MIGUEL TORGA
Écloga

Demos as mãos. Aquece e aproxima.
Temos tão pouco tempo!
Dentro de nós germina
O desencanto,
Mas os tojos são tenros ao nascer...
E enquanto
O rebanho rumina,
Podemo-nos amar sem padecer.

Sim, é fugaz esta ternura aflita,
Mas não há outra com mais duração.
A eternidade
É o sono que, maciço, no caixão
Aguarda o desenlace deste dia
Todo acordado, todo claridade,
Breve aceno do sol que o alumia.

 

 

 




 



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