Judite Maria Zamith Cruz

PSICOLOGIA DO SONHO E DO MITO - II
Interpretações de sonhos e grandes narrativas espirituais

INDEX

Introdução

1. Interpretação dos sonhos por Sigmund Freud

2. Interpretação dos sonhos por Carl Jung

2.1. Sonho de primeiro nível – não simbólico

2.2. Sonho de segundo nível – confuso

2.3. Sonho de terceiro nível – simbólico

3. Que sentido podem fazer certos sonhos?

3.1. Antiga visão da exterioridade dos sonhos

4. Grandes narrativas espirituais expressas em sonhos: sentidos de vida

4.1. Exemplares de literatura alegórica do Ocidente

4.2. Mito do povo baruya da Nova Guiné: as aventuras duma mulher primordial «casada» com uma árvore

5. A grande narrativa cristã no mito do pecado original

Discussão final

Referências - Fontes de ilustração

4. Grandes Narrativas espirituais expressas em sonhos: sentidos de vida

Em particular, Jung interessou-se por sonhos de terceiro nível – simbólicos. Quando os sonhos têm um significado complexo, amalgamado em simbolismo, o sonhador, sem que o compreenda, pode procurar um sentido para a vida, incluindo-os nos aspectos sexuais e sócio-emocionais das suas vivências. Também existem mitos alegóricos, apelidados de grandesnarrativas, em que a pessoa pode conceber essa orientação no labirinto da sua existência - «Que caminho seguir?».

É curioso ter sido o mitologista Sam Keen a defender que os mitos são o ADN cultural, o software da máquina do mundo, ou seja, uma forma de informação inconsciente ou um programa que comanda o modo como vemos realidades, segundo determinados pontos de vista.

Outra expressão singular é a de Joseph Campbell, para quem a mitologia é poesia - metáfora (1). Para este último, não se trata na metáfora da mentira ou da verdade. O mito não se conforma com a noção de terceiro excluído. Não pode ser verdadeiro ou falso. Não possui essa lógica. É uma colecção de significados para interpretações distintas.

Ainda nos anos oitenta do século XX, contudo, para o antropólogo e estruturalista francês Claude Lévi-Strauss (1908-)(2), a finalidade do mito seria criar um modelo lógico e sugestivo para explicar as efectivas contradições humanas.

De facto, todos nós queremos fazer parte do sentido do mundo, ainda que a existência apresente aspectos paradoxais e conflitos inevitáveis: fome e satisfação, guerra e paz, unidade e diversidade, noite e dia...

Mas de acordo com a obra Mith and Meaning, o Estruturalismo de Lévi-Strauss opunha-se ao reducionismo científico, uma vez que nessa base os fenómenos complexos são estudados como fenómenos simples (3). Para Lévi-Strauss, era o próprio significado do mito a fornecer ordem/explicação aos fenómenos não claros, ditos irracionais. O mito daria ao ser humano a ilusão de entendimento.

(1) AA.VV. (1990, p. 22).

(2) Claude Lévi-Strauss (1978, trad. port. 1979, p. 23).

(3) Lévi-Strauss, ibid, pp. 20-21.

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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