REVISTA TRIPLOV
de Artes, Religiões e Ciências
ISSN 2182-147X
NOVA SÉRIE
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Adílio Jorge Marques

Ensaio sobre a teoria do Big Bang e o texto da Gênese

“Nossa exploração não deve nunca cessar.
E o fim de toda nossa exploração
será voltar ao lugar de onde partimos
e o conhecer pela primeira vez”.
T. S. Eliot

INTRODUÇÃO

             Este breve texto ensaístico pretende mostrar certa relação entre a teoria científica do Big Bang e o livro da Gênesis, tentando encontrar entre ambos pontos de concordância e de divergência. Ciência e religião, principalmente do século XVIII para cá, são consideradas contrárias: a primeira refuta as proposições das religiões (quaisquer), e a religião não admite bem até hoje o fato da ciência se ocupar da chamada Causa Primeira, ou até de interpretar a palavra bíblica. À parte as discussões de validades históricas das religiões, a proposta aqui é de encontrar paralelos de entendimento lógico entre o pensamento antigo e o moderno - a Gênese e a Ciência - e, talvez com isso, deslumbrar o alcance da mente humana em épocas diferentes, com culturas também diferentes. A Gênese ou a Criação refere-se ao ato (ou atos) em que o mundo e o Universo tomam forma e começam a existir. Desde tempos remotos, todos os grupos sociais humanos têm concebido uma ou mais “teorias” para a Criação; estas narrativas, orais ou escritas, constituem o maior tema mitológico criado pelo homem na tentativa de esclarecer questões tão remotas quanto o raciocínio humano: “De onde viemos?” “Para onde vamos?” “Como tudo começou?”, “Deus existe ou tudo é obra do acaso?”, “Por que existe alguma coisa ao invés de nada?”, “O que é o real?", entre tantas outras.

A Criação conforme as culturas antigas descrevem o começo do mundo e sua ordem (o cosmos, no sentido literal), e serve como arquétipo para todos os mitos seguintes dentro daquela cultura. No sentido filosófico, o mito da Criação expressa os fundamentos ontológicos de uma cultura. Por outro lado, o desenvolvimento das ideias científicas concernentes à origem do cosmos é a Cosmologia. De uma maneira mais “científica”, desde o pré-socrático Tales de Mileto tenta-se explicar o início de tudo. Tales marcou a transição, no Ocidente, do pensamento científico, em termos de hoje, ao dizer que o começo de tudo foi a água. Porém, uma água não simplesmente etérea - é uma entidade ou substância de todo o começo; é também o Logos - o princípio ou lei de todas as coisas. A questão proposta por Tales, devido à sua ideia, de como todas as coisas viriam da água representa esta mudança da ideia puramente filosófica para um sentido cosmológico mais amplo, dando também à natureza a condição de ser a causa e, também, a manifestação. Mesmo que se considere que Tales aceite a ideia de um Deus por trás de seu Logos - a água - ele tem o mérito maior de ser o primeiro filósofo ou pensador da Antiguidade Ocidental a tentar propor uma explicação da Criação mais ontológica, segundo leis iniciais.

De Aristóteles, passando por Johannes Kepler e Isaac Newton, até hoje, questões concernentes ao começo do Universo têm atraído a atenção de cientistas, principalmente astrônomos. A ênfase nas teorias algumas vezes causou (e ainda causam) conflitos entre cientistas e religiosos. Atualmente, a Teoria Do Big Bang sobre a origem do Universo é o modelo cosmológico mais aceito. Esta teoria nos diz que o Universo teria começado com a explosão de um ponto, ou singularidade, de matéria extremamente condensada. Após, como desenvolvimento desta teoria mais aceita, temos a Teoria Inflacionária, que descreve a condensação original de matéria como tendo se espalhado virtualmente pelo Universo após a explosão inicial. Se o Universo irá se expandir para sempre, devagar ou cada vez mais rápido, ou até se contrair novamente, continuando com esta oscilação indefinidamente a partir de um único Big Bang ou de outros subsequentes, são questões que os cientistas e filósofos modernos tentam descobrir, no sentido de tentar entender o cosmos.

