Eduardo Proença-Mamede
Nem a Santa Inquisição!
Transformar Portugal num alfobre de delatores por causa do tabaco é legalizar as milícias populares e a justiça por conta própria, já que consumir drogas duras é "legal". Na verdade, um pouco de bom-senso não faria mal no meio disto tudo!

A votação da nova lei anti-tabágica a que o nosso Parlamento aderiu é, no mínimo, anticonstitucional. As coimas roçam a loucura, atendendo a que antevejo o Portugal fumador transitar do tabaco para o haxixe. O "charro" será a fuga da multa. Cresci e fui educado por avós não fumadores. Porém, os princípios em casa eram deste modo: chegava uma visita e puxava um cigarro e cabia ao menino chegar o cinzeiro, ir à cozinha buscar os fósforos, acomodar a pessoa a seu gosto, mesmo que tal não fosse do agrado dos donos da casa. Claro que hoje isto poderia ser chamado "escravatura infantil" e "politicamente incorrecto"! Os meus avós eram "fascistas" e monárquicos, bem entendido!!!

Só comecei a fumar aos 18 anos feitos. Nem antes disso, nem depois, nunca consumi outras drogas e desde sempre sou um financiador da Tabaqueira Nacional, instituição estatal de chorudos benefícios. Atravessei as décadas vendo o que as drogas duras (fumadas, injectadas e cheiradas) provocam. Tudo isto para me obrigarem a financiar com os meus impostos "salas de chuto" nos últimos dias. Mas que incongruência é esta? Será tal lícito sem referendo?

A lei é verdadeiramente uma aberração. Nas cadeias será proibido fumar tabaco; só heroína e cocaína ou então injectada. Para quem se encontra privado da liberdade, sem nada para fazer, reconheço que será um método eficaz para roubar a saúde a quem lá está. Do mesmo modo, num hospital onde, por força, têm que ser dadas "notícias" que muito afectam as pessoas, Deus nos livre que um fumador puxe de um cigarro após saber que um ente querido morreu. Começará o luto com uma multa, uma contrariedade, quiçá uma boa "dose de estalos! e chapadas". Não tenho dúvidas que esta governo tudo faz para trazer "movimento* ao marasmo nacional!

Mas o convite à delação é mais frontal: obriga todos os proprietários e gerentes a denunciar quem fume para aplicação da multa. Caso não o façam poderá outro cliente denunciar os dois, sendo a coima para o dono do estabelecimento o dobro da do prevaricador. Nem a velha PIDE era tão explícita e incentivadora com os seus denunciadores! Nem a Santa Inquisição o fazia! Fazer da nossa sociedade uma "cambada de bufos" e do tabaco um envenenador decretado em lei é uma hipocrisia pura e simples.

Quando o Estado é o proprietário da Tabaqueira Nacional e apõe uma pretensão de ter o monopólio do tabaco está, no mínimo, sujeito a ser levado a tribunal contra a sociedade. E a que "penas" serão sujeitos as "drogas de governos" que temos tido? Onde poderá haver apelo para a tradição das touradas de morte se o tabaco é também tradição secular findo um lauto repasto?... Tenho a certeza que entrando tudo isto em vigor não tarda a que se encete um novo volume "Leis Extravagantes" como já houve no passado. Mas como sou optimista, espero que o Parlamento deixe cair esta loucura e aparente, ao menos, um bom senso que sei não mostram em muitos e outros níveis.

Transformar Portugal num alfobre de delatores por causa do tabaco é legalizar as milícias populares e a justiça por conta própria, já que consumir drogas duras é "legal" e proteger menores em risco, como no caso de Torres Novas, pode ser motivo de duras penas. (Devo confessar que tenho vários ascendentes que foram familiares do Santo Ofício. Eram os melhores...).

Na verdade, um pouco de bom-senso não faria mal no meio disto tudo! Por mim, preparo-me já para reverter os processos que tiver. Preparem-se os ministros da Justiça, das Finanças, da Segurança Social para tudo, já que os meus impostos e contribuições servem para pagar os seus ordenados e são, portanto, meus "servidores". Quanto ao senhor ministro da Saúde, com esse terei um "tête à tête" especial. Tendo sido vítima de assaltos por drogados, ter-me-á que indemnizar desde já pelos danos que sofri na vida. Mas que "porreiro" ! - na linguagem de José Sócrates.

 
 

 

 

 




 



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