsões profundas, vitais e inconscientes, para a qual contribui o ritmo, cuja importância foi imediatamente apreendida pelos amigos Humboldt e Körner, após a leitura, referida no início. Toda esta constelação de pulsões inconscientes, acumuladas no poema, contém traços de exaltação dionisíaca do mundo feminino, apesar de o seu comportamento ser apontado de forma absolutamente contida e decorosa. Essa constelação de referências, vitais, vibrantes, luminosas e positivas, é desenvolvida contra um pano de fundo em que toda a tragédia da vida e do ser se desenvolve, a partir das premissas ontológicas, definidas para o mundo masculino.

Esta riqueza pulsional não deixa de me remeter para os versos de Herberto Helder que se seguem aos versos da epígrafe inicial:

«Essas mulheres tornam feliz e extensa

a morte da terra.

Elas cantam a eternidade.

Cantam o sangue de uma terra exaltada.» (23).

No seu tempo, o poema de Schiller não esteve isento de polémica, tendo sido alvo de paródia, por parte dos irmãos August Wilhelm e Caroline Schlegel, que achavam a visão de Schiller bastante burguesa e que procuravam estabelecer formas de vida mais livres (24). A partir de meados do Século XVIII, algumas mulheres tinham tido acesso à educação e à escrita, tendo havido várias poetisas. Uma delas foi Anna Luise Karsch (1722-1771), de origem humilde, que se sustentou pela escrita, escrevendo poesia de circunstância; foi reverenciada por filósofos e escritores masculinos, desde Moses Mendelssohn a Goethe; termina o seu poema «O Musgo de Harz» («Das Harz-Moos») com o verso seguinte:

«Um dia morrerei! Mas a minha canção não há-de ir comigo para o túmulo!»

(«Einst Sterbe ich! Doch mein Lied geht nicht zum Grabe mit!»)(25).

Num outro poema, BelloisensLebenslauf, de que traduzimos um pequeno excerto, apresenta-nos uma imagem do quotidiano, tão vivo quanto actual, da mulher dividida entre os afazeres domésticos e a sua vida profissional e intelectual. Referindo-se às Musas, diz o seguinte:

«Deram-me ânimo e perseverança,

E ensinaram-me poesias e canções,

Com crianças pequenas ao colo.»

(«Sie gaben mir Muth und Geduld,

Und lehreten mich Lieder dichten,

Mit kleinen Kinder auf dem Schooß.») (26).

Outras haveria a referir, mulheres reais, que começavam a fazer ouvir a sua voz. Estas mulheres transcendiam o papel social atribuído ao sexo feminino, nomeadamente o caso das mulheres que exerciam profissões diferenciadas (escritoras). Em 1789 Schiller escreveu um poema satírico Die berühmte Frau (A mulher famosa),que tem como subtítulo Epietel eines Ehemanns an einen andern (Carta de um homem casado a outro homem) (27) no qual ridicularizou a escritora Ninon de l’Enclos, manifestando compaixão pelo marido da mesma, pois a sua actividade de escritora lhe rouba todo o tempo, preferindo esta correr a ler as recensões críticas, descurando o cuidado da casa, do marido e dos filhos. Schiller retrata-a como

«um espírito forte num corpo frágil,

uma hermafrodita entre homem e mulher,

igualmente inapta a comandar e amar.» (28)

Muitos eram os problemas que se colocavam às mulheres que começavam a fazer ouvir a sua voz, tantas vezes estrangulada, nas harpas longas do silêncio.

Notas

(1) Publicado in Boletim de Estudos Clássicos, nº 44, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Associação Portuguesa de Estudos Clássicos, Coimbra, Dezembro, 2005, pp. 181-194.

(2) Nome latino das Cárites.

(3) Hidra ou serpente de Lernos. Segundo a lenda, quando lhe cortava a cabeça, nascia-lhe uma cabeça dupla, até ter sido morta por Héracles.

(4) Deusa da discórdia.

(5) Divindades da beleza que tem origem nas forças da vegetação. Espalham a alegria na natureza e no coração do homem e dos deuses.

(6) WÜRDE DER FRAUEN

Ehret die Frauen! Sie flechten und weben

Himmlische Rosen ins irdische Leben,

Flechten der Liebe beglückendes Band,

Und, in der Grazie züchigem Schleier,

Nähren sie wachsam das ewige Feuer

Schöner Gefühle mit heiliger Hand.