Quando explicamos em uma linguagem não matemática, estas teorias recaem nas antigas teorias mitológicas sobre a própria Criação. A diferença básica destas está no fato da inclusão de uma atividade inteligente onipresente e criadora de todas as leis por detrás de todos os fenômenos universais. É importante salientar o fato desta inteligência não ser comparável a uma inteligência humana como mais comumente a compreendemos, mas a uma espécie de energia universal ordenadora, cosmológica, no sentido absoluto do termo e sem nenhum atributo antropomórfico, como é entendido pela maioria, sendo esta ideia mantida devido a interesses medievais ainda em voga no seio da Igreja de pleno século XX. Porém, as políticas questões eclesiásticas da mesma, sejam de ordem interna ou externa, não são do escopo maior deste trabalho. O mais importante a se ressaltar, novamente, é o fato de que o ponto principal deste trabalho está na exposição das ideias científicas a respeito do instante inicial do Universo e na comparação destas através dos tempos. Esta comparação levará também a conceitos fundamentais de espaço para muitas culturas, como veremos adiante.

Em 1543, Copérnico levantou a hipótese de que a Terra poderia não ser o centro do Universo. Uma consequência lógica da teoria de Copérnico é destituir a nossa galáxia de qualquer localização preferencial no espaço. Dessa forma, somos levados ao componente-chave da cosmologia moderna, o princípio cosmológico de Copérnico, que estabelece que o nosso ponto de localização no Universo não difere em nada de qualquer outro ponto do espaço. Ele seria localmente isotrópico - parece o mesmo em diferentes direções, visto a partir da Terra.

           Além destes personagens, lembre-se que a teoria de Einstein de um Universo estático só perdurou até que Alexander Friedmann, matemático e meteorologista russo em 1922 e Georges Lemaître, clérigo belga, em 1927, trabalhando de forma independente, descobriram o conjunto de soluções mais simples para as equações da gravitação de Einstein que descrevem um Universo em expansão. Assim, ambos foram os criadores da cosmologia do Big Bang.

            A teoria da Grande Explosão precedeu à descoberta da expansão do Universo. Se o Universo é concebido como sendo homogêneo e isotrópico em qualquer lugar, isso nos conduz diretamente ao Big Bang, como melhor explicado a seguir. A teoria do Big Bang, ou da Grande Explosão, descortina um imenso panorama da evolução cósmica. Há cerca de 20 bilhões de anos iniciou-se a expansão cósmica. As condições existentes neste instante inicial e antes dele são matéria para especulações que a teoria convencional não contempla. Por esta teoria, o Universo primitivo era muito quente, muito denso, e talvez também muito irregular. A irregularidade e a anisotropia decresceram gradualmente. Alguns minutos após o Big Bang ocorreram reações nucleares; basicamente, todo o hélio existente no Universo foi sintetizado nessa ocasião. À medida que o Universo se expandia, ele esfriava, da mesma maneira que o ar quente se expande e se esfria. A radiação cósmica de fundo é um vestígio residual dessa era primitiva. As galáxias se fragmentaram em estrelas e se mantiveram agrupadas, para formar imensos agregados em vastas regiões do espaço. Ao se transformarem em gigantes vermelhas, as estrelas liberavam matéria que se condensava em grãos de poeira.

