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.JOSÉ EDUARDO FRANCO
O CRISTIANISMO E O PROGRESSO
A Resposta de D. António da Costa a Antero de Quental
 
Perplexidade no seio dos católicos
 

É óbvio que este confronto entre a Igreja e a civilização moderna tivesse causado pânico e perplexidade em muitos meios eclesiais, tanto mais que muitos esperavam um possível entendimento. Este endurecimento da posição oficial da Igreja veio reforçar as teses anticatólicas que eram defendidas a nível político, social e cultural, e das quais já dava conta a Encíclica Qui Pluribus em 1846:

"...nestes tempos calamitosos foi desencadeada uma guerra cruel e temível contra tudo quanto é católico (...) as maquinações com esses inimigos da luz e obreiros ardilosos do erro se esforçam por apagar toda a piedade, toda a injustiça, toda a honestidade, em depravar costumes, em perturbar a religião católica e a sociedade civil e até arrancá-la pela raiz, caso lhe fosse possível. (1)"

Realmente, a Igreja era vista como o inimigo principal para muitos movimentos sociais, filosóficos e políticos. Muitos estados decretaram leis claramente anticatólicas, visando a redução da influência do poder da Igreja e atirando-a para o domínio do estritamente privado. A Igreja vivia tempos difíceis que exigiam também uma conversão interna da própria vida eclesial para que esta pudesse melhorar a sua imagem externa. Os católicos dividiam-se em dois blocos mais ou menos estanques: aqueles que rejeitavam a possibilidade de conciliação entre a Igreja e a sociedade moderna e os que acreditavam num possível entendimento e convivência mútua.

Contudo, para que esta coexistência pacífica viesse a ser viável era necessário que alguém desse razões válidas para tal possibilidade, era preciso fazer a teorização e apresentar argumentos de fundo que convencessem uns e outros. Pois, tanto os que defendiam o progresso em oposição ao ideal cristão como os que o rebatiam dispunham de argumentos teóricos para o fazer. D. António da Costa foi um exemplo paradigmático e singular enquanto ensaísta de uma séria teorização acerca da conivência perfeita entre estas duas realidades ditas por muitos como antagónicas. Esse será o nosso objecto de estudo do nosso próximo capítulo.

 
 
(1) Pio IX, Sobre erros contemporâneos e o modo de os combater (Qui Pluribus), Documentos Pontifícios, Rio de Janeiro, 1952, pp. 4-5.
   

 

 

 


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