REVISTA TRIPLOV
de Artes, Religiões e Ciências
ISSN 2182-147X
NOVA SÉRIE

 

 

 

 
 

A.M. GALOPIM DE CARVALHO

O avô e os netos falam de Geologia

É já no próximo 1 de Junho, dia da abertura da Feira do Livro de Lisboa, 2017, o lançamento deste meu  último livro,
 da Âncora Editora.

Embora o título sugira uma obra destinada a juvenis, “O AVÔ E OS NETOS FALAM DE GEOLOGIA”, escrito em estilo de diálogo, foi concebido a pensar nos Professores que ensinam Geologia nas nossas Escolas, nos seus alunos e, ainda, na generalidade dos leitores interessados em descobrir a maravilhosa história do nosso Planeta. Esta realização nasceu da experiência que mantive e continuo a manter, proferindo lições por todo o país e em todos os níveis, do Básico ao Secundário e, até, nos Jardins-Escolas. Sem perda de rigor científico, criei e aprendi a usar o discurso pedagógico mais adequado a cada um destes níveis. E é esse discurso que coloco aqui à disposição dos leitores. 

ÍNDICE

Introdução

Agradecimentos

É preciso descodificar as palavras.

O nascimento do Astro-rei.

A estrela que nos deu e nos assegura a vida.

O nascimento da Terra.

Lua, a nossa companheira.

Pedras caídas do céu.

 “Planeta azul”, a nossa casa.

À semelhança de uma cereja.

Viagem ao centro da Terra.

A pele da Terra.

Para baixo todos os santos ajudam.

Pesamos mais na praia do que na montanha.

Pesamos mais nos Açores e na Madeira do que no Continente

Como na banheira de Arquimedes.

Coisas que é preciso saber para falar de minerais.

Outras coisas importantes para falar de minerais.

E tudo o mais que se aprende ao falarmos de minerais.

Rochas ou pedras?

As rochas que nasceram de um magma.

Dos sedimentos às rochas sedimentares.

O que são e com nascem os calcários.

Quando as rochas se afundam na crosta.

Um sobe e desce de centenas de milhões de anos.

As bocas do Inferno.

Há vulcões e vulcões.

E o que mais se pode dizer sobre vulcões.

Aproveitar o calor da Terra.

Quando a Terra treme.

Duas maneiras de classificar os sismos.

Quando as vidas se transformam em pedra.

O tempo em geologia.

Dinossáurios no Centro Ciência Viva de Estremoz.

Dinossáurios na estrada.

Inalar o ar que os dinossáurios respiraram.

Jangadas de pedra.

Porque é que se diz “tectónica de placas”?

O motor da tectónica de placas.

Um íman do tamanho da Terra.

O chão que nos dá o pão.

Se não houvesse solos, nós não estávamos aqui a falar.

INTRODUÇÃO

Naquele Verão, era quase sempre com o Sol a descer para lá do Oceano, que o avô falava das muitas coisas que haviam preenchido o seu mundo como geólogo e professor de geologia. Sob o alpendre coberto de hera, no pequeno terraço anexo à casa, uma grande mesa com tampo de ardósia, onde se podia escrever com giz, e algumas cadeiras eram o centro preferido para estas conversas com os três netos. Liberta a mesa de tudo o que servira o jantar, o Domingos e os gémeos Francisca e Mateus, rodeando o avô, tinham nos olhos o brilho da curiosidade. Mais velho, o Domingos, terminara o 7º ano de escolaridade. O Mateus e a Francisca tinham concluído o 6º. O tempo de férias era agora todo deles, com praia pela manhã, jogos e leituras, dentro de casa, nas horas mais quentes da tarde e aquele apetecido convívio ao fim do dia, que os conduzia a maravilhosas viagens e aventuras.

Embalados nas palavras do avô, “caminhavam” sobre rochedos em altas montanhas, “corriam” no solo fofo das estepes e pradarias, “pisavam” o chão áspero e duro dos vales secos e gélidos da Antárctida, “respiravam” a humidade quente e perfumada da floresta amazónica, “mergulhavam” nas profundezas do oceano e “nadavam” nas águas tropicais, límpidas e mornas, por entre corais e peixinhos de todas as cores. Ouvindo as histórias que o avô contava, “subiam” ao topo de vulcões jorrando lavas incandescentes ou projectando nuvens imensas de cinza, “escorregavam” nas dunas escaldantes no deserto do Sahara ou “percorriam” grutas repletas de cristais e imaginavam-se entre dinossáurios e muitos outros animais desaparecidos.

Encorajado pelo interesse e pela atenção dos netos, o avô não parava de falar. Paisagens que percorrera, profundas minas a que descera, museus que visitara, grandes figuras que conhecera e episódios que vivera ou presenciara eram condimentados com ensinamentos nos domínios em que trabalhara e que, ao mesmo tempo, estivessem entre as matérias constantes dos programas escolares destes três elementos do seu pequeno e interessado auditório.