            Novas estrelas se formavam a partir das nuvens de gás e poeira. Em pelo menos uma dessas nebulosas a poeira fria se aglomerou em torno da estrela, formando um fino disco. Os grãos de poeira aglutinaram-se uns aos outros, dando origem a corpos maiores que aumentaram de tamanho em razão de sua atração gravitacional, formando uma grande variedade de corpos, desde os minúsculos asteróides até os planetas gigantes, que constituem o sistema solar. Assim, a teoria do Big Bang nos conduz através da evolução de todo o Universo, desde os primeiros microssegundos de tempo até a formação da Terra e o desenvolvimento da vida, alongando-se até um futuro que talvez seja infinito. Provavelmente a evidência mais persuasiva em favor do Big Bang seja a existência de um fundo cósmico de radiação de microondas, o resíduo arrefecido da Bola De Fogo Primordial, que constituía o Universo primitivo. Microonda é o termo usado pelos radio astrônomos para designar as ondas de rádio de pequeno comprimento (inferior a alguns centímetros), e disso o Universo é bem rico. Essa energia de fundo é considerada um resquício da explosão inicial.

 A GÊNESE

          A Gênese foi escrita por Moisés e faz parte do Pentateuco (do grego “cinco rolos” ou “livros”), sendo os outros quatro livros o Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Para começar, lembremos como a Gênese descreve os primeiros momentos da Criação:  

BÍBLIA - GÊNESE, CAPÍTULO I, VERSÍCULOS 1 a 5 

I. AS ORIGENS

          1 As origens do mundo.No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o Oceano e um vento impetuoso soprava sobre as águas.

          Deus disse: “Faça-se a luz”! E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa. Deus separou a luz das trevas. E à luz Deus chamou “dia”, às trevas chamou “noite”. Fez-se tarde e veio a manhã: o primeiro dia ...”           

Após, seguindo a descrição bíblica, Deus criou o firmamento com a separação das “águas” primordiais - o céu - e este foi o segundo dia. A seguir fez a terra e o mar, além da vegetação; este foi o terceiro dia. No quarto dia criou as estrelas, o Sol e a Lua. No quinto dia criou os seres vivos das águas e dos ares. No sexto dia, os animais terrestres e o homem à sua imagem e semelhança, como ser vivo reinante sobre os outros. O sétimo dia foi abençoado e santificado por Deus que assim “descansou” de sua obra. Após esta parte da Gênese temos a descrição das origens da humanidade, com o surgimento de Adão e Eva, o Éden, o pecado original, etc.

            Falar de Gênese leva-nos ao judaísmo e, para muitos, à pesquisa da cabalah (Qaballah = Tradição), esta a base explicativa que está por trás de escritos antigos. Para muitos foi baseado nessa tradição que alguns textos sagrados – Torah, Pentateuco, Velho Testamento – foram escritos, porém, não como a aplicação direta da mesma, mas sob a forma de alegorias. É interessante dizer que a estrutura da cabalah (como uma árvore ou fluxograma com as 10 esferas, numa posição vertical) demonstra também uma concepção de espaço do povo hebreu entre mundos.

          Na Gênese existe um Deus por trás de tudo o que foi Criado, ainda não manifestado e que ao se manifestar pela primeira vez dá origem ao primeiro ponto da trindade que é o pai, “masculino” por essência. Porém, como não pode existir manifestação única de polaridade, temos a manifestação da contraparte do pai - a mãe, o pólo “feminino”, o espírito. Com dois pólos temos sempre a manifestação resultante da combinação - o filho. Os sete “dias da semana” subsequentes, ou as dualidades já manifestadas, se referem à criação do mundo físico desde os primeiros momentos até hoje como manifestação do filho.

A COMPARAÇÃO

           Importante ressaltar é o fato da tentativa de explicação feita pelos hebreus (e outros povos) da Criação em si, principalmente no que tange não somente à pura existência de um Deus ou Inteligência por trás de tudo, mas também quanto aos passos posteriores da mesma até os dias presentes (a Terra como término da Criação).

