Judite Maria Zamith Cruz

PSICOLOGIA DO SONHO E DO MITO - II
Interpretações de sonhos e grandes narrativas espirituais

INDEX

Introdução

1. Interpretação dos sonhos por Sigmund Freud

2. Interpretação dos sonhos por Carl Jung

2.1. Sonho de primeiro nível – não simbólico

2.2. Sonho de segundo nível – confuso

2.3. Sonho de terceiro nível – simbólico

3. Que sentido podem fazer certos sonhos?

3.1. Antiga visão da exterioridade dos sonhos

4. Grandes narrativas espirituais expressas em sonhos: sentidos de vida

4.1. Exemplares de literatura alegórica do Ocidente

4.2. Mito do povo baruya da Nova Guiné: as aventuras duma mulher primordial «casada» com uma árvore

5. A grande narrativa cristã no mito do pecado original

Discussão final

Referências - Fontes de ilustração

Introdução

No início do século XXI, ainda não podemos dizer porque sonhamos, ainda que possamos saber como sonhamos – o processo. Um dos mais famosos investigadores, Mark Solms (1), do London Hospital Medical College, realizou descobertas intrigantes: o sonho deixa de existir completamente se ocorrer uma lesão com desconexão entre partes do córtex frontal, do sistema límbico e do tronco cerebral.

Os inúmeros estudos sobre os sonhos, ainda no século XX, têm como precursor Sigmund Freud (1856-1939), quando se atenda ao papel fisiológico e ao papel psicológico no sonho. E como o mito é seu herdeiro, para a concepção de imaginário colectivo de grandes narrativas espirituais, esse foi um dos múltiplos interesses de outro psicanalista: o suíço Carl Gustav Jung (1875-1961).

Jung dedicou-se a buscar significados nas estórias contadas e tal como o conto adiante exposto da Lu, as lendas e as alegorias permitiram-lhe compartilhar histórias acerca da maldade ou da sexualidade no mundo, mas também acerca da origem da humanidade (como o «ovo primordial») e acerca do futuro promissor.

Veremos portanto como grandes narrativas simbólicas se relacionam com contos de ninfas e deuses, de heróis humanos com super-poderes e simples humanos e outros episódios extraordinários.

Por exemplo, na Índia acreditou-se que dentro da feminina Lu estará um enorme Dragão da Água, a Naga, representada na figura nº 1. Contava-se então que era um monstro fantástico, simultaneamente habitante da terra e do firmamento.

Se repararmos na imagem, parece-se com uma mulher de cobras na cabeça, podendo adquirir a forma humana integral. Lembra a figura grega, também com cobras.

Aliás, pensou-se não se dever confiar nela, ainda que se creia guardar tesouros extraordinários na cidade de Bhogavati. Como possui uma pérola nos seus anéis, essa preciosidade simboliza o conhecimento. Na sua faceta benéfica, a Lu oferece rubis aos humanos. A prova da sua malvadez é o facto de suportar querelas intermináveis com o seu eterno opositor, o pássaro Garuda, montada de Visnu, «O Preservador».

(1) M. Solms (1997).

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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