GLEDSON SOUSA
ANTOLOGIA DE POEMAS

Sol da Meia-Noite

Espero o sol da meia-noite

multidões de anjos barrocos cruzam o céu de Plutão

urinam nas sarjetas da Armênia

escorpiões e putas disputam o pão da manhã

há sangue em meus dedos de insônia

Espero o sol da meia-noite

o diabo bate a minha porta

ou talvez seja o destino

ter de esperar o sol da meia-noite

velar minha alma de vigília

Não dormirei mais

enquanto o coração não for uma arena de fogo

pétalas de lótus boiando em meu cérebro

a porta os sons de Citera, hinos a Vênus

montes de Vênus, ruas de Vênus

Citereia, Urânia

meu corpo teu mil corpos na combustão do amor

Espero o sol da meia-noite

tenho a barba por fazer e a promessa de não ser

poeira de estrelas, pó

névoa que se dissipa

Sim, vi o deus cristão copulando com um cogumelo atômico

por isso trago punhais espadas e vigílias

contra a insanidade dos deuses

Teu corpo brilhando a luz da estrela cão

chama contra as trevas do porvir

Espero o sol da meia noite

com meus olhos de Tirésias

e lâmpadas cheias de azeite

de meu sangue

de meu corpo crucificado

entre o tempo e o espaço

entre a história e o ser

 

Tu virás e o sol em tuas mãos

amor à meia-noite

o diabo bate a nossa porta

é o destino

ser luz

ainda que só

sol da meia-noite.

 
 
 

 




 



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