            Começaremos com o instante inicial, o tempo zero, chamada de era de singularidade. A menos de 10 -43 segundos (o tempo de Planck) a ciência nada pode explicar. O que teria dado partida à Criação do Universo? Porque o Universo é do jeito que é? Sabemos que qualquer modificação inicial ou até nas constantes universais teria ocasionado um Universo totalmente diferente do que é hoje, provavelmente não capaz de suportar qualquer espécie de vida. Qual é a probabilidade estatística de que o Universo, a partir de uma explosão original, viesse a ser como é hoje? Sabemos também que tal probabilidade é extremamente pequena, ínfima, pela estatística, a mesma que, ao contrário, pode dizer também que a probabilidade de haver outras formas de vida no Universo é extremamente alta. Os cálculos estatísticos são somente um resultado aproximado, talvez uma amostragem apenas. Porém, a utilizamos sempre que necessitamos precisar algo que não é possível ser totalmente explicado pela matemática usual do problema ou quando queremos saber a margem de erro dos mesmos.

            Logo, nada podemos dizer com exatidão do instante inicial da criação: “tudo o que conhecemos encontra sua origem num oceano infinito de energia que tem a aparência do nada”, disse o físico John Wheeler (Guitton, Jean. “Deus e a ciência”, 1991, Nova Fronteira). O instante inicial e tudo o mais após tem, como ponto de partida, uma consciência superior que estaria por detrás de tudo. porém, como já havia mencionado, não seria uma inteligência como comumente é tratada nas religiões, de um ser antropomórfico, meio Deus meio homem que manda e desmanda nas vidas e no universo, mas uma espécie de energia primordial, que a tudo permeia, como em um oceano infinito de energia com pequenas flutuações, e que tem na organização universal, na ordem (cosmos), um atributo inerente a si próprio. acho que o start inicial de um universo organizado só poderia ser dado através desta energia primeira, uma energia de fundo como hoje em dia há no universo e na mecânica quântica onde o “nada”, o vácuo absoluto, não existe.         

            A matéria primordial concentrada em altíssimas densidade e temperatura, sem forma e tempo-espaço indefinidos, o Ayn Sof hebreu ou Deus Imanifestado, temos a explosão inicial ou Big Bang, dando início logo após a manifestação em si da criação e da formação da matéria como princípio, e temos a bola de fogo inicial.

O momento inicial, a própria criação: “no princípio Deus criou o céu e a terra” (vers. 1) - a separação do estado inicial, espírito e matéria (em essência), a primeira manifestação, o pai e a mãe da trindade (ainda não manifestados), a primeira dualidade da grande trindade que origina o primeiro dia. para as religiões é a “vontade de Deus”; para a ciência é um “desequilíbrio” do estado inicial da matéria que estava concentrada num pequeno ponto, uma quebra de simetria da mesma - a singularidade - não explicada pela ciência até hoje; é a diferença de tempo antes do tempo de Planck. “a terra estava deserta e vazia” (vers. 2) - nada havia sido ainda criado, gerado efetivamente, tudo existia apenas em essência - é o filho da trindade primeira, originado, manifestado do desequilíbrio que a tudo causou, e “as trevas cobriam o oceano...” (vers. 2) - oceano = ao que será o universo ou o espaço ocupado por ele. “... e um vento impetuoso soprava entre as águas.” (vers. 2) - a expansão da explosão inicial na substância inicial do universo ou o alento divino religioso. aqui começam os dias em si. é o momento em que começam a se manifestar as dualidades na criação.

            O segundo evento - criação das partículas - segundo a tabela dada teria lugar com a criação do primeiro dia (vers. 3 a 5). a manifestação mais material da trindade primeira citada. sua manifestação após o tempo de Planck como primeiro princípio da trindade, o pai, qualidade masculina e positiva e primeiro princípio da criação em si, está na criação das partículas logo após o instante inicial, mais particularmente com relação ao próton considerado positivo também pela ciência.

