JOÃO NABAIS
Parque da cidade

PARQUE DA CIDADE , uma vez mais sentado na tarde do dia

ESCREVO... como amo cada recém-nascido

PARÁBOLA

ENTARDECER…

OLHAR ESPECIAL com gardénias

SIBILO

ESCREVO… na cápsula do tempo

ESCREVO… na cápsula do tempo

Quase não como

quase não durmo

ao instante segundo

escrevo muito

escrevo sempre

mesmo se não escrevo

com a dor crónica da coluna

há muito inflamada

 

quase não como

quase não durmo

ao instante segundo

cada vez mais

isolado do mundo

construo a própria

torre de babel

num quarto fechado

ainda

sem destino notável -

entre o dia e noite

o movimento da chama

escorre

na câmara-escura

e o pêndulo quase pára

cristalizado o sono

na dobra das esquinas

onde crianças de rua

se escondem

numa cama de estrelas

ao abrigo da doce sufocação da morte

 

quase não como

quase não durmo

ao instante segundo

se a luta me custar a vida

como um soldado ferido em combate

na trincheira

contra os frustrados

críticos de arte

que nada sentem

ou sabem daquilo que pensam e dizem

vou seguir o trilho do caminho

para lá do pequeno mundo

conhecido

mesmo que as palavras já gastas

se tornem escassas

na procura da razão crua que me alimenta a coragem

 

quase não como

quase não durmo

ao instante segundo

escrevo muito

escrevo sempre

mesmo se não escrevo

com o corpo em movimento suspenso

refugiado na cápsula do tempo

 
 

 




 



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