::::::::::::::::::::DENISE FERRAZ::::::::

PICASSO EXPÕE - INDEX

Picasso expõe
O disperso
A traça
Máquinas de Pimball
Cardápios variados na mesa de linho branco do jantar
A senha
Mijadouro
Genética da ovelha
A vida em tango raro

Picasso expõe

Escorre, não a pele,
Mas o óleo pigmento de azul.

Tem nome esta fome –
De nada adianta dizer no oco: miséria.

O idiota sou eu, a olhar mariposas vadias.

Tem cheiro acre o ocre disposto
Ao acaso do dia.
Tem cores demais contidas
No espaço/ no quadro de Picasso.
É a mulher azul.

Um Picasso desfigurado
Vale um poema de moleque ressabiado?

Um franzir de olhos,
Movimento de pupilas,
Dois braços tesos no ar.
O dragão soltando fogo pelas ventas...

Espiral! Um saco de lixo e que tudo o mais
Vá pro inferno!

Tudo é movente quando dois membros
Dispostos rentes ao inacabado formam o desenho
Áspero do mundo.

Olhos de azeviche – tudo que aqui se apunhala
Soa a ressaca de Capitu.

Aqui jaz o pulo do gato.
Gato miado, quando morto,
Move a máquina de costura:
Tripas, ventre, miolos, e o coração?
Todos os expostos dizem – ai, que dor!
Não é cruel a nudez da mulher azul
Exposta no quadro de Picasso?
Não.
Cruel é a vida!
Este cozido de gato ao molho pardo.

Denise Sampaio Ferraz. Olímpia (São Paulo, Brasil), 1963. Graduada em Comunicação Social (Jornalismo). Mestre em Teoria da Literatura pela UNESP de São José do Rio Preto (S.P). Prepara tese de doutoramento em Teoria da Literatura pela mesma Universidade sobre Clarice Lispector.

Entrada no TriploV: Abril de 2008
 

 

 

 




 



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