            A contraparte dual da trindade, a mãe, corresponderia ao elétron, negativo e feminino. havia uma matéria primordial (as “águas” - vers. 2) sem manifestação e quando se fez a luz (Big Bang), houve a separação entre “dia e noite” na criação que é essa dualidade pai-mãe ou próton-elétron (começo da manifestação material). estou me referindo mais particularmente a essas duas partículas porque são primordiais na formação da matéria logo a seguir, os átomos, moléculas, etc., e que corresponderia à manifestação desta dualidade, sendo o filho, o nêutron com relação às partículas, o terceiro ponto da trindade

            Do versículo seis ao dez, passando pelo segundo dia, com a citação da criação do firmamento, separação das águas, o céu (novamente), a terra (idem) mesmo como geradora da vegetação (vers. 12, a seguir), etc., estaria relacionada com todas as fases seguintes da mesma tabela desde as eras hadrônica e leptônica (até 1 segundo após a explosão), até a era proterozóica (~ 19 bilhões de anos atrás), passando pelas eras da radiação, da matéria, do desacoplamento (a maior e mais importante, a partir de 300 mil anos após o início de tudo, pois é neste período que as estrelas, galáxias, etc., se formam) e a arqueozóica. é a expansão do universo. nesse meio tempo tivemos a formação total da matéria e estabilização do universo como o conhecemos, estrelas, galáxias, planetas, a terra e nosso sistema solar.

            Do versículo 11 ao 13 temos, segundo a gênese, a formação da vegetação (denotando de uma maneira mais direta o nosso planeta terra), correspondendo à era paleozóica onde, segundo a ciência apareceram os primeiros vestígios de vida macroscópica (sem eles não haveriam as primeiras plantas), os fósseis mais antigos, as primeiras plantas ~ 19,55 bilhões de anos - o terceiro dia.

            O quarto dia, vers. 14 ao 19, diz sobre o aparecimento dos “luzeiros do céu” - o sol e a lua. esta fase estaria ainda relacionada com a era do desacoplamento, pois o sol e até a lua ainda não estariam totalmente formados e não seriam como os conhecemos hoje. seriam fecundadores de nosso sistema (e do universo como um todo) daquilo que já havia sido criado.

            O quinto dia diz sobre o aparecimento dos seres aquáticos e voadores - vers. 20 a 23. corresponde, em nossa tabela, desde o aparecimento dos peixes até os répteis, já na era mesozóica (~ 200 milhões de anos atrás).

            O sexto dia marca o aparecimento de todas as outras espécies de animais e do homem - vers. 24 ao 29. esta passagem bíblica teria relação ainda com a era em que os répteis apareceram até hoje (~ 19,8 a 20 bilhões de anos depois do Big Bang) - era cenozóica, com o advento do homem (homo sapiens) a aproximadamente dois milhões de anos atrás. Adão e Eva, posteriormente, representam toda a humanidade, todos os homens e mulheres do início da evolução social e física do homem e não um único homem ou uma única mulher original. o homem teria sido feito “à imagem e semelhança de Deus”, ou seja, têm dentro dele todas as condições consideradas divinas para evoluir em paz consigo e o próximo. porém não o faz - temos a queda. mas o desenvolvimento desta parte bíblica origina outro trabalho. Importante ressaltar que os seis primeiros dias representam também, para os hebreus, as seis direções do espaço. 

            O sétimo dia, onde Deus descansa de sua obra, nada mais é para o saber religioso do que a representação do templo divino, o momento do culto a Deus, o ponto central do hexagrama judaico onde Deus é reverenciado; daí termos o domingo como dia sem trabalhos profanos (teoricamente) até hoje. Como fechamento desta comparação, a árvore judaica ilustra bem estes princípios criadores, pois as três primeiras esferas retratam a trindade superior, primeira, se manifestando e descrita de inicio, e as sete esferas seguintes logo abaixo mostram os sete dias da criação em duas colunas (as dualidades se manifestando gradualmente para formar todo o universo) até a mais baixa que representa a terra em si, já formada, onde está o homem que reverencia seu criador no sétimo e último dia (o dia do descanso).

