Judite Maria Zamith Cruz

PSICOLOGIA DO AMOR ROMÂNTICO - II
O prodígio das histórias de amor na transformação humana

INDEX

3.1.1. O beijar é um acto pecaminoso?

Originariamente, o termo sânscrito para beijo foi cusati («ele chupa»), sem qualquer conotação negativa. O conceito de pecado está igualmente ausente nas tradições orientais.

Como ficou representado o beijo de Eros e Psyche, não se compara com a fotografia da figura nº 3, exposta no final do século XX.

Na sociedade amazónica equatoriana, de forma distinta, ainda hoje os sequóias (1) temem beijar-se e acham que beijar demonstra «loucura».

Se recuarmos ao passado mais longínquo, o acto de beijar p ode ter-se tornado um hábito no Sudeste da Ásia quando as mães mastigavam alimentos que davam a filhos pequenos. Assim observado, o beijo não tem uma base sexual, mas alimentar.

O Tau chinês (2) terá tomado a saliva feminina como remédio e, para o tantrismo hindu (3), a vitalidade masculina exige fluidos femininos (secreções vaginais) para o seu sustento.

Na sua extensa investigação, a americana Barbara Walker (4) defende que foram os primeiros cristãos, homens, a efectuar o beijo da paz.

Em costumes actuais, persiste esse convite à fraternidade por uma comunidade.

(1) AA.VV. (2004, p 152).

(2) O Tau chinês significa «o caminho» ou «a última realidade», anterior à morada dos Deuses. Foi iniciado com crenças populares chinesas, antes de Lao Tzu ter compilado o livro Tao-Te Ching, no século VI antes da nossa era.

(3) O tantrismo hindu é associado aos Tantras (século VI d. C.) e aos Vedas, as obras mais antigas dos hindus.

(4) Barbara Walker (1988, trad. port. 2002, p. 169).

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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