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JOSÉ VICENTE BARBOSA DU BOCAGE:
A VIDA E OBRA
G.Ramalhinho

Zoólogo e político nasceu no Funchal e morreu em Lisboa em l907. Primo em segundo grau do célebre poeta Manuel Maria Barboza du Bocage pela ascendência comum em Gil L´Hédois du Bocage, José Vicente Barboza du Bocage ingressou na Universidade de Coimbra em l839 concluindo o grau de Bacharel em 1846. Iniciou o ensino superior da Zoologia em Lisboa, ao ser nomeado, em l851, lente proprietário da 8ª cadeira (Zoologia) na Escola Politécnica, que regeu durante mais de 30 anos.

A incorporação do Museu de História Natural na Escola Politécnica, para apoio à cadeira de Zoologia, veio a ocorrer sete anos após Barboza du Bocage ter tomado posse como lente da 8ª Cadeira e a direcção científica do Gabinete de Zoologia deste Museu caber-lhe-ia por inerência do cargo.

Iniciou então a recolha de exemplares para o Museu, descrevendo a metodologia a usar no seu livro “Instrucções praticas sobre o modo de colligir, preparar e remetter productos zoológicos para o Museu de Lisboa” (1862). Quando se deslocou a Paris, em missão oficial de 1859 e 1860, dialogou com o Museu de História Natural de Paris granjeando colecções, a título de compensação dos espécimes levados durante as invasões napoleónicas por G. Saint-Hilaire. Em 1863, D. Luís fez depositar no Museu a colecção particular de D. Pedro V. rica sobretudo em aves e conchas, colocando-o segundo palavras de Bocage, na vanguarda dos museus de segunda ordem. Vários exploradores entre os quais o grande naturalista-explorador José d´Anchieta, contribuíram para o enriquecimento do acervo zoológico do Museu. Em 1875 foi eleito Vice-Presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa.

Desenvolveu intensa actividade científica, publicando cerca de 200 trabalhos taxonómicos sobre Mamíferos (de que se destaca “Memória sobre a cabra montez da Serra do Gerez” em 1857), Aves (“A ornitologia dos Açores”, 1866; “Aves das possessões portuguesas d’ Africa occidental que existem no Museu de Lisboa”, da 1ª à 24ª lista, 1868 a 1882), Répteis (“Lista dos répteis das possessões portuguesas d’ Africa occidental que existem no Museu de Lisboa”, 1866), Anfíbios (“Notice sur un batracien nouveau du Portugal”, 1864), Peixes (“Diagnose de algumas espécies inéditas da família Squalidae que frequentam os nossos mares”, 1864 e “Peixes plagiostomos, Primeira parte, “Esqualos””, 1866) e Espongiários (descrevendo a famosa Hyalonema  lusitanica). O primeiro volume de “Ornithologie d’ Angola”, seria publicado em 1881, o segundo volume em 1877 e a “Herpethologie d’ Angola et du Congo” em 1895.

Jubilado em 1880, conservou a direcção do Museu, que seria interrompida para desempenhar as funções primeiro de Ministro da Marinha e Ultramar, e depois de Ministro dos Negócios Estrangeiros de 1883 a 1886.

Ainda em 1905, um decreto de 10 de Abril determinou que a Secção Zoológica do Museu Nacional de Lisboa tomasse a designação oficial de Museu José Vicente Barboza du Bocage, que o uso consagraria com a forma abreviada de MUSEU BOCAGE.


 Referências
 
ALMAÇA, C.,1987. A Zoologia e a Antropologia na Escola Politécnica e na Faculdade de Ciências (até 1983). Fac.Ciências da Univ.Lisboa. Passado/Presente e Perspectivas Futuras, 150º aniversário da Escola Politécnica, 75º aniv.Fac. Ciências, 293-312.

BOCAGE, J.V.B., 1901. Publicações tíficas de J.V.Barboza du Bocage (1857-1901). Acad.Real das Sciencias de Lisboa, 1-39.

BURNAY. E., 1903. Comemorações Sociaes – O conselheiro Barboza du Bocage. Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, 21ª. Série, nº7:245-253.

OSÓRIO, B., 1915- Elogio Histórico do Illustre Naturalista e Professor J.V.Barboza du Bocage. Memórias do Museu Bocage: 1-42

 
 

 




 



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