E era tudo tão agradável e entusiasmante. Ouvir o avô era como ver um filme ao lado de alguém que explicava e tornava fácil o que parecia difícil de entender. A cada passo, as novas palavras necessárias ao discurso iam sendo descodificadas, “traduzidas por miúdos”, como dizia o avô, ganhando significado.

Eis o primeiro dos 33 capítulos

É PRECISO DESCODIFICAR AS PALAVRAS

A tarde estivera particularmente quente e foi ainda no final do jantar, servido na mesa do terraço, enquanto saboreava o gelado trazido do supermercado, que a Francisca perguntou ao avô qual seria o assunto da primeira das conversas prometidas, a terem lugar ali, à semelhança do que acontecera nas férias de verão do ano anterior. Seriam, certamente, mais uma daquelas lições, dadas num jeito de contar histórias, que dava gosto ouvir.

- Nas conversas que vamos ter este ano, - começou o avô - acho que vou começar com algumas reflexões sobre as palavras que irão ouvir, muitas delas novas e sem significado, se não forem convenientemente explicadas. Mas antes gostava que ouvissem o que me parece importante dizer sobre a palavra.

- Diga avô. Adiantou-se o Mateus.

- Chegada a nós através do latim parabola, que significa discurso ou fala, a palavra é uma característica exclusivamente humana, que nos distingue dos restantes animais a que, de um modo demasiado simplista, adjectivamos de irracionais. Sabemos hoje que este nosso dom reside nos escassos pontos percentuais que nos distanciam do código genético do chimpanzé. Vamos, pois, aproveitar esta capacidade e fruir os bens que o saber nos oferece.

- Quem fala assim não é gago! – exclamou a neta, olhando o avô com um lindo sorriso.

- Enquanto falada, a palavra é um conjunto de sons que define um ou mais objectos ou ideias. Os estudiosos destas matérias admitem que o andar de pé, ou seja, a postura erecta dos primitivos humanos, a libertação das mãos (especialmente adaptadas à vida nas árvores pelos seus antepassados primatas) e a utilização destas no talhe e no uso de instrumentos conduziram ao aumento de volume do cérebro e ao seu desenvolvimento em termos de complexidade.

Já ouvi falar em primatas, - interrompeu o Mateus – mas não sei bem o que são.

- Primatas, meu neto, são os animais de um grupo de mamíferos que tu conheces muito bem. São, entre outros, os macacos, os chipanzés, os gorilas, os orangotangos e os seres humanos.

- Obrigado, avô.

- A possibilidade física de emitir mensagens sonoras, aceites como rudimentos de palavras. - Acrescentou a avó, aproximando-se. – Isso pressupõe a aquisição de uma capacidade intelectual e de uma outra, física, ao nível do aparelho fonador, ou seja, da boca, da garganta e do nariz, susceptíveis de expressar ideias através de emissões de voz.

- Essa possibilidade – retomou o avô – pode ter surgido quando os nosso primitivos antepassados começaram cooperar entre si, adaptando formas de comunicação baseadas, não só em expressões da cara e em gestos, mas também nas citadas emissões vocais.

- Impossíveis de confirmar. - Acrescentou o pai das crianças, atento a uma conversa do seu particular interesse. - As opiniões sobre o início desta etapa da evolução dos nossos antepassados, isto é, da hominização, variam entre as que a aceitam associada ao aparecimento do género humano mais antigo, há cerca de 2.500.000 anos, às que a apontam como uma conquista do homem moderno, há menos de 100.000 anos.

- Usada com marco divisório entre a Pré-história e a História, - continuou o avô - a palavra escrita é um conjunto de símbolos gráficos ou grafemas susceptíveis de exprimir uma e, por vezes mais, ideias, registados num suporte material como foi o barro e a pedra, na Antiguidade, e o papel e o electrónico, etc., no presente. Na nossa cultura, em que a grafia é alfabética, podemos converter a palavra escrita em sons ou grupos de sons que reproduzem a palavra falada.

- Deixe-me só acrescentar – pediu o pai das crianças – que a palavra escrita surgiu há cerca de 5000 anos, na Mesopotâmia, acredita-se que por engenho dos sumérios, desenvolvendo-se como uma outra via de comunicação.

- Que, embora de uso muitíssimo mais restrito, - acrescentou o avô - possibilitou ao homem divulgar os seus conhecimentos muito para além do seu espaço geográfico e do seu tempo.

- São múltiplos os factores envolvidos na criação deste passo importante na civilização e, com isto termino, - disse o pai - um deles foi o surgimento das cidades, como exigência do progresso da economia e da sociedade.

