JÚLIO CONRADO...

Bilhete postal para Daniel Lacerda

A informação de que Daniel Lacerda falecera em Paris chegou-me por via sinuosa mas fidedigna: Graciete Besse, Otília Martins, Eugénio Lisboa, qualquer de nós com ligações próximas ou longínquas ao reputado historiador (ainda que licenciado em Filosofia), resistente anti-salazarista, emigrante de luxo. Traiu-o um ataque cardíaco. É um pouco tardia esta “memória” ainda que nunca seja tarde para prestar homenagem ao homem de letras, pois nesta qualidade o conheci, enquanto director da revista Latitudes Cahiers Lusophones na qual colaborei com assiduidade desde 2005 até ao seu número de encerramento. Tragicamente quase coincidiam o fecho da revista (2013) e o desaparecimento do nosso convívio de Daniel Lacerda, no passado mês de Março. Fora-me apresentado por Liberto Cruz autor de um belo texto sobre o meu Desaparecido no Salon du Livre a que a revista deu bom acolhimento. O que se previa viesse a tornar-se uma colaboração esporádica converteu-se numa presença assídua que Lacerda estimulava e a que eu anuía sem esforço já que a periodicidade da revista (uma, duas vezes por ano) correspondia na perfeição às minhas disponibilidades de tempo. Nos últimos anos e sempre no mês de Junho deslocava-me a Paris para reviver tempos passados numa cidade solar e agora decepcionante: enregelada e chuvosa. E o Daniel lá estava de braços abertos para me levar a casa do outro pilar da revista, Manuel dos Santos Jorge, onde este preparava uma refeição que regávamos (nós e outros convidados) com um vinho de qualidade, repasto no decurso do qual muito aprendi com as histórias de vida vivida que surgiam a talho de foice focadas no geral nos destinos da pátria. Logrei traduzir e propor a edição de Isabel, Princesa da Borgonha, publicada pela Editorial Presença em 2010. “Carteávamo-nos” por e-mail com alguma regularidade. Éramos amigos.    

 

Júlio Conrado. Ficcionista, ensaísta, poeta . Olhão, 26.11.1936 . Publicou o primeiro livro de ficção em 1963 e o primeiro ensaio na imprensa de âmbito nacional em 1965 (Diário de Lisboa). Exerceu a crítica literária em vários jornais diários de referência e em jornais e revistas especializados como Colóquio Letras, Jornal de Letras e Vida Mundial. Participação em colóquios e congressos internacionais. Participação como jurado nos principais prémios literários portugueses. Membro da Associação Portuguesa de Escritores, Associação Internacional dos Críticos Literários, Associação Portuguesa dos Críticos Literários e Pen Clube Português. A sua obra ensaística, ficcional e poética está reunida numa vintena de livros. Alguns livros e ensaios foram traduzidos em francês, alemão, húngaro e inglês.

Ver bio-bibliografia alargada em:

http://penclube.no.sapo.pt/pen_portugues/socios/julio_conrado.htm

 

 

 

 




 



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