Judite Maria Zamith Cruz

PSICOLOGIA DO AMOR ROMÂNTICO - II
O prodígio das histórias de amor na transformação humana

INDEX

3. Umas quantas estórias de amores travessos

O amor europeu surgiu no século XI, vindo a desenvolver-se até ao Romantismo, época em que se uniu à sexualidade a mente - o espírito francês. O Romantismo (francês) teve início no 3º quartel do século XVII.

Ainda que lentamente, portanto, enriquecido com os sentimentos mais ousados, existirão amores mais endiabrados e atrevidos? E o que é o «amor ocidental»?

Como vimos, para os gregos clássicos, o amor foi por vezes tragédia.

Já no Ocidente, actualmente, ainda é comum pensar-se que amar é um bem comum. Mas foi a partir do século XI, portanto, que se expandiram novas formas de amar, umas mais idílicas outras mais carnais (traduzidas nas cantigas de amor e de amigo), em que o amor passava pelo «jogo social».

Ainda na contemporaneidade,pensa-se também que a paixão surge quando nos apaixonamos não pelo outro, uma pessoa real, mas pelo modo como o/a vemos. Há paixões compartilhadas e outras não. Por conseguinte, existe uma paixão bem solitária, podendo ser dado o exemplo de Narciso que somente via Eco espelhada no lago.

Por distinção do amor e do amor de si, idealizamos o ser humano amado e chegamos a idolatrá-lo. Essa pessoa da nossa paixão é sujeita a mimetismo, ou seja, inconscientemente e com a convivência podemos passar a adoptar o seu comportamento, linguagem e juízo.

Há quem acredite que essa concepção de amor-paixão existe somente entre nós (1), ocidentais. Segundo Clifford Bishop, foram os trovadores «românticos» a darem esse cunho ao sentimento amoroso. Também, de acordo com essa fonte, é possível que na Indonésia os weyewas nos considerem algo «desumanos», a atender a esse facto bruto – amar apaixonadamente. Por sua vez, no Amazonas, o enamoramento entre os mehinakus é ainda tido como um íman que atrai os espíritos malignos. O resultado é nefasto nessa sociedade, talvez porque não saibam explorar nuances emocionais, diferentes gradações de emoções: enamoramento, amor-paixão, amor casto, amizade electiva…

Afinal, nas ilhotas Ifaluk, nos desertos africanos, no Egipto Antigo, na China do século XX, no Alasca do povo inuit ou em Portugal defende-se que todos conhecemos esses sentimentos de amor romântico mesmo que sejam mal vistos ou inconvenientes (2).

(1) Clifford Bishop (1996, trad. port. 1997, p. 113).

(2) Simon Andreae (1998, trad. port. 2003, p. 232).

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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