Judite Maria Zamith Cruz

PSICOLOGIA DO SONHO E DO MITO - II
Interpretações de sonhos e grandes narrativas espirituais

INDEX

Introdução

1. Interpretação dos sonhos por Sigmund Freud

2. Interpretação dos sonhos por Carl Jung

2.1. Sonho de primeiro nível – não simbólico

2.2. Sonho de segundo nível – confuso

2.3. Sonho de terceiro nível – simbólico

3. Que sentido podem fazer certos sonhos?

3.1. Antiga visão da exterioridade dos sonhos

4. Grandes narrativas espirituais expressas em sonhos: sentidos de vida

4.1. Exemplares de literatura alegórica do Ocidente

4.2. Mito do povo baruya da Nova Guiné: as aventuras duma mulher primordial «casada» com uma árvore

5. A grande narrativa cristã no mito do pecado original

Discussão final

Referências - Fontes de ilustração

Interpretação dos sonhos por Carl Jung

No fim da sua longa vida, Carl Jung (1875-1961) tinha recolhido e estudado mais de 80.000 sonhos (1). Ultrapassava, em passos largos, o empreendimento do mestre.

Jung separara-se de Freud em 1912. Avançara na análise de «psicoses», perturbações psíquicas mais graves do que «neuroses» (2), aclaradas ou resolvidas por Freud. A sua influência era enorme sobre pacientes sempre vulneráveis.

Já suficientemente autónomo do pai intelectual, Jung apercebeu-se existirem diferenças culturais para os símbolos que mais se observam, inclusive sexuais. Segundo ele, existem temas, títulos, indicações ou rubricas variadas em que são agrupáveis símbolos divididos entre aqueles que não são sexuais e os que são sexuais (3): Sol, Lua e estrelas; corpo, juventude e envelhecimento; auréolas, máscaras e sombras; deuses e deusas, bruxas, sábios e bruxos; o céu e o inferno...

Se uma pessoa desejar continuar esse tipo de análise, anota os sonhos e os símbolos que neles aparecem, tanto como as formas – pessoas, objectos, cores e animais. Em particular, são relevantes os sonhos que nos surgem com maior impacto emocional.

Em terceiro lugar, aponta as emoções que esses símbolos sugerem – inclusive a partir da ideia de que os símbolos são ambivalentes (podem significar algo ou o seu contrário). Quando pensamos na nossa reacção sócio-emocional a esses símbolos, podemos aperceber as funções psíquicas e os papéis sociais que os símbolos enunciam e desempenham.

Finalmente, se mantivermos um diário de sonhos, identificam-se símbolos persistentes ao longo da nossa vida. Os padrões de sonhos repetidos surgirão de modo recorrente.

Nessa acepção, de pouco serve perguntar o significado de um sonho isolado. Devemos conhecer vários sonhos e, em particular, os que reaparecem.

(1) Norman MacKenzie (1965, trad. fr. 1966, p. 140).

(2) Freud chegou a tomar por «neuroses» certas «psicoses» dos seus pacientes. Actualmente, substitui-se essa divisão polarizada pela defesa de ocorrência de um contínuo de gravidade maior na «psicose».

(3) Entre outros, segue-se o estudo de símbolos em David Fontana (1993, pp. 50-140), Barbara Walker (1988, trad. port. 2002) e Jean Chevalier & Alain Gheerbrant (sem data, trad. port. 1997).

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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