- Vamos, então, começar pelo significado das palavras. Todos se acordo?

- Sim, avô. – Disseram, quase ao mesmo tempo, a Francisca e o Mateus.

- E eu também. – Disse, logo a seguir, o Domingos.

- Uma grande verdade que eu aprendi em quarenta anos de professor e muitos mais como divulgador de ciência a todos os níveis, é que «o discurso do professor tem de ser simples, sem perda de rigor, apelativo e, sempre que possível, agradável». Só assim o aluno ou quem o escuta ou lê tem gosto em aprender e aprende.

- É como faz o avô. A gente aprende logo. Quase que não precisa estudar. – Disse  este neto.

- Todas as actividades, sejam elas quais forem, das mais simples às mais complicadas, precisam de palavras para dar nomes a todas as ferramentas ou utensílios de que se servem e a tudo o que nelas se faz ou produz. Por exemplo, os cozinheiros servem-se de facas, tachos e panelas, fritam, cozem e assam. Os alfaiates e as costureiras mexem em tesouras, agulhas, linhas e botões, fazem casacos e vestidos e falam de lã, algodão, seda e linho. Todos eles usam palavras que toda a gente conhece, mas também usam outras que nós nem pensamos que existem. Passa-se o mesmo com os médicos, os economistas, os juristas e todos os cientistas e técnicos dos mais variados ramos. Também eles falam de nomes do dia-a-dia de toda a gente, mas atiram-nos à cara muitos outros que só eles e muito poucos entendem. Em suma e simplificando, tudo o que se pensa ou faz e tudo em que se mexe tem um nome. Com a geologia é a mesma coisa. Além das palavras vulgares esta ciência que estuda a Terra criou as suas próprias palavras.

- É mesmo isso. – Interrompeu o neto mais velho. - Quando o avô ou a minha professora falam de coisas da geologia, aparecem sempre palavras novas.

- Os cientistas estão sempre a descobrir coisas novas e, assim têm de criar neologismos. Aqui têm os meus netos, uma palavra que vem mesmo a calhar. Neologismo é o nome que se dá a uma palavra criada de novo e que foi feita a partir dos elementos gregos, neo, que quer dizer novo, e logos, que significa estudo, conhecimento.

- Então, temos de aprender grego? – Perguntou o Mateus com ar de alguma preocupação.

- Não. Basta que saibam o significado dos termos que entram na composição dos vocábulos próprios das disciplinas que têm de estudar. Uns vêm do grego, outros do latim.

- Vocábulos, Avô? – Interrompeu, de novo, o Mateus.

- Aí tens tu uma palavra tirada do latim vocabulu que quer dizer nome de uma coisa. Mesa, copo, lápis, areia, piscina, mar e todos os nomes que conheces e não conheces são vocábulos. Entre os vocábulos usados em geologia, por exemplo, há palavras que toda a gente conhece, como montanha, rocha, areia, erosão, mina, vulcão, e palavras só usadas pelos profissionais, como turbitito, gliptogénese, anatexia, piroclasto, orógeno, hialoclastito e muitíssimas outras, em número de centenas. São nomes que, de momento, nada vos dizem e que, a seu tempo, poderão vir a conhecer.

- E são essas que vamos aprender? – Perguntou o Domingos.

- Por agora nem todas, mas, mais tarde, certamente que sim. - Continuou o avô. - Eu costumo dizer que são palavras “caras” que é preciso “trocar por miúdos”. No século XVIII, quando as ciências começaram a ganhar importância, estudar e criar conhecimento era uma actividade, praticamente, só exercida no seio do clero, por padres e monges, e também por alguns representantes da nobreza. O latim e o grego faziam parte das disciplinas habituais no ensino a que, nesse tempo, só estas classes tinham acesso. O povo, dizia-se, não precisava estudar. Bastava-lhe a força dos braços e a habilidade das mãos. Estava-se muito longe de o ensino ser obrigatório para toda a gente.

- A cabeça do povo era só para pôr o chapéu ou o barrete. - Entrou na conversa a avó, atenta à conversa. – O clero e a nobreza sabiam muito bem que os seus privilégios assentavam na ignorância do povo.

- E fiquem a saber - acrescentou a mãe das crianças, atenta a esta conversa - que, mesmo depois e por muito tempo, estudar era uma actividade só acessível aos homens. As mulheres não tinham essa possibilidade. Serviam para tudo menos para estudar. Estavam destinadas a serem boas esposas, boas mães e boas donas de casa. Ainda pouco na geração da avó, mas depois, felizmente, na minha, as raparigas já puderam estudar lado a lado com os rapazes.

- Era como ainda hoje em algumas sociedades dominadas por fundamentalistas religiosos, em que as raparigas estão proibidas de ir à escola. – Lembrou a avó.