 

Ewig aus der Wahrheit Schranken

Schweift des Mannes wilde Kraft,

Unstät treiben die Gedanken

Auf dem Meer der Leidenschaft.

Gierig greift er in der Ferne,

Nimmer wird sein Herz gestilt,

Rastlos durch entleg’ne Sterne

Jagt er seines Traumes Bild.

 

Aber mit zauberisch fesselndem Blicke

Winken die Frauen den Flüchtling zurücke,

Warnend zurück in der Gegenwart Spur.

In den Mutter bescheidener Hütte

Sind sie geblieben mit schamhafter Sitte,

Treue Töchter der frommen Natur.

 

Feindlich ist des Mannes Streiben,

Mit zermalmerder Gewalt

Geht der wilde durch das Leben,

Ohne Rast und Aufenhalt.

Was er schuf, zerstört er wieder,

Nimmer ruht der Wünsche Streit,

Nimmer, wie das Haupt der Hyder

Ewig fällt und sich erneut.

 

Aber, zufrieden mit stillerem Ruhme,

Brechen die Frauen des Augenblicks Blume,

Nähren sie sorgam mit liebendem Fleiß,

Freier in ihrem gebundenen Wirken,

Reicher als er in des Wissens Bezirken

Und in der Dichtung unendlichem Kreis.

 

Streng und stolz sich selbst genügend,

Kennt desMannnes kalte Brust,

Herzlich an ein Herz sich schmiegend,

Nicht der Liebe Götterlust,

Kennet nicht den Tausch der Seelen,

Nicht in Tränen schmiltzt er hin,

Selbst des Lebens Kämpfe stählen

Hürter seinen harten Sinn.

 

Aber, wie leise vom Zephyr erschüttert,

Schnell die äolische Harfe erzittert,

Also die fühlende Seele der Frau.

Zärtlich geängstigt vom Bilde der Qualen

Wallet der liebende Busen, es strahlen

Perlend die Augen von himmlischem Tau.

 

In der Männer Herrschgebiete

Gilt der Stärke trotzig Recht,

Mit dem Scwert beweist der Scythe

Und der Perser wird zum Knecht.

Es befehden sich im Grimme

Die Begierden wild und roh,

Und der Eris rauhe Stimme

Waltet wo die Charis floh.

 

Aber mit sanft überredender Bitte

Führen die Frauen den Zepter der Sitte,

Löschen die Kräfte, die tobend entglüht,

Lehren die Kräfte, die feindlich sich hassen,

Sich in der lieblichen Form zu umfassen,

Und vereinen, was ewig sich flieht.

Friedrich Schiller Sämtliche Gedichte und Balladen, herausgegeben von Georg Kurtscheid, Insel Verlag, Franfurt am Main, 2004, pp. 141-142.

* Salvo referência em contrário, as traduções do alemão são da nossa autoria.

(8) Herberto Helder, Lugar, III, de Lugar, in Ou o Poema Contínuo, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004, pp. 143-144.

(9) Egon Ecker, Erläuterungen zu Ausgewählten Gedichten Friedrich von Schillers, Band 2, Der späte Schiller (1789-1805), C. Bange Verlag, Hollfeld, 1988, p. 62.

(9) Cfr. Helen Watanabe-O’Kelly, História da Literatura Alemã (The Cambridge History of German Literature), tradução de José António Capoulas de Avó, Editorial Verbo, Lisboa, 2003, p. 232.

(10) «Das Silbenmaß ist äußerst glücklich gew ählt, und es wird nur sehr wenig Gedichte geben , die so sicher rechnen können, ihre Wirkung so voll als dieses zu tun (...)» ( apud Egon Ecker, op. cit., p. 62 ).

(11) Egon Ecker, op. cit., p. 62.

(12) Helen Watanabe-O’Kelly, op. cit. p. 251.

(13) Wolfgang Beutin/Klaus Ehlert/Wolfgang Emmerich/Helmut Hoffacker/Bernd Lutz/Volker Meid/Ralf Scnell/Peter Stein/Inge Stepen, História da Literatura Alemã das Origens à Actualidade, Volume 1, Tradução de Anabela Mendes/Fernanda Gomes/Manuela Ribeiro Sanches/Maria Assunção P. Correia/Teresa Cadete, Apaginastantas/Edições Cosmos, Lisboa, 1993, p. 211.

(14) Cfr. Helen Watanabe-O’Kelly, op. cit., p. 193.

