MARCO AQUEIVA::::..........:

VALISES

A modelo, a valise e o pintor

Pego I e Pego II

Da religiosidade

Uma valise entre o mortal e o herói olímpico

Uma valise para Lourenço Diaféria

Macabéa mal cabe na valise?

Valise do eterno marear

Uma valise entre o mortal e o herói olímpico

Chegaram a mesma hora à vila olímpica. Reconheceram-se prontamente para captar de súbito a transformação de ambos. Na fotografia muda da infância, que ele ainda guardava sob silêncio ultrapassado subitamente por uma sensação esquisita e inominada, sempre habitou outra mulher em outra cidade. Ele nascera para a vida. Ela para a glória. Mas se ela antes extremava seu olhar para um novo futuro, para outra direção, que não a da vida acanhada em si mesma, amesquinhada ao redor de marido, filhos, lazer aos domingos com os sobrinhos e a sogra, vida acanalhada sob certezas e ninharias, onde teria então ficado a pré-história da atleta vencedora que outrora carregava no prazer de cada momento todo o corpo e horizonte de que precisava? Não seria eu que a desceria da glória. Fingi que não a reconheci. Em minha valise ainda hoje permanecem os úmidos vapores da velha fotografia contra a lente rachada de meus óculos.

 

Marco Aqueiva, poeta, autor de Neste embrulho de nós (Scortecci, 2005), vencedor do III Prêmio Literário Livraria Asabeça, é professor de literaturas brasileira e portuguesa no ensino superior. É o idealizador, editor e administrador do Projeto Valise 2008 no endereço http://aqueiva.wordpress.com/

 

 

 

 




 



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