Judite Maria Zamith Cruz

PSICOLOGIA DO AMOR ROMÂNTICO - II
O prodígio das histórias de amor na transformação humana

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3.3. O que é um acto sexual na tribo baruya da Nova Guiné?

Os baruya (1) são um outro povo para nós estranho de um vale elevado das montanhas da Papua da Nova Guiné - Oceânia. Em 1951 foram descobertas 2.000 pessoas e, em 1975, o grupo tornou-se independente, depois do domínio da Austrália.

Nessa tribo, o acto sexual reveste-se de características muito particulares: somente depois de várias semanas após o casamento as relações sexuais heterossexuais são permitidas. Primeiro, a linhagem masculina deve construir a habitação para o futuro casal. Entretanto, a fuligem da chaminé deve enegrecer as paredes da casa, feitas de argila e de pedras lisas.

Esse é um espaço de passagem entretanto proibido à mulher. Caso arrisque percorrê-lo, será açoitada sem piedade. Pensa-se que o seu sexo será aberto pelo fogo, o que contraria a função do fogo: cozer os alimentos do futuro marido.

Terminada a obra, o casal ainda não poderá dormir no aposento da lareira. Na primeira noite, o homem passa a noite nessa sala com os rapazes e, na segunda noite, será a vez de a mulher aí pernoitar com as raparigas.

Quando finalmente ficam juntos, está-lhes vedado o coito. O marido acarinha a esposa e dá-lhe a beber o seu esperma, por se julgar que este se transformará em leite que, por sua vez, servirá de alimento aos filhos a nascer.

O acto real de a mulher tocar com a boca no sexo do homem (fellatio) alcança uma função imaginária, atendendo a que é o homem a manifestar o seu poder de dar vida: o seu esperma tornar-se-á leite. Está expressamente proibido o cunnilingus – o acto recíproco de fellatio. Essa ideia faz o homem escandalizar-se e chegar a gritar e a vomitar.

Por último, na iniciação sexual, quando o casal descobre que a fuligem da lareira enegreceu as paredes, inicia-se o coito com a mulher por baixo do homem, deitada no chão da parte feminina da casa, junto à porta. Noutra dependência, o homem pode dormir só ou com hóspedes masculinos. Caso a esposa se coloque por cima do marido, durante o acto sexual, teme-se que os fluxos do sexo (secreções vaginais) possam deslizar sobre o ventre dele, arruinando o seu poder supremo.

Está proibida qualquer relação sexual nas regiões pantanosas e nos elevados locais habitados por maus espíritos. Os campos de cultivo estão igualmente vedados à actividade sexual. As relações adúlteras tornam-se perigosas no caso de se verificarem com frequência nos bosques. Assim o esperma e os fluxos do sexo poderão ser arrastados para a terra por vermes e serpentes que os doarão a divindades ctónias (da terra) e hostis.
(1) AA.VV. (2004, pp. 214-215).

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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