(15) Cfr. Helen Watanabe-O’Kelly, op. cit., p. 264.

(16) Georg Kurtscheid, Friedrich Schiller Sämtliche Gedichte und Balladen, pp. 349-352.

(17) Para informação mais detalhada, sobre a rima e a métrica do poema, vide Egon Ecker, op. cit., pp. 67-68.

(18) As Cárites são três irmãs, cujos nomes são Eufrósina, Talia e Aglaia. São habitualmente representadas como três donzelas nuas, agarradas umas às outras pelos ombros, duas delas olhando numa direcção, outra olhando na direcção contrária. São filhas de Zeus e de Eurínome, filha de Oceano (ou de Hera). São atribuídas às Cárites (ou Graças, na mitologia romana), toda a espécie de influência, nos trabalhos do espírito e nas obras de arte. Foram elas que teceram as vestes da Harmonia (a mulher de Cadmo) e acompanham de bom grado Atena, deusa dos lavores femininos e da actividade intelectual. Fazem também companhia a Afrodite, Eros e Dioniso (Pierre Grimal, Dicionário de Mitologia Grega, Tradução de Victor Jabouille, Difel, 1992, Lisboa, pp. 74-75).

(19) Albrecht von Haller foi um grande erudito suíço, personalidade marcante do séc. XVIII europeu, tendo sido médico, poeta, anatomista, químico, fisiologista. Autor da obra Elementos de Fisiologia, estudou, entre outros assuntos, a contractilidade muscular (Jean-Charles Sournia, História da Medicina, Instituto Piaget, Lisboa, 1992, p.210).

(20) Sobre este assunto, vide Friedrich Schiller, Medizinische Schriften, Hoffmann – La Roche, Munique, Anlaßdes 200. Geburstag des Dichters, 10 November 1959.

(21) [Josef Käufer], Versuch einer Einführung, in Friedrich Schiller, Medizinische Schriften, p. 18.

(22) Na base do pensamento de Rousseau está o estado de natureza, entendido como a verdadeira juventude do mundo onde os homens eram originariamente livres e iguais, bons e felizes, o coração em paz e o corpo em saúde . Essa quase Idade de Ouro platónica seria uma espécie de estado pré-social e até pré-moral, onde o homem se assumia como um agente livre e dotado de perfectibilidade , um estado que talvez nunca tenha existido, que provavelmente jamais existirá e sobre o qual, entretanto, é necessário ter noções correctas para bem julgar o nosso estado presente . Era um tempo de ócio , de indolência, onde os únicos bens seriam a comida, a fêmea e o repouso, e os únicos males, a dor e a fome (José Adelino Maltez, Rousseau (fonte: http://www.iscsp.utl.pt/~cepp/ )).

(23) Herberto Helder, Lugar, III, de Lugar, in Ou o Poema Contínuo, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004, pp. 143-144.

(25) Egon Ecker, op. cit., p. 68.

(25) Cfr. Helen Watanabe-O’Kelly, op. cit., 229.

(26) Anna Louisa Karsch, Gedichte Berühmter Frauen, Von Hildegard von Bingen bis Ingeborg Bachmann, Herausgegeben von Elisabeth Borchers, Insel Taschenbuch, insel Verlag, Frankfurt am Main, 1987, p. 59.

(27) 205-209.

(28) «Ein starker Geist in einem zarten Leib,

Ein Zwitter zwischen Mann und Weib,

Gleich ungeschickt zum Herrschen und zum Lieben.»,

Tradução de Teresa Rodrigues Cadete.Cfr. Teresa Rodrigues Cadete, Sobre a Educação Estética do Ser Humano numa Série de Cartas e outros textos, Tradução, introdução, comentário e glossário de Teresa Rodrigues Cadete, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1993p. 162.

 

Maria do Sameiro Barroso é licenciada em Filologia Germânica e em Medicina e Cirurgia, pela Universidade Clássica de Lisboa. Exerce a sua actividade profissional como médica, Especialista em Medicina Geral e Familiar.

Em 1987 iniciou a sua actividade literária, tendo publicado livros de poesia e colaborado em antologias e revistas literárias. A partir de 2001, a sua actividade estendeu-se à tradução e ensaio, tendo publicado, em revistas literárias e académicas.

Em 2002 iniciou a sua actividade de investigadora, na área da História da Medicina, tendo apresentado e publicado trabalhos, nesta área.

 




 



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