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LUÍS REIS..
A Imprensa e a Difusão da Leitura
 

No século XV, com a imprensa de Gutteberg, assistimos ao que se poderia chamar a primeira revolução da "Informação", pois pela primeira vez na história o pensamento humano, a facilidade com que se podiam editar livros e a difusão da leitura, prejudicou as congregações religiosas que até ai detinham o monopólio das edições.

O acesso rápido e fácil à Informação é uma das marcas indeléveis dos tempos que vivemos.

Hoje, a Informação e as ideias constituem necessidades humanas básicas onde os cidadãos, independentemente da raça, credo ou posição económica, devem ter acesso a esta de uma forma livre e igual.

Na China do século VII já se conhecia a impressão mas, só em 1447 é que se conheceu a imprensa de caractes móveis graças a Johannes Gutenberg que descobriu uma técnica de imprimir, baseada na fundição de chumbo e estanho de pequenas peças. Esta técnica contribuiu, em muito, para a difusão de todo o conhecimento da humanidade.

A imprensa implantou-se rapidamente em diversos paises, tendo como consequência facilitar o acesso público ao conhecimento até então só ao alcance de alguns priviligiados e o pensamento humano iria começar-se a dinfundir com maior liberdade.

Associado à invenção da imprensa, o livro foi evoluindo de tal forma ao longo da sua existência, onde não nos devemos esqueçer toda a evolução na sua organização e apresentação, desde os indices, a fragmentação dos textos em capitulos, as secções, as tipografias, as notas bibliograficas, etc., que sem esta não seria possivel até aos dias de hoje.

Até ao século XV, elaborar um livro requeria muito trabalho e dedicação, por parte de monjes na elaboração de uma cópia manuscrita de qualquer texto e para a sua difusão.

De facto, a invenção da imprensa corta definitivamente com o anteriormente praticado, pois na China, para imprimir algum texto usava-se tabuinhas de madeira onde se moldavam os caracteres do texto a imprimir, já com o método de Gutenberg era usada uma tábua de base da medida das páginas do livro, e como os seus tipos eram móveis só estes se mudavam para imprimir nova página.

Gutenberg conhecia a difilculdade de imprimir com páginas inteiras talhadas em madeira, assim idealizou um método mais racional de impressão, baseado en peças móveis. Em 1437 sob a orientação de Konrad Sasbach, inicia-se a construção da sua máquina de impressão e só em 1447 imprime, primeiro, um calendário e em 1451 uma gramática de latim, apesar de que o seu grande feito seja conhecido pela impressão da chamada Biblia de Gutenberg. É interessante referir que a sua invenção se estende por toda a Europa e se mantém quase inalteravel até aos inicios do século XX.

A partir do século XV os impressores passaram a responsabilizar-se por todas as marcas, títulos, capítulos e cabeças de páginas, eliminando a intervenção directa do corrector ou titular do livro.

A separação entre as palavras, o estabelecimento de parágrafos, a numeração de capítulos, entre outros, são adventos que irão interferir directamente na leitura e que tomarão possível a proliferação de um leitor silencioso, que se vale apenas do olhar para se apropriar do texto.

Todo o aparato da leitura que desde a Antiguidade era predominantemente um acto sonoro e colectivo, transforma-se num acto solitário.

O leitor silencioso, em geral, confunde-se com o leitor extensivo, sendo o oposto do leitor intensivo, predominante em toda a Idade Média, ou seja, um leitor que dispõe apenas de um pequeno número de livros, e que transforma a leitura destes textos num acto sagrado.

O advento da imprensa de tipos móveis, criou condições para que o leitor silencioso proliferasse por toda a Europa. De facto, uma verdadeira cultura letrada se desenvolveu à medida que os originais se multiplicavam e que a oferta de títulos aumentava vertiginosamente. Enquanto a leitura em voz alta permanecia forte nos meios populares e rurais, dedicando-se a um pequeno número de obras, em geral romances, contos populares e poemas, a leitura com os olhos dedicava-se à mais ampla gama de assuntos, em especial os científicos e filosóficos, era portanto, praticada por um determinado grupo de leitores mais erudito e urbano.

Em suma, hoje, a Sociedade de Informação empenha-se na recolha, salvaguarda e divulgação do património documental, assim como facilita o acesso à educação, à informação e ao conhecimento, onde a Informação deve ser vista como um Direito Fundamental da Humanidade.

Para tal esta informação deve ser disponibilizada livremente sob a forma de livros e materiais afins, para promover e preservar assim o livre fluxo de informação e ideias.

 

Para saber mais:

Albert, Pierre - La presse / Pierre Albert. - 11ª ed. - Paris : Presses Universitaires de France, 1996

Clair, Colin. Historia de la imprenta en Europa. Madrid: Ollero, 1998

Escarpit, R. La revolución del libro. Madrid [etc.]: Alianza [etc.], D.L. 1968

 

Luís Reis
Licenciatura em História, Ramo Património Cultural pelo Departamento de História da Universidade de Évora
Pós-Graduação em Ciências Documentais e da Informação – Ramo Arquivos, pela Universidade de Évora

 

 

 

 




 



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