CONCLUSÃO

         Talvez possa haver relações entre as teorias modernas do Big Bang, teoria científica bem explicativa da criação do universo, e as antigas escrituras. mas é importante ressaltar que as mesmas jamais deveriam ser interpretadas ao “pé da letra” como se diz popularmente, pois foram escritas por culturas diferentes da nossa, em épocas extremamente distantes, e interpretadas, traduzidas e modificadas através dos tempos por interesses vários daqueles que se “apossaram” delas.

Podemos ter três tipos de interpretações da Bíblia: a literal (pseudo-histórica e semibiográfica), a alegórica (as doutrinas éticas e filosóficas), e os mistérios espirituais que constituem realmente as passagens bíblicas”. Existe grande importância em se estudar os antigos textos bíblicos como também são importantes os antigos textos dos filósofos gregos, estóicos, árabes, etc., sem preconceitos de qualquer espécie, levando-se em conta o lado mais profundo de cada texto estudado, ou seja, o que está por trás de cada letra do mesmo.

Sugestão de trabalho futuro seria uma comparação entre a milenar cosmogênese hindu e a própria teoria do Big Bang. Esta cosmogênese contém pontos parecidos com a atual teoria moderna da física da Criação. Por exemplo, no que diz respeito a contração e expansão constante dos multiversos a partir do que eles chamam de “respirações de Brahmah (Deus)”, as suas expirações (expansões dos universos), e inspirações (contrações dos universos). Haveria eternas “criações” ou respirações de Brahmah, partindo sempre de um ponto inicial e também de uma trindade primordial.

Sem dúvida são temas que sempre suscitam na mente humana indagações e pesquisas no sentido de uma maior compreensão de si e das civilizações. Além da busca de se localizar no todo que nos cerca e, quem sabe, aproximar-se de Deus e de si mesmo.

9. REFERÊNCIAS

Bíblia de Jerusalém. Paulus, 2005. 

A Bíblia. Vozes, 1994. 

Guitton, Jean; Bogdanov, Grichka; Bogdanov, Igor. Deus e a Ciência. Nova Fronteira, 1991. 

Capek, Milic. The Concepts of Space and Time - Their Structure and their Development. D. Reidel Publishing Company, vol. XXII, 1974. 

Vasconcelos, Fernando de A. História das Matemáticas na Antiguidade. Ed. Bertrand, 1960. 

Gribbin, John. Taking the Lid Off Cosmology. New Scientist, 1979. 

Weisskopf, Victor F. The Origin of the Universe. An introduction to recent theoretical developments that are linking cosmology and particle physics. Americ. Scient., vol. 71, 1983. 

Versão do Rev. Dr. Isidor Kalish. Sepher Yezirah. Um Livro Sobre a Criação, vol. XXXI, EA, 1983. 

Versão de Alcuíno. O Livro de Jasher. Um dos Livros Sagrados da Bíblia, vol. XXVII, ES, 1980.

Prof. Adílio Jorge Marques. Nasceu em 1968 no Rio de Janeiro/RJ, sendo de família lusa. Possui cidadania portuguesa. Desde muito jovem é estudioso e participante das Antigas Tradições, da História e das Ciências.

Concluiu o Doutorado em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, após realizar intercâmbio na Universidade de Aveiro, Portugal, sendo o trabalho com ênfase na historicidade luso-brasileira. 

O tema da Tese na UFRJ versa sobre a vida e a obra do naturalista Alexandre Antonio Vandelli, personagem pouco estudado e filho do famoso paduano Domingos A. Vandelli da Reforma Pombalina.  

Possui Mestrado em Astrofísica estelar pelo Observatório Nacional (Brasil/RJ), com graduação em Física e em História. Atua como Professor de História da Ciência e de Física no Brasil. 

Email de contato: adiliojm@yahoo.com.br

 

 

 

 




 



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