CUNHA DE LEIRADELLA
O CIRCO DAS
QUALIDADES HUMANAS



Longa metragem

INDEX

Nota preliminar
Narrativas
Personagens (ordem alfabética)
Figuração
Perfil dos personagens

ROTEIRO:

01-15
16-18
19-25
26-32
33-34
35-37
38-40

41-43
44-45
46-50
51-58
59-62
63-67
68-70

71-72
73-79
80-83
84-91
92-101
102-110
111-121

 

26 - RUA. EXTERIOR. DIA.

 

Um carro da Açominas sobe a rua. Em sentido contrário, aparece o corcel de Carioca e Preto. O carro da Açominas pára. O corcel pára também. A câmera enquadra-o pelo lado de Carioca.

 

CARIOCA (Debruçando-se na janela)

- Favor, amigão...

 

Fábio, sai do carro.

 

FÁBIO

- Sim?

CARIOCA

- Dava pra dizer por onde eu vou pro Bar do Campo?

 

FÁBIO (Apontando a rua, atrás do corcel)

- É por esta rua mesmo. Mas é contramão. O senhor vai ter que voltar e subir pelo outro lado. O Bar do Campo fica na Romaria.

CARIOCA

- Romaria?

FÁBIO

- É. É uma construção muito grande que...

CARIOCA (Cortando)

- Brigado, amigão.

 

27 - CORCEL. INTERIOR. DIA.

 

Preto, de cara fechada, olha Fábio.

 

PRETO

- Já tô, ó! Ô cidade fodida!

CARIOCA

- Calma. Já, já, tu vai ter o que fazer.

PRETO

- É bom mesmo!

 

28 - RUA. EXTERIOR. DIA.

 

Fábio, parado, espera o corcel recuar. Carioca dá marcha a ré e sobe na calçada, quase atropelando Ulysses, que vem descendo.

 

29 - RUA. EXTERIOR. DIA.

 

Ulysses continua andando. Na porta da casa de Bosco, logo abaixo, cruza com Antônio, que está entrando.

 

ANTÔNIO (Efusivo)

- Veja só! Por Congonhas, a esta hora?

ULYSSES

- Cheguei...

ANTÔNIO (Ao mesmo tempo)

- Veio de férias ou é passeio mesmo?

ULYSSES

- Eu vim...

ANTÔNIO (Cortando)

- Diz que, aquilo, por lá, tá uma guerra.

 

Ulysses olha Antônio, como se não tivesse entendido.

 

ANTÔNIO (Com ênfase)

- O Rio de Janeiro! Diz que ninguém agüenta mais aquilo!

ULYSSES

- É. Realmente...

ANTÔNIO (Ao mesmo tempo)

- Mas vamos entrar. Vamos entrar. A casa é sua.

ULYSSES

- Não. Muito obrigado.

ANTÔNIO

- Eu faço questão!

ULYSSES

- É que eu vou almoçar na...

ANTÔNIO (Cortando)

- Na casa da comadre Prisciliana? Faz muito bem. Faz muito bem. Mas não vai me fazer desfeita, não, que eu não aceito.

 

Ulysses tenta afastar-se, mas Antônio segura-o por um braço.)

 

ANTÔNIO

- Não, senhor!

 

Antônio empurra Ulysses para dentro da porta aberta e entra também.

 

30 - RUA. EXTERIOR. DIA.

 

O corcel de Carioca e Preto pára em frente ao Bar do Campo. Duas portas e mesas, ainda vazias, na calçada. A câmera enquadra o corcel pelo lado de Carioca. Carioca debruça-se na janela e observa a praça, atentamente, durante algum tempo.

 

31 - CORCEL. INTERIOR. DIA.

 

Preto, impaciente, olha Carioca.

 

PRETO

- Tá esperando o quê?

CARIOCA

- Manera, porra!

PRETO

- Manera, o quê, caralho?! Num tem ninguém xeretando, não!

CARIOCA

- Por isso mesmo. Tá muito...

PRETO (Cortando)

- Tá grilado? Grila, não. Grila, não, que a gente num é ninguém, não, porra!

CARIOCA

- Num é ninguém, só se for tu! Que eu sou e muito! Num fosse aquele filho da puta...

PRETO

- Desse papo, eu já tô, ó...

 

32 - RUA. EXTERIOR. DIA.

 

Preto sai do corcel e anda em direção ao Bar do Campo. Uma moça vem andando na direção dele. Preto pára, olha a moça e assobia.

 

PRETO

- Depois desse tal Aleijadinho, quem mais me aleijou, nesta terra, foi você, (Enfatiza a palavra.) gatona!

 

A moça sorri e continua andando, rebolando as cadeiras. Preto ri, com ar safado, e assobia de novo. A Moça volta-se e Preto faz o gesto de correr atrás dela. A moça anda mais rápido.

 

PRETO

- Ei! Foge, não!

 

Escuta-se o barulho da porta do corcel, batida com força, e Carioca passa por Preto, em direção ao Bar do Campo.

 

CARIOCA

- Vambora. A gente num veio aqui pra...

 

Carioca pára, volta-se e olha Preto.

 

CARIOCA

- Vambora, porra!

 

Preto resmunga, mas começa andando.

 
 

 

 

 


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