Bruno Resende..

Luz

das montanhas em rede expressiva 

         As montanhas ondulam sobre refracções locomotivas, são resplandecências da implosividade cinzenta. E chovem as cinzas dentro das pálpebras intermitentes do verdejante. Com vermelho e branco ao infinito. A ténue surrealidade vulcânica que não se reveste à chuva do ontem. Não pelos agoras. Da obsolescência que era um objecto, desprende-se. No rumo que apenas o é. E em cada uma dançam duas raposas. 

da lux zbálida pelo lado esquerdo 

            As casulações casuais das ostras derretem-se à chama prometeica, e de dentro o vangloriado. Nada. Os catastróficos fazem engolir objectos fálicos pelos olhos enquanto as pontas dos cabelos fermentam. São impasses entre pseudo-catarses rugidas por ritmo martelado. Sem nietzsche. As orelhas assediadas amplificam o ruído dentro do intenso ruidoso. Congratulam-se magnificências de privatizações aos timapanários sem desaguamento. Enxurram. Do peganhento um peso da ritualística ao oco. De um baco que não existe. Bacoco. Já o sempre era no fundo ao lado esquerdo.

            Na irreal lux arrealiza-se, murais que se espiralavam em paraísos artificiais do silêncio. As sementeiras que se aguardam são guardadas do tempestivo externo descorrelacionado ao uno verso. Ou como fazer bolhas sem borbulhar.

            O desencantamento saltita pelas matérias, na gosma sem pneumáticas. Destribalizar. Banalizar gosmicamente na tribo que não é. Tribanal. Mas a poética é multiplicagem no interrompido. Entre vistusionismos do ancestral revivalizado em corpóreo crucificado, e as intermitências bramidas sustenidas no plano erótico interno. I am not a sexy bitch!  

lux natura ad aeternum 

            Entre quatro amanitas às seis etapas um sol rachado. A permanência da cinzentude é núncio do subjectivo desobjectado, com garridos permutados das sinestesias. Translinguística. Os adornos à energia puritana são curvaturas de geodesias de mistérios. O permanecem por simplesmente o serem.

            Era pulsão epidermal do oceânico entre fronteiras ultra passadas. Estados corpóreos dissolvidos no espaço destemporalizado. Diz-se o silêncio fluido. Universo que murmura e geme pelo timbre da possessão à cosmogonia do serpenteado. Sibila o cosmos pela plural versitude. A translúcida saliva percorre fertilidades emotivas. Transubstanciam-se iluminações psicofluidas.

            O beijo adjectiva-se na ofegância meditada. Com vontades sopradas às brisas respiradas. O calor magmático dimanado entre a porosidade penumbrática extasia quimeras do aconchego. Os fumos ondulam nas geodesias dos momentos.

            Do poético se desmemoriza. Ramifica a frutificação da matéria catártica em silêncios de negrume.  É a luz bramida dos corpos às estrelas.  

da terceira ritualística segundo sacher-masoch  

            Sentir o frio ventado pelo fumo incandescente. Cinzelado. Desfiar vermelhos à penumbra da meditação. O arrefecimento perceptivo. Desenlaçar espíritos espantados inalando incensários do ontem. Esfumar pensamentos pela lua dourada. Vistusionar animálias castradas ao vilamento em debilitação da mente na pequenez da não-cognição. Condicionar em humano. Enregelar os volumes almicos pela entrega ao pedantismo acordadamente displicente.

            E voltar.

            Ao horizonte fendido pelo sol. Emocionar no calor da alma magmática sonhada. E derreter novamente em catarse termodinâmica. Distensão masoquista do gelo instigado até ao cume vulcânico. Arquear o lombo. Ronronar a consciência nos fluidos das colorações cénicas sonhadas.  

da dourada chuva pentagramática 

            Chover pela direcção pentagramática na necessidade da contemplação humidificada. Calidez meditada no dilúvio dos conceitos. Pedestremente lânguida exaltação do límpido. Era transparência reticular em fogo novo. Pós-equinocial termodinamização ao equilíbrio sensacional. Da sensação. E liquidificar pelos alcatrões. Para poder evaporar às estrelas. Novamente. Extra-elações.  

dos dez mundamentos lux-mentâneos 

zero - O beijo é a verdade epistemológica dos corpos. 

um - A consciência fluida pluriforme fricciona-se às geodesias corpóreas e espuma-se afrodisíacamente. 

dois - As cenouras que ressuscitam ao terceiro dia derivam do cento e doze colapsado à glucose. 

três - As lulas que fazem pulsar as libidos nos magmas das iluminuras são caldeiradas das multidões de nós próprios. 

quatro - As essências das fragrâncias textualizadas à pele são ondulações incensadas como fumo sobre fios vermelhos. 

cinco - Os ciclos naturais emolduram-se mas não se estancam por se fenderem pela gravura rupestre do corpo-moldura. 

seis – Os espirros ronronados são mais sublimes que o ronronamento em si, especialmente quando coturnos podem partir dentes. 

sete – A afectividade prenuncia-se no silêncio erotizado, entre as ex-locomoções inferiores, como elos da máxima naturalidade do ser terráqueo. 

oito – O cheiro do prazer é fraternalmente húmido e quente, porque o húmus corpóreo prolifera frutos às pontiagudidades dos galhos. 

nove – Os instintos esotericamente germinados não se corrompem no ruidoso ordenado na desordem, pois o caos é uma outra coisa. 

dez – A inércia da silenciosidade é a contemplação sublimada ao outro que se ilumina.

Bruno Resende. Escritor, webdesigner, designer gráfico, DJ, fotógrafo, performer. Chamado Bruno Miguel Resende, nasce a 1 de Março de 1981, no Porto, Portugal, Universo. Inspirado pela evolução e revolução inspira a mesma, formando-se e informando-se sobre si próprio nas áreas de hedonismo, anarquismo, ateologia, revivalismo arcaico, surrealismo, e outras potências de existência que se adequam a cada momento de cada contexto. Lança em 2007 o livro “Subterfúgios” pela Corpos Editora, em 2009 “Khaos Poeticum” pela Temas Originais e em 2010 “Esquilia Divinorum” pelas “Edições Extrapolar”. Participou em diversas antologias literárias das editoras Andross, CBJE, Editora de Leon, Celeiro de Escritores, Nova Coletânea e Lugar da Palavra em títulos como o “Livro Negro dos Vampiros” e “Noctâmbulos”. Nas artes gráficas concebeu as galerias Revolta das Palavras, Abysmo Humano e Transmorphosys. É colaborador da revista Infernus incluindo-se também na Incomunidade e Associação Extrapolar entre outros escritos, artes, acções e reacções.

 

 

 

 




 



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