- Hoje, nas nossas escolas, - continuou a mãe das crianças - praticamente, ninguém estuda latim ou grego. Só na Universidade e, mesmo assim, são poucos os alunos que frequentam estas disciplinas. O latim que os romanos falavam já não se fala em parte nenhuma, nem em Itália. E o grego que se fala na Grécia já sofreu grandes alterações.

- Bom, mas continuemos. - Interrompeu o avô. - Os cientistas têm de dar nomes às coisas que vão descobrindo ou, por outras palavras, como já dissemos, têm de criar neologismos. E, respeitando a tradição, fazem-no a partir de nomes que vão buscar a essas duas línguas da Antiguidade. São palavras que, praticamente, só eles e os seus pares entendem.

- E geologia é outra dessas palavras, não é, avô? – Disse o Mateus.

- Aí temos nós mais um bom exemplo para começar. – Continuou o avô. - A palavra geologia foi feita juntando dois elementos também de origem grega, geo, que significa Terra, e logos, que quer dizer estudo, conhecimento. Geologia é hoje uma palavra conhecida de muita gente mas, no século XVIII, quando foi introduzida com o significado que lhe damos, só os mais eruditos a conheciam.

Eruditos, Avô? Isso é outra palavra cara? – Perguntou o Mateus, a rir.

- É uma palavra que fomos buscar ao latim eruditu e que se aplicava a uma pessoa que sabia muito. E quem diz geologia diz muitas outras. Por exemplo, a palavra cassiterite, nome que foi dado ao mineral de estanho que podem ver aí na colecção que o Domingos começou a fazer, teve origem no grego, kassiteros, que significa estanho, e a que se acrescentou o elemento ite com que terminam os nomes da maioria dos minerais.

- A minha professora também explica as palavras mais esquisitas. - Disse o Domingos.

- À medida que formos falando de geologia – continuou o avô - iremos sempre explicando como nasceram as novas palavras que forem aparecendo, o que torna fácil tudo aquilo que parece difícil. Se souberem o significado dos elementos de que são feitos os nomes que forem aprendendo, eles passam a fazer uma parte sólida do vosso conhecimento.

- Diga mais palavras dessas. Avô. – Pediu a Francisca.

- Digo só mais uma que iremos usar muitas vezes,

- Diga, avô. – Entusiasmou-se a neta.

- Litosfera, que é o nome que se dá à camada exterior da Terra, toda ela formada por rochas. Analisando esta palavra verificamos que, também ela, foi feita juntando dois nomes gregos: lithós que significa pedra ou rocha, e sphaira que, está-se mesmo a ver, quer dizer esfera.

- Assim, fica tudo mais fácil. Obrigado, avô.

- Por hoje já chega. Para terminar, vamos meter bem na cabeça que todos os vocábulos que ouvirmos ou lermos, à medida que formos avançando no nosso estudo, têm de ser explicados. Se não tivermos este cuidado, não passam de palavrões sem significado que decoramos para podermos responder no exame e que, depois, se esquecem para sempre. E agora vão brincar um bocadinho, antes de irem para a cama.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Rui Dias, geólogo, meu ex-aluno, professor de Geologia na Universidade de Évora e Director do Centro Ciência Viva de Estremoz, pela leitura minuciosa e crítica da globalidade do original, corrigindo aqui, sugerindo e melhorando ali.

Ao Paulo Crawford, astrofísico, também meu ex-aluno e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pelos mesmos cuidados nos temas de que é profundo conhecedor.

Ao José Batista da Ascenção, professor de Biologia e Geologia da Escola Secundária Carlos Amarante, em Braga, pela leitura minuciosa e crítica da globalidade do original, corrigindo aqui, sugerindo e melhorando ali.

Ao Francisco Bilou, historiador e ilustrador, técnico superior Câmara Municipal de Évora em domínios da História e do Património Cultural, pelas ilustrações que muito valorizam este livro

Finalmente e como sempre, à Isabel, pelo permanente aconselhamento de quem, durante décadas, foi grande na arte de ensinar, a todos os níveis de escolaridade, e pela leitura final do manuscrito.

 
 

A.M. Galopim de Carvalho. É professor catedrático jubilado pela Universidade de Lisboa, tendo assinado no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências desde 1961. É autor de 21 livros, entre científicos, pedagógicos, de divulgação científica e de ficção e memórias. Assinou mais de 200 trabalhos em revistas científicas. Como cidadão interventor, em defesa da Geologia e do património geológico, publicou mais de 150 artigos de opinião. Foi diretor do Museu Nacional de História Natural, entre 1993 e 2003, tempo em que pôs de pé várias exposições e interveio em mais de 200 palestras, pelo país e no estrangeiro.
Blogue: http://sopasdepedra.blogspot.com/
 

 

 

 




 



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