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HERPETOLOGIA
CABO VERDE
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FICHAS DE ESPÉCIES
SAURIA: SCINCIDAE
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Mabuya fogoensis (O'Shaughnessy, 1874)

O'Shaughnessy descreve Euprepes fogoensis em princípio a partir de exemplares coligidos nove anos antes pelo Reverendíssimo botânico, quando as novas espécies se publicavam de imediato: Many specimens, adult and young, from the islands of Fogo and St. Vicent's in the Cape-Verde group, from the collection of the Rev. R.T.Lowe. By its two-keeled scales this species is allied to Macroscincus Coctei; but the teeth are not serrated.

Se entendo o que leio, no MHN de Londres havia nove espécimes-tipo da ilha do Fogo, o nº 15 foi permutado com o Museum of Comparative Zoology (USA, também conhecido por Museu Agassiz). Os animais entraram a 13 de Maio de 1865, 1846 é a data de segundo registo. Estes são os únicos espécimes de Mabuya fogoensis até hoje encontrados na ilha do Fogo, pelo menos que se saiba publicamente.

Mabuya fogoensis (O’Shaugnessy)
Reg. No Locality Origin Remarks
65.5.13.6
RR 1946.8.18.8-14, 16 Fogo Coll: Pres: Rev. R.T. Lowe Type
65.5.13.16
RR 1946.8.19.53 St. Vincent Coll: Pres: Rev. R.T. Lowe Type
1906.3.30.36 St. Nicolau, Cape Verde Island Coll: Leonardo Fea

1887. Boulenger diz que a cabeça se assemelha à de Lacerta muralis. Curiosas estas comparações, em princípio esperava-se que se comparassem scincos com scincos e não scincos com lagartixas.

1896. Bocage diz que no Museu Britânico há espécimes do Fogo e S. Vicente. Os nossos são da ilha de Santo Antão e foram-nos offerecidos pelo dr. Hopffer. Não tem espécimes da ilha do Fogo.

1902. Bocage nada de novo diz, a menos que sonegue habitats descobertos por Newton. À face da escrita, até 1902 os portugueses só têm conhecimento da existência de M. fogoensis na ilha de Santo Antão. Bocage limita-se a insistir em que os exemplares típicos são do Fogo, e que no M. Britânico também os há de S. Vicente, o que é trágico, pois as ilhas situam-se em placas tectónicas diversas e tudo se deve à extraordinária habilidade cinegética do Revº Padre botânico, e nunca por nunca se alude ao facto de que não andava sozinho. Aliás, Günther disse que tinha mandado 2 exemplares a Bocage, mas este nada confirma e já lemos que as procurou em todos os postos de descarga de navios ingleses em Lisboa. Pelos vistos, até nisto o desinfeliz foi burlado. No CGRA não há nada. De resto, não há a bem dizer nadinha de Cabo Verde no CGRA, tudo foi à vida. Mas esta da M. fogoensis generosamente oferecida pelos aliados, que nunca nos tinham dado nada, até para mim foi um barrete. Assentemos: Günther burlou Bocage dizendo-lhe que tinha mandado 2 scincos ditos M. fogoensis.

ERRATA. O comportamento típico dos ingleses é burlarem com a verdade, as fontes não mentem. O comportamento típico de Bocage é dizer que as encomendas de bichos se extraviaram e mandar as etiquetas darem um longo passeio. Então ele recebeu a Mabuya fogoensis do Fogo e outros répteis, mas ficou tão apavorado que não teve outro remédio senão denegar o recebimento. Esta cena já a conhecemos das remessas de Newton. Cumpre assim perguntar: que criatura é a Mabuya fogoensis? Que outros répteis terríveis recebeu Bocage? Por Allah, o Todo Poderoso: ele recebeu M. coctei da ilha do Fogo que se via a estalar debaixo do genoma da Mabuya delalandi, da iguana, do mamífero, do peixe, da lesma e da galinha, e a Mabuya fogoensis a saltar das costelas da lagartixa muralis. Manipulados genéticos. Vade retro, o homem ficou hirto de terror ao dar de caras com o Érebo.

1905. Boulenger refere-a para S. Nicolau, exemplares de Leonardo Fea.

1935. Angel estuda 1 expl de Santo Antão (Cova).

1951. Dekayser & Villiers estudam 46 exemplares de Santo Antão, parte deles de Porto Novo.

1955. Mertens estuda exemplares de Santo Antão e S. Vicente. Diz que a maior parte das terras típicas dos sáurios caboverdianos está errada.

1987. Schleich divide o táxone em subespécies: 1. Mabuya fogoensis fogoensis (O'Shaughnessy, 1874) - Fogo, confirmado na tabela e no texto, a partir dos espécimes do Museu Britânico. Distrib.: Fogo, Santo Antão, S. Vicente, S. Nicolau. 2. Mabuya fogoensis nicolauensis Schleich, 1987 - S. Nicolau. Um dos exemplares é o do British Museum, colheitas de Leonardo Fea. A data do trabalho de Boulenger é 1905-1906, daí que as espécies tenham a segunda data e nas referências bibliográficas apareça uma ou outra. 3. Mabuya fogoensis antaoensis Schleich, 1987 - Santo Antão.

Obs.: Schleich refere a existência de Mabuya fogoensis fogoensis e Mabuya fogoensis nicolauensis em S. Nicolau, o que deita por terra a afirmação de Joger, segundo a qual em Cabo Verde não há coabitação de subespécies na mesma ilha. Há mais casos de simpatria, este não é o único.

Margarida Pinheiro estuda vários exemplares de Santo Antão e S. Nicolau das colecções do Centro de Zoologia.

1993. Joger trabalha com material coligido por Geisthardt em 1982 e por Hartog em 1986. Nenhum apanhou Mabuya fogoensis na ilha do Fogo, aliás em ilha nenhuma. Mas já apanharam um scinco, em Santo Antão, que Joger diz ser o único preservado, a partir do qual cria a novíssima espécie Mabuya geisthardti Joger, 1993, sem cadastro sinonímico. Joger garante que não se assemelha a nenhum outro scinco de Cabo Verde, nem sequer à simpátrica M. fogoensis antaoensis. Diz que era possível considerar o único bicho uma subespécie de M. fogoensis, só a não cria porque não há notícia de duas subespécies coexistentes na mesma ilha. Por toda esta algaravia, é aqui mesmo, na ficha de M. fogoensis, que fica a novíssima em folha. Uma perguntinha, se não for indiscreta: que acidente liquidou os outros espécimes? O preservado, esperemos que não lhe aconteça o mesmo que aos de Bocage.

1994. In Naurois, Margarida Pinheiro diz que M. fogoensis e M. stangeri são muito próximas.

 
 
   
   

 

 

 


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