Judite Maria Zamith Cruz

A PERSPECTIVA ARQUETÍPICA DA MENTE
O inconsciente colectivo de Carl Gustav Jung (Index)

2.1. As mulheres guerreiras: valquírias e amazonas

As valquírias (1) foram virgens guerreiras da Noruega que forneciam a coragem a heróis que desposavam, caso eles fossem arrojados nos seus feitos. Consumado o casamento na festa, elas perderiam poderes, inclusive a força de influência sobre os esposos.

Já não recordamos as suas aventuras imensas mas, em 2003, Lara Croft, no filme Tomb Rider - O Berço da Vida (2), poderia vencer o Óscar da Actriz Principal enquanto nova valquíria ou amazona. Angelina Jolie foi a mulher armada, a anima moderna.

No passado, a amazona constituiu um arquétipo de anima associada ao cerco de Tróia.

Rubens (1577-1640) pintou O Combate das Amazonas (1619). No Vaticano, existe uma escultura que lhes é dedicada - A Amazona (3).

A imagem do Vaticano peca por não representar a bestialidade da personagem clássica. Essa anima facilmente se confunde com a sombra animal. E a sombra opõe-se à luz. Ela é a própria imagem das coisas fugidias, irreais e mutáveis.

O nome grego para «amazona» deriva de breastless (sem seio). No caso, a escultura foi feita de uma das heroínas a quem foi queimado o peito direito para facilitar o lançamento do dardo e o acto de dobrar o arco.

Na mitologia grega (4), essas mulheres lutadoras permitem hoje o reconto da sua estória de glória, da seguinte forma curiosa:

As Amazonas afastaram o outro sexo da sua mini-sociedade. Os homens de regiões vizinhas tiveram relações sexuais com elas e os seus filhos rapazes eram enviados para junto dos respectivos pais. Conta-se que alguns filhos, do sexo masculino, foram mortos ou ficaram com as pernas partidas, impedidos de lutar.

Às raparigas foi dado o treino intensivo para a guerra como besteiras – aquelas que lutam com bestas, armas com arco de ferro e apoio em haste.

Segundo uma das versões, as Amazonas tornaram-se aliadas dos Troianos e, durante o cerco de Tróia, a sua rainha foi morta por Aquiles, herói da Ilíada.

Uma das «tarefas» para os trabalhos, façanhas e aventuras de Héracles foi a destruição das Amazonas. E elas caíram devido à sua força.

Héracles foi o mais popular dos heróis e ideal viril das mulheres helénicas (5). Desposou Hebe, «a Deusa da Juventude» e, mesmo com família e ocupação intensa, ele foi um Don Quixote ou um artista de feira do seu tempo mítico .

Muito mais tarde, outros manteriam idênticos atributos no amor, como Don Juan e Casanova, que serão referidos em seguida.


















Notas

(1) Shahrukh Husain (1997, trad. port. 2001, p. 140).

(2) Lara Croft - Tomb Rider: The Cradle of Life (2003) é um filme de Jan de Bond, produzido por Lawrence Gordon & Lloyd Levin - Paramount Pictures Mutual Film Company & BBC Tele-Munchen, Toho-Towa.

(3) Lello Universal: Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro (1976, Volume I, p. 126).

(4) William Stewart (1998, p. 31).

(5) Jean Chevalier & Alain Gheerbrant (sem data, trad. port. 1997, p. 364).

Judite Maria Zamith Cruz é doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, onde lecciona cursos de licenciatura e mestrado dedicados ao estudo do desenvolvimento humano e do auto-conhecimento do profissional de educação, desde 1996, é membro de instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo e investigação da sobredotação, talento e criatividade e, em 1997, integrou equipa internacional e interdisciplinar, coordenada pela Professora Doutora Ana Luísa Janeira, nos domínios de ciência, tecnologia e sociedade - «Natureza, cultura e memória: Projectos transatlânticos». Colabora, desde 2000, no Instituto de Estudos da Criança, em projectos centrados na educação matemática; depois, na área da língua portuguesa e artes plásticas, como membro do Centro de Investigação «Literacia e Bem-Estar da Criança» (LIBEC) da Universidade do Minho .

Entre Janeiro e Julho de1982 foi professora de psicologia e de pedagogia em Escola de Formação de Professores do Ensino Básico de Torres Novas. De Junho a Setembro de 1982, assumiu o lugar de Assistente Estagiária na Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, de que se afastou para desempenhar funções de psicóloga clínica em cooperativa dedicada a crianças e jovens deficientes motores e mentais, em Lisboa – CRINABEL (1982-1985). De 1985 a 1988 foi professora do Ensino Secundário, em Braga, leccionando a disciplina de psicologia na Escola D. Maria II. De novo ocupou funções de psicóloga clínica em associação dedicada à educação de crianças e jovens deficientes auditivos (APECDA-Braga), entre 1988 e 1992. Em 1987, realizou trabalho como psicóloga no Hospital Distrital de Barcelos, de que se afastou em 1990 para efectuar curso de mestrado. Em 1992 ocupou o ligar de Assistente de metodologia de investigação, na Universidade do Minho, em Braga, onde é professora auxiliar.

 

 

 

 




 



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